06 novembro 2005

Para APRENDER filosofia

Tive dois semestres de filosofia no Ensino Médio, mas se me perguntarem o que eu me lembro, o que aprendi, eu não saberia o que responder [isso que era muito aplicada nessa disciplina!]. A professora falava, falava e falava... sobre os autores, líamos polígrafos, e depois nós tínhamos que provar o quanto sabíamos daquilo tudo que foi exposto. Muita prova objetiva e decoreba para passar adiante. Esse uso instrumental da filosofia não me preparou naquele período, é o que penso agora. Atualmente, estou voltando a me interessar novamente por esse campo [inspirada, também, em ótimas professoras e professores que venho tendo desde a Faculdade e o Pós:-)], isso porque estou vendo que com ela terei cada vez mais subsídios para compreender as transformações sociais, históricas, culturais, políticas, que estão nos assolando. Por isso, achei muito interessante o texto do Renato Janine Ribeiro intitulado Filosofia para todos os gostos, com ótimas dicas [inclusive bibliográficas] de como iniciar por esses estudos.

Um pedaço:


Nos últimos 20 anos, aumentou muito a demanda por filosofia. Quem diria que, em 1968, quando "la definitiva noche se abría sobre Latinoamérica", a filosofia viria a ser sucesso de público? Nos colégios, aposentava-se a escrita em favor das provas com cruzinhas. A filosofia era acusada de perigosa, pelas ditaduras, ou de inútil, pela tecnocracia. Mas isso mudou. A edição de filosofia está em franca expansão.
Por isso, até eu, que critico a ênfase excessiva que os cursos de filosofia dão aos autores (em detrimento das questões propriamente filosóficas), recomendo começar por eles. Filosofar é caminhar_por isso, é tão interessante o caminhante solitário de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)_veja adiante. O maior erro de quem quiser conhecer filosofia será acreditar que cada conceito tem um sentido exato, e um só. O leitor verá que cada autor lhe dá um significado diferente! E esse significado só cabe no pensamento desse autor. Assim, os dicionários de filosofia são úteis, mas não demais. Nenhum deles substitui a frequentação direta de uma obra.

Leia mais

03 novembro 2005

Mais um presentinho...




Outro quadrinho do Sobrinhos de Platão [produzido pelo Newton Foot] no Universia, que foi publicado em 28 de outubro de 2005. [clique aqui para ver o quadrinho ampliado].

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25 outubro 2005

Expressões da marca da crueldade

Os membros de algumas comunidades [do Orkut] de ódio a gordas, homossexuais, negros... vem "reivindicando" frente aos que entram nessas comunidades para questioná-los, o seu "direito" de expressar esse tipo de posicionamento. Essa é uma questão que vem me intrigando, pois uma das coisas que se diz sobre a pós-modernidade é a possibilidade de sujeitos "invisíveis" poderem falar, verbalizar, expressar os seus posicionamentos na cultura, tornando-se "visíveis". E, creio, na Rede as possibilidades de expressão são cada vez mais notáveis, seja através dos blogs, msn, Orkut, entre outras ferramentas. Certamente, outras questões estão aí dentro, como as possibilidades de construção e reconstrução do "eu" nesses espaços, a questão da distância, das relações efêmeras que podem estar sendo construídas, etc, e que tornam possível que esses sujeitos demonstrem os seus ódios, a sua intolerância, a sua crueldade frente aos nomeados como "outros".
...

16 outubro 2005

Para quem anda escrevendo, um presentinho...



Quadrinho do Sobrinhos de Platão no Universia, saiu no dia 26/09/2005 e foi produzido pelo Newton Foot. [clique aqui para ver o quadrinho ampliado].

E existe 'receita' para escrever uma tese, dissertação? Só praticando mesmo, escrevendo, escrevendo, lendo, relacionando... Estou nesse processo, mas dói!

O quero colocar em pauta daqui para a frente [planejamento]

Há muitas coisas que quero escrever nesse blog. Como acabo me esquecendo, ou acabo colocando outras coisas que vão surgindo, resolvi listar alguns dos próximos assuntos que quero colocar em pauta [não necessariamente na ordem que segue]:

1. escritos sobre o nomadismo no pensamento;
2. considerações a partir de um texto do Jorge Larrosa sobre o ensaiar-se na escrita acadêmica;
3. sabores e dissabores no processo da escrita acadêmica;
4. expressão de si mesmo na Rede;
5. flutuação das identidades na Internet e suas especificidades;
6. geração digital;
7. efeitos dos atravessamentos na Rede na vida offline;
8. amizades virtuais;
9. comentários de textos, filmes e livros lidos;
10. das possibilidades de afetar-se frente aos 'outros';
11. educação e descontinuidade;
12. outros...

Bons momentos esses

Eu descobri agora, mas vacilei em falar aqui, sei lá, pode parecer que quero me 'gabar', mas não é isso, quero apenas compartilhar um pouco as minhas alegrias. Ou seja, acontecimentos e momentos especiais que vão surgindo e que nos inflam de tanta felicidade. Aí vai:
1) Um texto que fiz em companhia com a minha colega Mariângela está publicado no Jornal A Página da Educação, o título é O inescapável consumo de si mesmo - pensando na fabricação dos sujeitos contemporâneos. Textos que surgem de encontros, seminários... e que parecem que deixam de nos pertencer ao compartilharmos com as demais pessoas [pois acho que nunca se escreve só para nós mesmo!]. É o meu primeiro texto meu que sai publicado [até o momento tinha publicado apenas os resumos de iniciação científica], e posso dizer que senti uma sensação indescritível. Pensei: -Puxa, é uma produção minha [nossa Mari!], é a materialização das coisas que venho pensando, relacionando, estudando... A minha ex-orientadora de IC disse que cada publicação mexe um pouquinho com a gente, nos desloca. Acho que deve ser mesmo, pois me sinto diferente agora, algo mudou dentro de mim, saio transformada dessa experiência e com muita vontade de seguir em frente! Ah, o meu currículo resumido saiu errado, saiu como se eu ainda fosse bolsista de IC, mas creio que isso é o de menos, pois até pretendo lançar o movimento Bolsistas forever... pois há coisas que fazemos, passamos, que se nos marcam de uma maneira tão intensa que continuamos sendo, hoje, um pouco de tudo o que se passou também. Nesse jornal, que tem essa versão eletrônica e impressa, também é possível encontrar, nessa mesma edição, um texto do Jurjo Santomé e outro do Gilles Lipovetsky, o qual estou terminando de ler um livro maravilhoso!!!
2) Outra coisa que me deixou super feliz foi ver que esse blog, sim, o Pensamento nômade, está na lista da Mostra de Blogs da Puc/Minas. Aliás, ao visitar a página deles encontrei muitos outros blogs interessantíssimos!!! Vale muito à pena uma visita até lá, imperdível!!! Ah, o Pensamento nômade está no link Blogs sobre Internet, blogs e comunicação. Fica aí embaixo o que é a mostra [indo até lá isso vai aparecer]:

A Mostra de Blogs faz parte da programação do III Ciclo de Palestras em Comunicação e Hipermídias que tem como objetivo aprofundar o debate sobre os usos e impactos deste tipo de site nas práticas comunicacionais contemporâneas. Nesta mostra serão exibidos blog, fotologs, vídeologs e audiologs em três categorias:
Blogs culturais
Blogs de jornalistas
Blogs sobre temas variados
Blogs de alunos e professores do curso
Blogs sobre Internet, blogs e comunicação
Qualquer pessoa pode sugerir um (ou vários) blogs, fotologs, vídeologs e audiologs para a mostra. Para fazer uma sugestão, clique aqui.A Mostra de Blogs será inaugurada no dia 29 de setembro de 2005, na Galeria dos Laboratórios de Comunicação (bloco I), e ficará em exposição até o final do mês de outubro.

ps.: por isso e muito mais preciso agradecer infinitamente um monte de coisas boas que vem me acontecendo. MUITO OBRIGADA a todas as pessoas que já passaram e que estão passando na minha vida... :-)

14 outubro 2005

Educação neoliberal: que formação humana é essa? Um breve comentário

Lembro de uma conversa que tive com a mãe de uma menina de três anos, que estava indignada porque na escola infantil em que a menina estudava, colocaram aulas de artes e o inglês perdeu um pouco o seu espaço, já que ambas disciplinas ficaram com a mesma quantidade de períodos. Feita essa constatação, essa mãe confidenciou-me que estava prestes a trocar a filha de escola porque considerava que as artes não ajudariam a sua filha a conseguir emprego no futuro, e que o inglês seria mais útil nesse período e, por isso, achava um absurdo terem incluído as artes que, segundo ela, não serviria para nada. Ora, essas são questões gritantes, pois que tipo de sujeitos estamos querendo construir a partir da educação? Gerzson (2005), discutindo sobre a materialidade das práticas neoliberais nas reportagens sobre educação em revistas, assinala que:
O aprendizado desde o nascimento até o ingresso na vida profissional é abordado nas revistas [e em outras instâncias que ajudam a fabricar os nossos modos de pensar] que apontam como deve ser a educação, recomendam como escolher a melhor escola - e até a pré-escola - que já deve iniciar a familiarização com valores e preceitos da ordem neoliberal, para que o bebezinho já comece a incorporar certos saberes e comportamentos convenientes. (p.29)
Ora, parece-me evidente que a mãe a que me referi está associada a esse modo de pensar neoliberal, em que se busca construir indivíduos com ?identidades moldáveis e diversificadas, necessárias a um mercado de trabalho cambiante? (ibid.) para formar o sujeito-cidadão-consumidor do futuro. Um sujeito construído para gerar lucros e dividendos. Assim pergunto: que formação humana é essa?

Referência

GERZSON, V. R. Aprendendo a ter sucesso: a educação para o neoliberalismo nas revistas informativas semanais. Jornal "a Página", ano 14, nº 142, Fevereiro 2005, p. 29.

13 outubro 2005

Das transformações corporais

No livro Cenas da vida pós-moderna, Beatriz Sarlo traz a questão de que estaríamos sendo assolados pelo mito da juventude [articulado que está a questão do corpo e da estética] como um imperativo aos modos de existência contemporâneos. Assim, estaríamos investindo cada vez mais em nossos corpos para nos associarmos às gramáticas de comunicação contemporâneas, onde o corpo aparece como sendo 'quase' tudo para nós. As representações midiáticas, que produzem e põe em circulação corpos femininos magros, sem rugas, estrias ou celulites, com seios volumosos, etc., são produtivas no sentido de ajudarem a nos produzir para que nos submetamos aos discursos que vendem a idéia de que através do corpo poderemos alcançar a felicidade e o sucesso.
Novos procedimentos são produzidos, possibilitando transformações quase que basicamente corporais. Transformações que estão associadas aos padrões de beleza e juventude que imperam na socedade ocidentalizada, tornada possível através dos efêmeros circuitos relacionados à moda, cirurgias, estética, tatuagens, e outras intervenções que nos submetem aos padrões estéticos atuais.
É dentro desse contexto [e que expus de maneira simplificada e rápida] que trago o texto Mulher Moderna, que está circulando na Rede, e que dizem que é de autoria do do Luís Fernando Veríssimo.

Amigas ao telefone:
-Oi, me conta como foi o encontro de ontem a noite ?
- Horrível, não sei o que aconteceu...
- Mas por que ? Não te deu nem um beijo ?
- Sim... beijar, me beijou. Mas me beijou tão forte que meu dente postiço
da frente caiu e as lentes de contato verdes saltaram dos meus olhos...
- Não me diga que terminou por ai ...
- Não, claro. Depois pegou no meu rosto entre suas mãos, até que tive que
pedir que não o fizesse mais, porque estava achatando o botox e me mordia
os lábios como se fossem de plástico... ia explodir o meu implante de
colágeno e quase sai o mega hair!!!!
- E... não tentou mais nada ?
- Sim, começou a acariciar minhas pernas e eu o detive, porque lembrei que
não tive tempo para me depilar. E além do mais, me arrebatou com uma
luxúria e estava me abraçando tão forte que quase ficou com minhas próteses da b.u.n.d.a. nas suas mãos e estourou meu silicone do p.e.i.t.o...
- E depois, que aconteceu ?
- Aí então, começou a tomar champagne no meu sapato...
- Ai, que romântico...!!!
- Romântico o cacete ! Ele quase morreu!!!
- E por que ?
- Engoliu meu corretor de joanete com a palmilha do salto...
- Nossa, que ele fez ?
- Você acredita que ele b.r.o.x.o.u . e foi embora?
Acho que ele é .v.i.a.d.o.
- Só pode!

07 outubro 2005

Escrevo, escrevo, escrevo, e o que penso?



Essa semana está sendo agitadíssima. Artigos para terminar, revisar, pensar... Além disso, tenho um trabalho para entregar na próxima terça-feira. Estou fazendo sobre a fronteira móvel entre as distinções da esfera pública e privada e o quanto isso traz consequências na nossa afetação frente aos 'outros'. Fora isso, coisas para ler... resumos para fazer, blog para manter... Tenho leituras importantes para fazer, pois tenho que seguir em frente na proposta.
A imagem que pus aí em cima é de um texto que estou revisando e acrescentando, modificando, para enviar para uma revista. Fiz esse artigo durante a minha graduação, e sempre tive vontade de retomá-lo. Pena que tenha tão pouco tempo para fazer isso, pois preciso enviá-lo hoje á noite, no máximo [e já são 04h da madrugada!].

01 outubro 2005

As palavras ferem, mas algumas não tem como ser evitadas.




Às vezes falo coisas que não gostaria. E isso porque não me dou conta; quando eu vejo as palavras já foram despejadas. Violentamente despejadas. Uma pena, pois há que se ter cuidado com as palavras. Elas ferem. Destroem sentimentos se desferidos como flechas em direção a um coração que não sabe ouvir. Que não sabe sentir o que o outro diz. Há que se ter cuidado com as palavras, pois elas ferem como o fel se não forem cuidadosamente dosadas. Doses homeopáticas. É preciso.

* * *

Uma coisa que me entristece é ver a soberba de alguns. Pessoas que soltam risinhos nervosos ao falar coisas, pois se acham demasiadamente inteligentes e superiores. Eu penso: - Meu Deus, que soberba. Pra que esse desejo ensandecido de querer se pôr acima dos outros? Ah, se soubessem o que penso, as coisas que me vêem à cabeça... no meio do meu pensamento veriam, após as lacunas, muito bocejo e risadas por ver esse furor que toma o corpo desses sujeitos, investindo neles toda a irracionalidade bestial do mundo. Melhor pra quem?

29 setembro 2005

E assim começo a introdução da minha proposta (ao menos temporariamente)...

Devido a fragilidade entre as distinções sobre as esferas do público e do privado nos tempos atuais, somos cada vez mais incitados a falar de nós mesmos nos mais variados espaços. Essa exposição -extremamente mais visibilizada com o advento das novas tecnologias de informação, disponíveis aos que operam com os seus códigos- das coisas que vivenciamos, pensamos e sentimos, vem aumentando com a popular passagem das escritas de si nos diários de papel para as escritas de si nos blogs, como escritas tornadas públicas; com a constante aparição de anônimos e artistas que abrem suas histórias de vida na televisão, revistas, sites...; com a construção de um perfil pessoal tornado público no Orkut , assim como as constantes conversas e debates que acontecem nesse espaço demonstram tanto o apelo para que ocupemos esses espaços, quanto as possibilidades dos singulares modos de cada um, nesses lugares específicos, buscar narrar a si mesmo (e aos 'outros'). Há, portanto, um apelo cada vez maior para nos confessarmos, para buscarmos uma 'verdade' sobre nós mesmos. E talvez seja esse 'apelo' que esteja retumbando ao meu ouvido, agora, ao dar prosseguimento a essa escrita. Uma invocação para que eu diga coisas sobre a minha vida, para que tente criar um elo entre os acontecimentos que vem me constituindo e os meus interesses de pesquisa; interesses que vem me fazendo vibrar, que vem me mobilizando a seguir em frente...

O ato de escrever mobiliza muitas coisas em nós. Eu estou vivenciando esse processo, e espero falar mais sobre isso nos próximos posts.

25 setembro 2005

Veja. Mas saiba por que ângulo você está aprendendo a ver!

Revista Veja: Laboratório de invenções da elite. Na Novae uma interessante análise, a partir da esquerda, da revista Veja. Analisando os modos como essa revista participa da construção das identidades da classe média brasileira, pautando os temas e tendências do dia a partir de recursos que visam atender a uma ideologia neoliberal. Abaixo, alguns excertos:

"Veja faz um jornalismo de trás para a frente", explica Cláudio Julio Tognolli, repórter do semanário na década de 1980 e hoje professor da USP. Segundo ele, se estabelece uma tese e a partir dela se parte para a rua, para a apuração. Ouvir lados diferentes da história e pesquisar sobre o tema são práticas que não alteram a "pensata", jargão para definir a tese que a matéria deve comprovar. Dentro da redação, o melhor repórter é o que traz personagens e fontes para comprovar a tese. "Assim, Veja ensina à classe média bebedora de uísque o que pensar", alfineta.

Publicações tradicionais do mundo todo têm sua posição claramente conhecida pelo público, sem roupagem de imparcialidade. Os questionamentos éticos aparecem quando as relações por trás desses interesses não são transparentes ao público leitor. Um dos motivos dessa falta de transparência é o surgimento dos grandes conglomerados de comunicação. Esse fenômeno adquire contornos mais dramáticos no Brasil, que permite a propriedade cruzada dos meios de comunicação (uma mesma empresa detém meios impressos e televisivos, por exemplo).

O presidente da Radiobrás e ex-diretor de publicações da Abril, Eugênio Bucci, alerta que os grupos transnacionais de entretenimento compram TVs e jornais e os restringem a um mero departamento. "A pergunta que se colocava antes era se o jornalismo é capaz de ser independente do anunciante. Hoje se questiona se ele é capaz de ser independente do grupo que o incorporou", avalia.

07 setembro 2005

Transformações em mim

No final de um dos seminários que fiz, escrevi o seguinte:
Adoro andar pelas ruas de Porto Alegre com olhos de turista, prestando atenção nos seus prédios, árvores, na movimentação humana nas suas ruas, principalmente na chamada rua da praia, a Andradas. Assim, lá estava eu, procurando ver a cidade de um modo singular ao mesmo tempo em que comecei a pensar sobre a multiplicidade de existências, com certeza tão diferentes, que estavam passando ali naquela rua. Continuei, então, caminhando e pensando, mas pensando sobre como estou levando os meus dias, o que tenho feito por mim, sobre as relações que tenho mantido comigo mesma... Incitada a pensar em mim, enquanto sujeito, no seminário sobre Michel Foucault e a Hermenêutica do sujeito (e não só a pensar num sujeito descolado da minha vida), passei a refletir, ao longo desse semestre, sobre como estou vivendo os meus dias, o que estou tomando por grande, o que estou escolhendo como prioridade...
Nesse momento resolvi ir à exposição Mirabolante Miró, como uma forma de dar um presente para mim, assim como para me deixar impregnar pela possibilidade artista de tentar ser outra de mim mesmo, outra porque em constante reinvenção, porque aberta à criação de novos sentidos, novos rumos e direções a tomar. Eu queria ter novas experiências produzidas, queria me abrir "para o desconhecido, para o que não se pode antecipar nem 'pré-ver' nem 'pré-dizer'" (LARROSA BONDÍA, 2002, p.28). Queria, em suma, ser tocada pelas coisas que me acontecem, ser arrebatada pelos movimentos da vida, tocada e modificada pelo que vejo, toco, vivencio... queria a produção de um viver mais belo. Nossas vivências podem ser vistas, portanto, como acontecimentos que podem (ou não) produzir experiências e, por isto, podem (ou não) propiciar a criação de novas rotas de viagem em que não nos será possível assegurar, fortemente, quem somos ou o que seremos logo adiante.
Posso dizer, seguramente, que hoje sou outra, pois vejo que fui atravessada pelas coisas que me passaram, produzindo transformações em mim; e é muito bom vivenciar isso, nos sentirmos nômades não só em torno de questões territoriais, mas nômades porque nossas "paisagens subjetivas" deslocam-se continuamente, nos levando para um lado e para outro... Portanto, realmente, muitas coisas nos passam, mas quais nos fazem voltar para a gente mesmo e nos ver de uma maneira diferente da qual estávamos sendo anteriormente? É, muitas coisas nos atravessam, mas quais nos fazem remoer sentimentos, para arrancá-los e qualificá-los, num processo em que nos diferenciamos, não apenas do outro que está ao nosso lado no banco de ônibus, mas principalmente, diferenciação das maneiras pelas quais estávamos levando as nossas vidas, da maneira pela qual estávamos sendo sujeitos nesses tempos...?
Essas são indagações que levarei comigo, e que me fazem refletir sobre a minha vida acadêmica nesse primeiro semestre de mestrado. Cursei cinco seminários no PPGEdu, mas quantas vezes fui incitada a pensar no modo-pesquisadora que estou sendo? Quantas oportunidades tive de me colocar em suspensão entre um frenético ato de ler e dar conta do que era minimamente necessário? Saio feliz desse seminário, pois se tive dificuldades de expor o que sentia, o que queria, posso atestar que nas várias vezes que precisei sair de mim mesma para voltar a mim no final, voltei modificada, porque as coisas que me atravessaram me agitaram, transformaram, mexeram comigo... Saí de mim e voltei para mim, mas hoje já não me reconheço mais, pois sou outra.
Trouxe, anteriormente, a visita que fiz á exposição Mirabolante Miró para mostrar o quanto podemos ter experiências que modifiquem a nossa própria forma de ser sujeito. Lá, fiquei encantada com as cores, cores que expressam, que são belas, poéticas... Outra coisa que mexeu comigo foi, também, assistir o vídeo sobre os momentos de criação do Miró, pois parecia que "algo" se apoderava dele, e esse algo, não era nada nem ninguém além dele mesmo, pois ele parecia ser arrebatado pelo que estava produzindo... Em cada pincelada havia sentimento, criação, angústia, possibilidades, enfim, de ser outro-de-si-mesmo... Possibilidades que pude vivenciar nesse seminário, pois não estávamos falando de sujeitos estranhos para nós mas partindo também da nossa existência, enquanto sujeitos que estamos sempre em produção. Sim, vejo que coisas aconteceram, invadiram a nossa alma e nos transformaram em outros de nós mesmos... Parece, felizmente, que podemos: ser autores de nós mesmos, nos reinscrever em outras lógicas, nos esgueirar e pegar outros cometas, partir para outras paragens, e é urgente, necessário, que isso seja feito...
REFERÊNCIAS
FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito. Trad.Márcio Alves da Fonseca, Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2004. 680p.
LARROSA BONDÍA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, n.19, p.20-28, jan/fev/mar/abr. 2002.

23 agosto 2005

O que nos conforta a alma?

Eu adoro essa música. Acho que ela diz muita coisa, que é um alento para a alma. Música que conforta, que pode nos fazer pensar e agir diferente do que estamos pensando e agindo agora, que pode nos sensibilizar para as dores do mundo... Porque essa eu acho que é uma urgência do nosso tempo: que nós possamos sentir, na intensidade de um ato amoroso, cumplicente, as alegrias e dores de ser humano em tempos tão sombrios...


Esquadros
Adriana Calcanhoto

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodovar, cores de Frida Kalo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que o meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa, filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone
E vendo doer a fome nos meninos que tem fome
Pela janela do quarto, pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela, quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde?
Transito entre dois lados de um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo, me mostro
Eu canto para quem?
Pela janela do quarto, pela janela do carro...
Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço...
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado
Pela janela do quarto, pela janela do carro...
Eu ando pelo mundo
E meus amigos cadê?...
Pela janela do quarto, pela janela do carro...

22 agosto 2005

excerto de uma das comunidades do orkut que quero analisar...

Gordas & anoes...exterminio e a solucao 6/13/2004 1:18 AMAqui estou eu para promover uma ideia que vendo desenvolvendo desde os primordios de minha existencia, essa seria a TOTAL destruicao dos seres que hoje em dia andam e assolam livremente nossas sociedades ja tao necessitadas de paz e tranquilidade, eu sou a favor do exerterminio de tais criaturas pois:1) sao completamente inuteis, ja que nao teem nenhum valor reprodutivo ou de adorno...hoje em dia os chamamos de OBESOS, GORDOS, ROLHAS DE POCO, SUPUSITORIOS DE ELEFANTE e por ai vai...aqui estou eu tambem para promover minha ideia de total destruicao do que hoje chamamos de anoes...eles devem ser destruidos pois: 1) sao parceiros de nossas inimigas mortais (gordas) 2) com elas formam um complo contra os humaniodes normais (nos) 3) anoes nao servem para nenhum tipo de trabalho, com execessao dos que prestam um servico util a comunidade morando e trabalhando dentro de maquinas de refrigerente, caixas eletronicos e etc...com execessao destes uteis amiguinhos TODOS devem ser mortos...PAZ

15 agosto 2005

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Faça você também Quegênio-louco é você? Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia


AI, que triste fim... eu é que não repetirei essa história!
Amor da perdição

A artista, nascida em 1864, é mais conhecida por sua vida atribulada que por seu trabalho. Aos 19 anos, conhece Auguste Rodin, 24 anos mais velho que ela, escultor já consagrado, que se torna seu mestre e amante.

Um amor ardente e secreto se prolongará por dez anos, muito embora Rodin nunca abandonará sua primeira amante, Rose Beuret, com a qual finalmente se casará em 1917.

Camille vive certa efêmera fama, graças ao apoio de Rodin, expondo em salões e participando de tertúlias em casa de Mallarmé e de Jules Renard, admiradores de seu trabalho.

Quando Rodin retorna em definitivo e totalmente ao seu antigo amor, começa a tragédia de Camille, que se fecha em seu estúdio e se entrega a uma solidão obsessiva, caracterizada pela pobreza e pela ruína física e mental. Só sai às noites.

A dor do abandono

Sua vida está relacionada à de Rodin até 1898, ano em que se separaram. A partir de 1906, arremete contra sua obra, destruindo grande parte de sua produção, numa espécie de exorcismo, como uma forma de livrar-se daquilo que ainda a vinculava ao homem amado e com a obsessiva dor do abandono, gravado em uma de suas esculturas.

Rodin tenta ve-la, mas é rechaçado, transformando-se num inimigo perseguidor, dentro do delírio paranóico de Camille.

Em 10 de março de 1913, por ordem de sua mãe e de seu irmão, ela é internada em um asilo de loucos em Ville-Evrard e, um ano depois, transferida para o hospital psiquiátrico de Montdevergues, que lhe dará abrigo até sua morte, trinta anos depois.

O desprezo da família

Não se encerra aí a desdita de Camille. Sua mãe jamais irá visitá-la e rechaça, firmemente, o conselho dos médicos para levá-la de volta ao lar.

Seu irmão, Paul Claudel, além de próspero, fortalece-se politicamente, ao tornar-se embaixador da França. Não obstante, se nega, em 1933, a pagar-lhe uma pensão hospitalar. Nos 30 anos de internação, Paul a visita umas poucas vezes e nada faz para amenizar o sofrimento de Camille, apesar das cartas suplicantes que esta lhe envia, narrando as condições sub-humanas em que vive.

O fim sem glória

Rodin, por sua parte, envia-lhe algum dinheiro, expõe algumas das esculturas de Camille que sobreviveram à destruição, mas nada faz para liberá-la do hospital. De toda maneira, qualquer iniciativa sua seria obstada pela mãe de Camille, que o considera culpado pela ruína e loucura de sua filha.

Camille Claudel morre em sua prisão psiquiátrica em 1943, com a idade de 78 anos. Esquecida do mundo, morre sem glória, sendo enterrada, anonimamente, em uma vala comum.

Isso no http://www.pitoresco.com.br/escultura/camille/camille.htm, não sei por que, mas não está linkando, mas tudo bem!!!

Dizer é difícil

MEU DEUS, como é difícil escrever. Sinto falta do tempo em que escrevia descompromissada, sem medo de desapontamentos, sem medo da página em branco que me olha indecorosa.

É, faltam palavras para dizer o não dito. Faltam idéias para não dizer o já-dito. Faltam pensamentos para vagar o já escrito...

Viviane Camozzato

08 agosto 2005

As palavras dizem muito de nós também...

Estava lá no blog do Tomaz Tadeu, professor do PPGEdu/UFRGS. Dá pano pra manga... pois os Pensamentinhos (em cada um assertivas que trazem "é", "são"... como estratégias de afirmação de verdades) podem apontar a intenção de decifração dos acontecimentos, seres, vidas... a Maquininha de Guerra implode esses acontecimentos, seres, vidas e produz coisas inimagináveis..., talvez porque tenha subvertido o esperado e já tido como certo, desejado, correto, verdadeiro. Conexão direta com o pensamento nômade como figura metafórica que pode nos fazer conhecer outras paragens. Relação "amorosa" com o conceito de experiência, pois nos descolando do que estamos sendo hoje podemos, talvez, nos transformar em outros-de-nós-mesmos...

I. Pensamentinhos
1. Não confundir o rebelde com o militante. São, aliás, inimigos mortais.
2.A rebeldia não é um estado de consciência, mas um movimento do pensamento.
3. O pensamento rebelde não tem hora, nem lugar. É intempestivo e impertinente.
4. O conformismo é da família do bom senso e do senso comum. Já a rebeldia tem relações de afinidade com o contra-senso e o não-senso.
5. Geograficamente, a rebeldia se situa nos antípodas dos gestos de boa-vontade e das piedosas declarações das boas-almas.
6. A rebeldia é sempre generosa. Piedosa ou caridosa, nunca.
7. A rebeldia até pode ser coletiva. Mas não funda nem segue escolas, partidos ou organizações.
8. O "não" do pensamento rebelde não tem nada a ver com niilismo. É exatamente o contrário: é sempre um "sim" à vida, contra os que tentam extingui-la.
9. À rebeldia repugna o culto a pais da pátria e o apelo a salvadores messiânicos.
10. A rebeldia vem antes do poder. Satã não existe porque Deus existe. É justamente o contrário.
11. O rebelde pode passar. Arrepende-se, retrata-se, desdiz-se, adere a uma igreja, entra num partido, arruma uma boquinha no aparelho de Estado, veste um terno fino, pede a extrema-unção. Já a rebeldia obstina-se em sobreviver.
12. O desrespeito é a primeira regra de boas maneiras da rebeldia.
13. Se a rebeldia tem uma fórmula é a do personagem Bartleby, de Herman Melville: "Prefiro não". Ou, então, a do porqueiro de Antonio Machado/Juan de Mairena: "Não me convence".
14. A rebeldia nega-se a dar foros de privilégio a qualquer tipo de ator, individual ou coletivo: operário, sem-terra, sem-nada. Mas acredita piamente num povo por vir.1
5. À rebeldia repugna falar em nome de quem quer que seja.
16. Seriedade é coisa de conformista. A rebeldia está mais para o riso e o humor. Mas isso não quer dizer que a rebeldia não seja pra valer.
17. Por inclinação, a rebeldia não se reserva um domínio limitado e específico: ela se alastra pela política, pela arte e pela conduta. Pela vida.
18. A rebeldia é puro desejo.
19. A rebeldia tem pouco interesse pelo que é. Em troca, é ilimitado seu interesse pelo que pode vir a ser.
20. Não existe rebeldia sem um pensamento do novo, do imprevisível e do inesperado.
21. Que ironia! O poder é pançudo, mas triste. A rebeldia é magra, mas alegre.
22. Nem vermelha, nem negra. A rebeldia não tem nenhuma cor. Tem todas.
23. Nem ícones, nem ídolos, nem vanguardas. Só conexões.
24. Nem bandeirinhas, nem símbolos, nem botãozinhos. Só criações.
25. A rebeldia não é a negação da ordem constituída. Ela é a afirmação daquilo que a ordem constituída nega.
26. Desconfiar dos que falam de revolução como se fossem padres ou pastores. Ou de padres e pastores que falam de revolução.

II. Intermezzo ?pedagógico?
1. Pedagogia e pensamento não dão bom par.
2. A rebeldia não tem nenhuma solução para os problemas da educação. A rebeldia é um problema para a educação.
3. Não confundir rebeldia com formação da consciência crítica. A rebeldia não quer formar coisa nenhuma.4. Formação para a cidadania, então, que palavrão! Cidadania? O rebelde responde: passo!5. Nem vale a pena adjetivar a pedagogia. Pedagogia crítica, pedagogia da esperança, pedagogia rizomática. É que a substância é irrecuperável.6. Com as pedagogias cristãs, então, meu Deus, a rebeldia não quer nem conversa. Vade retro, Jesus Cristo!7. Não pensem que haja um divórcio entre pedagogia de esquerda e pedagogia de estado. São tão bem casados!8. As pedagogias da esquerda no poder são simplesmente pedagogias de funcionários. Burocratizadas, pobrezinhas, morreram de bom comportamento.9. A pedagogia é o reino das boas almas e dos espíritos caridosos. Que o inferno lhes seja ameno!10. O que move a pedagogia não é nem a vontade de saber, nem a vontade de poder, mas a vontade de salvar. Mas quem eles querem salvar? E quem quer mesmo ser salvo?11. As boas almas da pedagogia formam um imenso e deplorável Exército da Salvação. E dê-lhe sineta!

III. Maquininha de guerra 1. Implodir o bom senso. Meios: o riso, o ridículo, o humor. Táticas: a inversão, a variação, o choque.2. Permanecer a léguas de distância do aparelho de estado. E de todas as suas ramificações: os sindicatos colaboracionistas, os movimentos sociais atrelados e as ongs auxiliares.3. Forçar os limites. Empurrar as margens. Pular as fronteiras.4. Cavar. Minar. Esburacar. Em algum lugar tem que haver uma saída.5. Onde houver cerimônia, instalar a sem-cerimônia. Onde houver ritual, começar um baile.6. Se apelarem para a autoridade, perguntar quem fundou. Se apelarem para a moral, perguntar quem inventou. Se apelarem para os valores, perguntar: de quem, cara-pálida?7. Subverter a linguagem e a gramática: é por aí que se infiltram o poder do senso comum e o senso comum do poder.8. Desatar os nós que vinculam os poderosos do momento aos coletivos abstratos: pátria, nação, família. Melhor: colocar em descrédito todo tipo de coletivo abstrato.9. Fazer delirar as escolas, os partidos e as seitas, sem deixar de fora as religiões instituídas.10. Nunca tomar nada de assalto. Se tiver que tomar de assalto é porque não vale a pena.11. Juntar o libertino com o libertário, o desejo com a rebeldia.12. Quando a esquerda vira à direita, é hora de dar meia-volta.13. Contra os aprumados artilheiros do bom-senso, as estocadas de não-senso dos infernais arteiros da maquinindeguerra.14. Às convocações à ordem responder com a debandada geral. Às palavras de ordem, com as palavras fora de ordem.

IV. Antologia de algibeira1. Se tivesse uma lista delas, me desligaria de todas as associações às quais nunca me filiei. Henry David Thoreau2. Uma sociedade parece definir-se menos por suas contradições que por suas linhas de fuga: ela foge por todos os lados. Gilles Deleuze3. Todos os corpos estão saciados; as consciências, resignadas. Não existe mais sequer aquela inquietação que atravessa o vazio dos ossos: só uma imensa satisfação de inertes almas bovinas. Antonin Artaud4. Eu lhes digo: é preciso carregar ainda, dentro de si, algum caos, para poder dar à luz uma estrela dançante. Friedrich Nietzsche5. É preciso livrar-se do mau gosto de querer estar de acordo com muitos. Friedrich Nietzsche6. Melhor na ponta dos pés / Do que de quatro! Friedrich Nietzsche7. Odeio do fundo do coração o séqüito dos déspotas e dos sacerdotes, /Porém ainda mais o gênio que com eles se compromete. Friedrich Hölderlin8. Não é com a ira que se mata, mas com o riso. Venham, matemos o espírito de gravidade! Friedrich Nietzsche9. Se fizer uma revolução, que seja por diversão, / não com uma seriedade sinistra, / nem com um fervor mortal, / mas por diversão. D. H. Lawrence10. minha especialidade é viver ? era a legenda / de um homem (que não tinha renda / porque não estava à venda) E. E. Cummings11. A desobediência é a virtude original do homem. Oscar Wilde12. O Estado mente em todas as línguas do bem e do mal; e, qualquer coisa que diga, mente ? e, qualquer coisa que possua, roubou-a. Friedrich Nietzsche13. Onde cessa o Estado, somente ali começa o homem que não é supérfluo. Friedrich Nietzsche14. Não em torno de novos barulhos; em torno dos inventores de novos valores, gira o mundo; gira inaudível. Friedrich Nietzsche15. Um exército vermelho deixa de ser uma máquina de guerra na medida em que se torna engrenagem mais ou menos determinante de um aparelho de Estado. Gilles Deleuze16. Organize uma greve em sua escola ou local de trabalho, com a justificativa de que não estão sendo satisfeitas suas necessidades de indolência & beleza espiritual. Hakim Bey17. Platão: ?Se adulasses Dionísio [tirano de Siracusa], não precisarias lavar verduras?. Diógenes: ?Se lavasses verduras, não precisarias adular Dionísio?.18. Você tem-me cavalgado, / seu safado! /Você tem-me cavalgado, / mas nem por isso me pôs / a pensar como você. / Que uma coisa pensa o cavalo; / outra quem está a montá-lo. Alexandre O?Neill

05 agosto 2005

O corpo nas novas bio-asceses

No texto Da ascese à bio-ascese ou do corpo submetido à submissão ao corpo, Francisco Ortega (2002) procura diferenciar as práticas de bio-ascese contemporâneas, entendidas como práticas de assujeitamento e disciplinamento, das práticas ascéticas da Antigüidade, como práticas de liberdade, e entendidas como "o conjunto mais ou menos coordenado de exercícios disponíveis, recomendados, e até mesmo obrigatórios, ou pelo menos utilizáveis pelos indivíduos em um sistema moral, filosófico e religioso, a fim de atingirem um objetivo espiritual definido". Entendendo, "por 'objetivo espiritual' uma certa mutação, uma certa transfiguração deles mesmos enquanto sujeitos, enquanto sujeitos de ação e enquanto sujeitos de conhecimentos verdadeiros" (FOUCAULT, 2004, p.505). Poderemos ver, aí, práticas que tem objetivos diferenciados e que, portanto, produzem modos de subjetivação diferenciados também.
Enquanto na ascese da Antigüidade as práticas de si tinham por função produzir singularidade, sujeitos resistentes às representações exteriores, constituindo-se como sujeitos éticos, podemos ver, no entanto, que as novas práticas de bio-ascese contemporâneas expressam o desejo de uniformização, adequação a esquemas e lógicas compostos, modos de existência em que aparece como prioridade a saúde e a perfeição corporal (ORTEGA, 2002). Como o mesmo autor afirma: "A idéia de uma ascese exclusivamente corporal, as bio-asceses contemporâneas, é completamente estranha para o pensamento antigo" (p.145).
As questões levantadas me leva a pensar sobre parte do corpus da minha pesquisa. Em comunidades do Orkut em que a temática central é "eu odeio" temos agregações como Eu odeio gordas, Eu odeio gordas que se acham, Eu odeio gordas mentirosas, entre outras. Vemos também, em outras seções, muitas outras comunidades em que as discussões giram em torno de si mesmo, como Eu me amo e sou correspondido, Além de tudo, sou bonito(a), Amo o corpo da Britney, Corpo perfeito, etc. associações que expressam, mais do que uma inquietação frente ao seu ser, uma preocupação com a aparência, com o corpo. Poderíamos, aqui, fazer uma contra-posição entre a dietética para os gregos - entendida como um "regime geral de existência do corpo e da alma", como "uma das formas capitais do cuidado de si" (FOUCAULT, 2004, p.74) - e os infinitos cuidados com o corpo de agora, em que trocamos, ao que parece, um cuidado de si como forma de relacionar-se e inquietar-se consigo mesmo para preocupações sobre ações individuais que giram em torno de como obter um corpo fisicamente melhor, como adiar a velhice e prolongar a juventude, etc. Como assinala Ortega: "Força, rigidez, juventude, longevidade, saúde, beleza são os novos critérios que avaliam o valor da pessoas e condicionam suas ações" (2002, p.157).
Nos atuais tempos, "já não é o corpo a base do cuidado de si; agora o eu só existe para cuidar do corpo, estando a seu serviço" (ibidem, p.167). As preocupações sobre o tornar-se outro de si mesmo, parecem gravitar, atualmente, em tornar-se outro na aparência, como já foi dito, já que pareço existir somente se admirada pelo olhar do outro - atitude que evidencia uma submissão ao corpo porque, ao que parece, dependemos dele para mostrar quem e como somos. Em meio ao culto ao corpo são adicionadas próteses de silicone aos peitos, são realizadas cirurgias nas barrigas, nádegas, panturrilhas, entre muitas outras coisas. Transformações que nos modificam na aparência, mas não do modo pelo qual estamos sendo sujeitos, no modo pelo qual estamos levando as nossas vidas...

REFERÊNCIAS

FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito. Trad.Márcio Alves da Fonseca, Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2004. 680p.
ORTEGA, Francisco. Da ascese à bio-ascese ou do corpo submetido à submissão ao corpo. In: RAGO, Margareth; ORLANDI, Luiz B. Lacerda; VEIGA-NETO, Alfredo (orgs.). Imagens de Foucault e Deleuze: ressonâncias nietzchianas. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

23 julho 2005

Ando pensando sobre a minha insegurança...

Trazendo o que já expus em outro blog meu...

Em muitos momentos me vejo "sitiada" pelo medo; me vejo "ilhada", com muitos caminhos possíveis pela frente mas sem saber que "rumo" tomar ou, ainda, ao ter decidido o tal rumo sem me ver possibilitada pela escolha (escolhida)... Ando pensado muito sobre isto. Talvez eu me veja menorizada e precise me justificar, mostrar incessantemente as minhas "defasagens, deficiências, falhas"... e, por isto mesmo, não me ache capacitada para assumir determinados compromissos, vencer certas batalhas. E este modo de eu me sentir, me ver e enunciar a mim mesma produz efeitos que voltam sobre mim: produzindo os modos de me enxergar e dos demais energarem a mim mesma. Como os demais verão a mim? Insegura, não capaz, em deficit, etc. Costumamos falar que não nos preocupamos com a opinião dos demais mas acho que isto realmente não passa de uma "balela", uma vez que vivemos em relação com as demais pessoas e não enterrados dentro dos pisos de nossas casas. Mas por que falar de mim neste espaço? Será devido um certo desejo narcísico de me mostrar, me narrar...? Eu já acho que meu desejo de falar de mim é para que eu possa, ao menos por breves instantes, me reconhecer, apreender em um pequeníssimo período de espaço-tempo o que estou sendo em alguns momentos, fotografados através destes flashes de escrita que vou criando... Afinal, será que cada um de nós não necessita se expor para que possa se ver de uma maneira diferente e, assim fazendo, poder lembrar, mesmo que um minuto depois, como foi e..., assim, ver o pequeno tempo que nos distancia do que fomos...?

Interessante...

Interessante para pensar em muitas questões o artigo abaixo (publicado no nominimo, escrito por Pedro Doria):

Num mundo em que a privacidade é relativa, blogs representam a auto-expressão, aquele momento em que os diários de meninas deixaram os cadeados que ostentaram até finais dos anos 80 para tornarem-se públicos. E jornais, bem, jornais são a coisa que conhecemos, o meio de expressão que circula pelas ruas do Ocidente diariamente há uns dois séculos. Quais os limites de um e de outro?

Leia mais

Depois comentarei...

15 julho 2005

Nunca mais... ou sobre um dos inevitáveis fatos da vida...

Nunca mais as manhãs serão as mesmas, nem as primaveras, os invernos, as tardes, as noites, enfim, os dias... a quem diga que nunca foram os mesmos. E eu acho que sim, que nunca foram os mesmos... mas também que cada pessoa que se despede desta terrena vida acaba levando um pouco da gente, tanto de nossas alegrias como de nossas mais profundas tristezas pois, se estamos num eternos constituir-se somos as soma de múltiplas e desconcertantes "almas".Cada dia de nossas vidas deveria ser marcado pela reflexão. Às vezes o desfalecimento do corpo, por exemplo, nos faz re-pensar os modos pelos quais estamos encaminhando as nossas vidas, o quanto a nossa experiência neste mundo está sendo singular, importante, alegre, "produtivo"... Nesta semana eu vivenciei isto, refleti sobre a vida, a despedida desta vida terrena, as dores... Viver nos proporciona o mergulho num mar de emoções.Mas o que "é", como pensar sobre a "morte"?Num dia desta semana, à noite, ao chegar em casa e começar a assistir um pouco de tv: vi uma entrevista no canal 40 em que uma mulher falava da despedida da sua mãe desta vida (vida conhecida pela gente). Ela dizia que a mãe dela sempre viu a morte como uma celebração. Sim, porque ela entendia que a vida não acaba com o desfalecimento do corpo, pois o que acontece (depende da crença de cada um) é uma passagem para algum outro lugar. Celebrar a morte, assim como as celebrações dos batizados, nascimentos, foi a saída encontrada por esta mulher para aceitar melhor este inevitável fato da vida. Achei esta visão bonita, poética. Mas... fácil é dizer, difícil sentir...No entanto, este é um tipo de construção que vamos criando e, também, internalizando para nos movimentarmos melhor com as perdas que, realmente, não são fáceis. Explicações que, mesmo sendo provisórias, ajudam a confortar a alma, às vezes tão necessitada.

07 julho 2005

03 provisórios pontos para inventar a felicidade aqui dentro ...

O que trago logo abaixo é de um blog que tenho e que agora quero desativar. Aí vai...

Ah, a felicidade... quem não a busca? Quem, algum dia, não imaginou que a tal felicidade está a nossa espera em algum lugar, em alguma esquina, cidade ou praça... esperando que a gente a encontre. Encontrar? Às vezes seguindo algum mapa, princípio... Eu já acho que não há regras e caminhos escritos de antemão para se encontrar a tal felicidade. Não sei nem mesmo se ela existe ou já existiu, se ela pode ser descoberta. Acho mesmo é que a tal felicidade pode ser criada, inventada e, talvez, perseguida por cada um que a está formulando. Eu, por exemplo, optei por destacar alguns pontos principais da minha invenção de felicidade. O que eu posso fazer por mim e pelo outro que me rodeia para me deixar mais feliz e satisfeita com a minha vida. Estes pontos, com certeza, não cabem a todos mas a mim, que procuro estar em paz comigo.

1. Não se preocupe em acumular riquezas materiais, o melhor que podemos fazer por nossas vidas é vivê-la com o máximo de plenitude e felicidade, experienciando cada momento de uma forma intensa!

2. Não se preocupe com o que poderão achar e pensar de você afinal, você tem os seus motivos para agir de tal forma, de ser de tal jeito. Seja você! Se você procura não magoar e maltratar as demais pessoas é isto que vale, é isto que conta.

3. Não se coloque acima do bem e do mal. Todas as pessoas tem defeitos, ninguém atingiu ou atingirá a perfeição, isto é uma ilusão. Por isto, procure se conhecer melhor. Isto não significa descobrir uma "verdade" única para ti mesmo, isto é uma ilusão, mas pensar o que você está fazendo da tua vida, como a está vivendo, o que está despertando em ti e nas demais pessoas. Resumindo: se ver com defeitos e qualidades, passível de errar e acertar e, por isto mesmo, passível também de se humanizar como pessoa, vendo que a vida pode ser melhor se nos relacionarmos melhor com a gente e com os outros que nos rodeiam.

06 julho 2005

Conversando sobre o corpo, sobre o que é o "eu" atualmente...

Ouvi de uma professora (posso dizer quem?), recentemente, o seguinte:

Eu estava com meu sobrinho lá em casa no fim-de-semana, e ele queria assistir a um filme que está em cartaz com a Angelina Jolie. Eu estava resistente, não tinha interesse em assistir esse filme. Olhem o que ele me falou: ? Mas tia, tu não quer ver a boca da Angelina Jolie? Eu perguntei o por que de alguém querer ver a boca dela e ele disse que é porque a boca dela é linda, que toda ela é linda. Aí eu perguntei se ele não se importa com o conteúdo também. Ele me respondeu bem assim: ? Ah, me importo tia, tanto que se uma mulher for linda e tiver halitose não dá, tia, não dá, ninguém agüenta, eu saio disparando!

O que era o conteúdo para esse rapaz? A halitose, esse era o "algo" que poderia haver "dentro" da referida mulher-atriz. Esse relato me fez pensar: O que é o si para esse sujeito e, conseqüentemente, qual é o "si" vendido na esfera social? A resposta parece ser óbvia, que muitas pessoas estão movimentando-se no mundo a partir de discursos verdadeiros que pregam um culto do "eu". Mas um eu que não pode ser "escavado", pois é um "eu" que fica na superfície, marcado como sendo o corpo. Esse "eu", visto dessa forma, vê os "outros" (e a si mesmos) como corpos em exibição, corpos que devem ser mostrados, transformados constantemente, recauchutados, qualificados... a partir do que é posto como sendo o "belo" e aceitável hoje.Assim, frente à recorrência com que o tema "corpo" vem sendo posto em evidência, tanto em conversas diárias, quanto nos próprios espaços midiáticos em que cada vez mais se fala sobre tal tema, vale a pena pensar sobre como e de que modos estamos nos relacionando uns com os outros e com os nossos corpos, relações que expressam modos singulares de "cuidado consigo" em nossa época. Considerando também que, nestes tempos, parece cada vez mais adquirir importância não mais os sentimentos e as formas das pessoas serem, "internamente", mas fundamentalmente o modo das pessoas serem "externamente". Ora, essa visibilidade anunciada, escancarada, evidencia que num mundo em que as imagens são cada vez mais centrais o corpo, como uma imagem a ser vista e apreciada, vem cada vez mais sendo consumido tendo por base os parâmetros de normalidade criados que, efetivamente, propõe diferentes práticas para o voltar-se sobre si mesmo.

04 julho 2005

E a pergunta que não podemos deixar calar é...

O texto do Mario Sergio Conti, no NoMínimo, fala de Jean-Paul Sartre a partir de uma exposição de comemoração de seu centenário de nascimento, realizada em Paris. Algumas coisas interessantes são trazidas, inclusive o que um ex-secretário do intelectual escreveu sobre esse último, num livro agora reeditado. Entre as várias coisas ditas, temos o seguinte: que Sartre gostava de escrever pelas manhãs, fazendo mínimas correções após. Isso evidencia que as facilidades que hoje experimentamos ao escrever um texto, como deletar parte de uma frase para substituí-la, ou mesmo modificar toda a ordem e estrutura do mesmo, eram coisas mais difíceis de realizar antes da invenção dos computadores... O pensamento saía, de certa maneira, já bem "redondinho", sem grandes necessidades de mudança. Creio que não só porque Sartre já tinha necessidade de fazer assim, para economizar tempo e energias em revisões, mas porque as condições que temos (e que Sartre tinha) nos atravessam, são carregadas conosco, mesmo quando estamos escrevendo...
Dentre as coisas que li nesse texto gostei, especialmente, do seguinte:

Saí satisfeito da Biblioteca e andei até o ponto de ônibus, para pegar o 89. Vim pensando que gostaria de ler um livro que analisasse as mudanças na escrita, nos jornais e nos livros, com o incremento tecnológico. Uma coisa é escrever à mão. Outra, em máquina de escrever. Outra, num computador. Talvez tenha ocorrido um distanciamento progressivo entre a atividade física e a mental no ato de escrever. A facilidade em reescrever, que aumentou, deve ter alguma influência no estilo dos que se dedicam ao ofício. Sartre escreveria um ensaio sobre o tema?

E acho que eu também gostaria de ler um livro que explorasse essas mudanças na escrita [talvez o livro "Os desafios da escrita", de Roger Chartier, fale um pouco sobre isso - ao menos foi o que eu achei, por acaso].

Outra coisa interessante nesse texto é ver o tempo que o Mario Sergio Conti dispensou consigo mesmo, nessa visita à exposição, e assim podemos pensar, o quão houveram transformações nele mesmo a partir dessa experiência. Sim, porque os nossos dias são, muitas vezes, extenuantes. Precisamos tentar "dar conta" de um monte de coisas através de prazos, escritas, leituras, cuidados com a casa, atenções à família, amigos, namorados... e, no meio desse mar de coisas a serem realizadas, qual atenção estamos dando à gente mesmo? O que estamos fazendo para o nosso "engrandecimento" enquanto ser-humano, pessoa, gente, reles mortais...? Essa é a pergunta que fica, e a pergunta que não podemos deixar calar todo o dia ao acordarmos...

03 julho 2005

Ah, tirei o dia para os poemas... e estou feliz com isso

Também gostei:

Eu não quero ensinar nada a ninguém. Não quero ser mestre nem me chamo Buda. Só quero provocar intelectualmente as pessoas criativas. Quero esmagar todas as convicções, especialmente as minhas. Em verdade, não quero muita coisa: só quero abraçar a metade do infinito, e fazer o sol nascer no céu da tua boca. Quero amar a Liberdade, saltar profundo, viver a Vida. Dançar abraçado a Nietzsche na corda bamba à beira do abismo. E sempre colocar meu coração no bom caminho - ou seja, no caminho da perdição gostosa e da alegria desgovernada.

De Edson Marques, no excelente blog Mude

Humanos em constante mutação

Acho bom a gente não ter medo de dizer e escrever bobagens. Eu, mesmo achando isso, muitas vezes me calo com medo de "errar"; medo de reconhecer que estou em processo de aprendizagem - processo que não se encerra nunca, pois na vida precisamos nos deixar levar pelo que nos atravessa...
Por isso, se achei bem idiotinha os versos que expus no post anterior, agora já me dou conta que tenho o direito de não conseguir, ao menos ainda, me expressar de uma forma bela através de um (pseudo)poema. Talvez as bobagens sirvam para isso mesmo, serem ditas, escritas ou pensadas (ou feitas!), para que possamos voltar a olhá-las, revê-las, e com isso nos apropriarmos melhor da idéia, que é simples: somos humanos em constante mutação.

Olhem que lindo, expressão linda do modo pelo qual, talvez, estejamos sendo humanos, hoje:


EU SEI MAS NÃO DEVIA
Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.

Nota: Este texto de Marina Colasanti (que foi grande amiga de Clarice) foi publicado em seu livro de mesmo nome (Eu sei, mas não devia - Ed. Rocco - Rio de Janeiro - 1996). Com este livro Marina conquistou um prêmio Jabuti.

Esse poema está exposto no POEMANDO.

Pseudo-poemas


Criação, invenção, extenuação, sofrimento, avesso do avesso de mim...
Pensamento, suspensão, inquietação, fazendo-me outra de mim...
Orgia... que é vida, prazer, gozo, morte, retorno, que é vida, prazer, gozo, morte, retorno...


Ah, caminhos que não "descubro" mais...
Calmaria, que não "sinto" mais...
Verdades, que não "acredito" mais...
Vidas, que expressam "ais"...
Viram-me do avesso, do avesso, e vêem um borrão.
Borrão que é a marca de um ponto de interrogação.
Expressão mais singela de uma existência em mutação.

Viviane Camozzato

Conversas no Orkut III

Victor respondeu o seguinte [na comunidade Pós-Moderno, do orkut]:

27/6/2005 14:48
e então, vamos por partes. em relação à sua pergunta: essa fragmentação é efeito de quê? a impressão que tenho é que lyotard busca responder essa pergunta em seu "a condição pós-moderna". de acordo com lyotard, a fragmentação é efeito, possivelmente, da deslegitimação do Discurso - quando ele discute com habermas a questão do consenso e chega à conclusão de que não há mais consenso. talvez seja possível pensar tal desconstrução do Discurso a partir de nietzsche e da morte de Deus? de qualquer forma, depois de nietzsche, a Verdade nunca mais foi a mesma - e essa possibilidade (a de não haver Verdade: de não haver Discurso), abriria espaço para o indivíduo se construir, se fazer, de maneiras diversas. daí a preocupação da filosofia contemporânea[?] em fugir da verdade, e não chegar até ela - uma preocupação poética, eu diria. acho sintomático quando baudrillard escreve um ensaio intitulado "esquecer foucault" dizendo, a grosso modo: foucault é bom demais p'ra ser verdade: é lógico demais p'ra ser verdade.e o que bauman propõe nesse ensaio é um pouco disso - li alguns ensaios daquele livro, depois cansei porque era muito sociológico e não me interessava no momento, mas lembro que ele dizia coisas que até então eu não tinha lido. a metáfora líquida pode ser esse não deixar-pegar de que falava. não lembro como ele trata a modernidade, mas lembro que ele faz alguns comentários polêmicos. tem umas distinções entre alta e baixa modernidade - no final das contas, acho que ele está falando em pós-modernidade mesmo. mas não posso falar muito desse livro. de qualquer forma, talvez seja uma leitura interessante pra v.acho interessante o que v. falou do orkut e quando falou das condições que possibilitam algo. de certa forma é o que foucault propõe em seus últimos trabalhos. a história da sexualidade não é uma história, como ele diz, sobre a sexualidade, propriamente, mas sobre a maneira pela qual o sujeito se constrói, as condições mesmo que estão presentes, e que o possibilitam a "ser" isso ou aquilo.

E ele continua:

27/6/2005 16:12
mas aí é que entra o que digo, e a importância do "homo ludens". quando v. pensa numa comunidade virtual, v. vai pensar uma relação que se configura a partir da ausência, a partir do desconhecimento (quase sempre), a partir do efêmero. e aí penso que seja interessante (talvez) pensar o caráter ficcional - talvez não seja "ficcional" a palavra. me refiro algo próximo do que baudrillard chama de simulacro. quero dizer: o sujeito que escreve numa comunidade do orkut não é o mesmo que se relaciona com a família, sei lá - se radicalizarmos, claro, o sujeito não é o mesmo em lugar nenhum: na escola é um, em casa é outro, no shopping é outro. mas de qualquer forma, penso que há algo num espaço ficcional que se distancia muito da vida real[?]. e esse algo talvez seja alguma coisa em torno da identidade. ou seja: a relação virtual é uma relação imersa - relação que, acredito, ainda não seja a não-virtual. por menos referências que temos, ainda temos um número civil, um endereço, e isso não pode ser simulado - é crime. quero dizer: talvez esse números, em si, não sejam importantes, mas a maneira como o sujeito age sabendo que carrega esses números talvez seja importante. na internete tudo isso pode ser simulado - acho muito engraçado, inclusive, um botão que tem no orkut chamado: usuário falso, denunciar (o que vai acontecer? processar o usuário falso? como vai ser provado que é falso?). quando v. diz, por exemplo, que existem comunidades dizendo: odeio gordas - seria interessante pesquisar para ver se existe odeio negros, ou odeio gays, porque nesse caso é crime. as pessoas que dizem coisas ali não diriam em espaços não-virtuais (tenho dificuldade para encontrar uma palavra que denomine o outro espaço: real? social?). eu não sei, viviane, são coisas que estou pensando aqui com v. e talvez sejam facilmente descontruídas. mas penso que seja interessante - necessário - não desconsiderar isso quando se fala em relações virtuais. em relação ao meu trabalho, deixe eu pensar um pouco mais. respondo outro dia. até porque estou cansado. um abraço grande.

Eu respondo o que segue a seguir:

E...
28/6/2005 16:58
Tb vejo que não o consenso não é possível, não é viável, e aí entra tb a questão do diálogo, que podemos ver não como uma solução possível, harmônica, mas como uma forma de inquietar-se consigo mesmo, de produzir-se de um modo diferente a partir da relação com o outro, ou com os outros. E se estabelecemos, cotidianamente, diálogos, vamos nos produzindo bem aos pedaços mesmo, como um mosaico em que a todo momento caem peças, e nunca conseguimos completá-lo com novas peças inteiramente, porque esse processo é veloz... isso é esse sujeito fragmentado, não inteiro, completo, nem sujeito de um único discurso. Bem, estou falando ao "léu", porque estou pensando nisso só agora, aqui... E vejo que logo acima falei em diálogos, mas nem sei mesmo se estabelecemos muitos diálogos hoje em dia, me parece que normalmente ficamos no nível da opinião, ou mesmo de afirmações, que já impossibilitam o diálogo, pois este último necessita da nossa abertura, enquanto sujeitos, para ouvirmos o que o outro nos diz. O diálogo necessita da ruminação, da mastigação demorada das palavras do outro, para que eu possa me tornar diferente com esse diálogo. E isso fico feliz que estejamos fazendo aqui, pois, de minha parte, as coisas que dizes me fazem pensar, refletir, e isso evidencia um diálogo. Bem, mas sei que há bastante discussões a respeito dessa temática, e um dia ainda conseguirei ler algumas...Talvez eu não tenha entendido muito bem o que tenhas colocado a respeito da desconstrução do discurso. Eu penso assim: quando se desconstrói alguma coisa, mostra-se como essa "coisa" foi inventada, construída. Então, desconstruir um discurso não é destruí-lo, mas mapear os processos de sua construção, que está datada e localizada nas condições da sua época. Eu, ao menos, creio que há verdades e discursos, diferenciados, conforme o lugar o qual somos falados e falamos. As verdades, então, como construídas, precisam passar por um processo de desconstrução, serem extraídos os seus fabricadores.

Continuo assim:

28/6/2005 17:02
Acho que o anúncio da morte de Deus, feito por Nietzsche, como relatas, declara a ruptura com o pensamento racional e Moderno que há muito nos assola e assolava. Isso porque a nossa ambição por uma "vontade de verdade", vontade de ter, descobrir e se apossar de um conhecimento verdadeiro, nos aprisiona, nos enjaula. Seríamos, assim, prisioneiros da metafísica e, portanto, da existência de um Deus ou algo "maior" que pairasse acima de nós. Com Nietzsche, então, aprendemos, que a verdade é desse mundo, construída pelos humanos e não algo do além, sempre existente... Aquele conceito nietzscheano de vontade de potência seria bem-vindo aqui, pena que eu não sei dizê-lo assim, de cabeça, mas talvez possa ser posto como uma vontade de poder que move os humanos e os fazem inventar verdades... sei lá. (ai, eu quero ler Nietzsche, mas como tentar "dar conta" de tudo?) Concordo contigo, se não paira mais nas nossas costas as sobredeterminações do divino, dos referenciais racionais, talvez aí possamos fazer da vida uma obra de arte, como assinala Foucault. É ir além do já banalizado, do dizer sim às coisas que até nós nos chegam, pois dizer não, ou mesmo talvez, nos possibilidade seguir outros caminhos. É também, algumas vezes, dizer sim, e aí deixar nos transformarmos em outros de nós mesmos. Em suma, ir além do instituído para nós. Creio que sintetizas bem o que estou querendo pesquisar, olha só: "de certa forma é o que foucault propõe em seus últimos trabalhos. a história da sexualidade não é uma história, como ele diz, sobre a sexualidade, propriamente, mas sobre a maneira pela qual o sujeito se constrói, as condições mesmo que estão presentes, e que o possibilitam a "ser" isso ou aquilo". E a minha pesquisa vai mesmo nos rastros do Foucault, ao menos tenta se aproximar... Acho que é bem isso, é um pouco tb do "como se chega a ser o que se é", de Nietzsche. Porque o que estamos sendo é possibilitado pelos significados culturais que estão nos constituindo, e tb dos modos com que reagimos a esses significados.

E ainda:

28/6/2005 17:04
Muito interessante as colocações que colocas a respeito da virtualidade. A minha orientadora fez a tese dela tratando sobre as identidades musicais juvenis nos chats da Internet, e ela fez uma discussão a respeito dos nicknames como marcadores identitários. Ela traz isso para mostrar o quanto na Internet os nicknames possibilitam a flutuação das identidades, uma vez que assim podemos nos tornar o que quisermos ser nesse momento. Não é raro, por exemplo, vermos pessoas em salas de bate-papo narrando a si mesmas através das características físicas socialmente mais valorizadas. Frente a pergunta: como vc é?, muitas vezes o que vemos é uma enumeração de características como: sou loira, alta, magra, olhos azuis ou verdes... Ao analisar o importante não é se aquilo é fictício ou não, mas mostrar que as identidades flutuam, e que podemos nos reinventar nesses espaços, coisa que não podemos fazer tão facilmente fora desses espaços, mesmo porque isso exigiria um enorme investimento financeiro, de tempo, etc. Esse espaço ficcional que dizes, vejo como a reinvenção de si mesmo, mesmo que reinvenção momentânea, efêmera, como colocas, reinvenção logo descartada, pois não se fica on line sempre... mas certamente há resquícios dessas identidades inventadas no plano "virtual" (tb não sei muito bem como nomear, isso é um problema...), assim como pode vir a ficar resquícios dos diálogos travados... Bah, eu não tinha pensado nesse botãozinho que há no Orkut, ele serve para a pessoa ir presa lá, parece. E isso é mesmo complicado, pois como falastes, como provar que tal pessoa é falsa, se ali é um espaço em que podemos ser quem quisermos (já vistes a quantidade de Luanas Piovanis que há, por exemplo? Aí tb a questão dos simulacros, pois não é o sujeito "em si" que está aí, mas a sua transformação em objeto, e por isso pode ser multiplicado...).

Mais isso:

28/6/2005 17:04
Há comunidades que pregam a homofobia, que dizem odiar travestis, gays... mas comunidades que dizem odiar negros eu praticamente não vi, não lembro bem, mas apenas uma com dois integrantes, acho. Bem, e essas discussões são importantes para a questão do pós-moderno porque vamos nos tornando sujeitos de determinados tempos. A questão de estarmos numa sociedade do espetáculo (tenho que ler o livro A sociedade do espetáculo, do Guy Debord, e tb alguns do Baudrillard, que tu falas, e que sei que devem ser bem interessante ? o que me indicas? - ! ), do prazer, do gozo, das visibilidades... nos fazem ser sujeitos de modos distintos, né? Um abração!

O Victor responde o seguinte:

respostinha
29/6/2005 07:32
"talvez seja possível pensar tal desconstrução do Discurso a partir de nietzsche e da morte de Deus?"essa é a minha pergunta ao qual se referes quando colocas a questão da descontrução, sim? tenho que concordar com v., viviane. "descontrução" foi uma palavra péssima. e talvez "Discurso" também. na verdade, acho que eu queria dizer: impossibilidade da verdade. ou seja: se não há mais Deus para legitimar algum tipo de discurso, não há mais Verdade. penso: se há várias verdades (com letra minúscula mesmo) é porque não há nenhuma Verdade. é mais ou menos isso que pensava.baudrillard. então, penso que baudrillard seja fundamental - embora muitas pessoas discordem de mim. ele tem alguns conceitos chave que passam por toda a sua obra. "simulacro", "fim do real", "a troca impossível", "tela total". o que ler? eu diria, lê tudo - eu diria, inclusive, para mim, que ainda não li tudo (bem, talvez nem a metade). como ler tudo é quase impossível, sugiro alguns: "à sombra das maiorias silenciosas: o fim do social e o surgimento das massas"; "a ilusão vital"; e a "transparência do mal". com esses três v. já se diverte um bocado.então, em relação às outras questões que colocas, tenho que pensar mais.

E, para finalizar, respondo:

29/6/2005 09:31
OI
Vou anotar estes títulos que vc me passou, do Baudrillard. Hoje, por um acaso, consegui emprestado o livro "Tela-total...", vou começar a ler em seguida, enquanto não consigo os outros... valeu!E acho que é isso mesmo, A verdade não é possível, porque se elas são construções, obedecem a arranjos específicos e podem ser contextualizadas, pois para duas pessoas as verdades são diferentes, porque creio que as pessoas precisam ter algumas... para as mover... mas o que muda é que vc não pode pensar que essa sua verdade seja única, porque há outras pessoas pensando diferentes, pessoas que estão âncoradas a outros arranjos e, portanto, outras verdades já construídas...

02 julho 2005

Conversas no Orkut II. (dando continuidade)

Frente as questões levantadas pelo Victor, exposta no post anterior, eu respondi:

26/6/2005 12:18
Pois é, eu vejo que na área da educação (falo mais amplamente tb, porque vejo assim mesmo...) somos herdeiros de uma longa tradição de profissionais que acreditavam (e ainda acreditam!) que o papel da educação é conscientizar os alunos, conduzir à emancipação, etc. Se pensarmos bem, ainda hoje esse é um dos discursos mais "oficiais" sobre a educação, basta ver a grande discursividade criada em torno da idéia de que é através, e parece que só pela, da educação que teremos um Brasil melhor, mais justo e igualitário. A mídia, o governo federal, as pessoas de um modo geral acreditam nessa idéia. Não posso dizer que "educar" e "educar-se" não fará diferença para a vida das pessoas, pelo contrário, numa sociedade letrada ser alfabetizado e letrado dotará de significados distintos esses sujeitos, que poderão adquirir outras coisas, ter acesso a outros bens... O problema é que se põe a responsabilidade sobre a educação e, conseqüentemente, a escola. Esse "papel" que seria da educação ? e vende-se a idéia, muitas vezes, que só dela ? inviabiliza, talvez, pensarmos na responsabilidade de outras instituições para melhorar a vida das pessoas e a maneira delas verem a si mesmas e o mundo que as cerca. Essa é uma tradição muito antiga... e é por isso tb que arrecém essas discussões estão "chegando" na área da educação. Aqui na Faculdade de Educação da UFRGS, por exemplo, faz uns 9, 10 anos que há um grupo de professores estudando o pós-moderno e seus temas e autores afins. Isso é pouco, porque nós, alunos, entramos e vemos uma enorme salada mista (nada contra a multiplicidade de modos de olhar, mas só para constar); então para nós esse é um tema atual.
Mas tb acho que ficar falando de alta e baixa cultura, por exemplo, é enfadonho demais, porque muito já foi dito, e parece até tentativas desesperadas de "encher lingüiça" quando leio textos em que vejo esse e outros argumentos, que até viraram jargões, serem evocados. Pensar no pós-moderno como uma condição creio que é interessante para pensarmos nos sujeitos que estão sendo produzidos dentro desse panorama, uma condição que atravessa existências as constituindo... e aí a fragmentação desses sujeitos, como apontastes, pois subjetivação, modos de subjetivação, traz a imagem de processos, de fluxos, de intensidades que vem e fogem tb... daí que trabalhando com o conceito foucaultiano de sujeito é preciso tentar da conta (essa é uma expressão complicada) das multiplicidades de flechas subjetivantes direcionadas aos sujeitos nesses tempos de condição pós-moderna. E essa é uma "tarefa", em si, complexa, pois qualquer tentativa de apreender no tempo e nos espaço esses sujeitos que estão sendo escapa pelas nossas mãos, flui, desliza, foge... Acho que seria produtivo pensar, então: quais os efeitos dessa fragmentação dos sujeitos? Ou: essa fragmentação é efeito do quê? Como, em que circunstâncias, de que modos, podemos ver essa fragmentação? Ah, gostei de tudo que escreveste, especialmente: "talvez seja somente uma condição, e temos que lidar com ela", [sobre a fragmentação e tb o pós-moderno]. Pois o pós-moderno está aí, talvez tenha vencido a "batalha", tenha saído vencedor, e precisamos saber disso. Mas quanto a isso tb tenho muitas dúvidas.
Não sei se vc já leu (eu ainda não!), mas já me falaram num livro do Zygmunt Bauman, intitulado Modernidade Líquida, em que esse autor falaria (foi o q me disseram!) sobre como o moderno está aí, presente, nos dias de hoje... Eu ainda quero ler esse livro para pensar mais a respeito dessas questões... Puxa, que grande e boa coincidência termos temas afins de pesquisa! Essa questão da ficção é interessante. Vc conhece o conceito de ciborg da Donna Haraway (ñ tenho certeza se é assim que se escreve, li um texto que falava disso...)? Acho que vai nesta direção que colocas, talvez. Eu tb preciso pensar mais a respeito, para mim essas discussões são muito novas, e o meu objeto de estudo está tão grande, quero falar de tantas coisas... preciso me centrar mais tb, para dar conta de estudar com mais profundidade... Sobre o "Homo Ludens", obrigada pela dica, vou colocar na minha listinha, parece interessante! Sobre a minha pesquisa, o que estamos fazendo de nós mesmos? (questão formulada por Nietzsche e retomada por Foucault, se não me engano) e, conseqüentemente, o que estamos fazendo com os outros?, pode ser considerada uma das questões centrais da minha pesquisa. Isso porque me interesso em pensar o tempo presente (e aí o interesse no pós-moderno tb...). Ainda estou olhando materiais e pensando se trabalho em cima de comunidades do orkut e alguns "habitantes dessa parte do ciberespaço", ou se trabalho em cima de narrativas selecionadas em blogs ou se em cima de ambos. Quero pensar nas condições de possibilidades para que determinadas coisas sejam ditas e pensadas sobre si mesmo e sobre os demais.
Vc já deve ter visto as VÁRIAS comunidades do orkut que versam sobre o tema "eu odeio"... e aí entra o fato de odiar várias coisas, algumas banais e outras não. É o caso de uma comunidade intitulada Eu odeio gordas, entre muitas outras do gênero. Quero pensar nas discursividades de nosso tempo que criam condições de possibilidade para que esse tipo de sentimento sobre o "outro", e sobre si tb (porque "o outro é necessário para a nossa fabricação") seja construído... Preciso pensar mais na questão da Internet, da cibercultura... para pensar no porquê da escolha desse "local". Talvez seja porque vejo a Internet, e aí dentro orkut e blogs, como um expressivo espaço para que as pessoas (ia escrever sujeitos, mas deves ter visto que falo MUITAS VEZES essa palavra, já é um vício!!!) possam expressar as suas coisas numa cultura em que se incita cada vez mais as pessoas a falarem, mas que não problematiza o "pensar"... Sobre o título no gerúndio vou pensar, gerúndio é complicado!!!! ??????????-) Vou pensar sim, obrigada! O último Foucault vai ser importante pra mim, sim, mas estou mais é engatinhando a respeito... mas iniciar a caminhar (e deixar de engatinhar) vai ser um prazer (e demoradooooooooooo), porque são leituras muito gostosas de fazer. Pode ser "útil" para vc tb? E aí, e sobre o seu trabalho? Repasso a bola: "sobre o que v. anda pensando?"
Abs, muito bom conversar contigo!
*da próxima vez escrevo menos, é que fiquei empolgada, desculpe!

01 julho 2005

Conversas no Orkut...

Pode-se fazer muitos e variados usos do Orkut. Um deles, a meu ver, é utilizar as comunidades do Orkut para interagir com as demais pessoas e, assim, aprender um pouco com elas também. Desse modo, os excertos que trago a seguir são conversas que estabeleci com o Victor, criador da comunidade que tem o nome de Pós-moderno.

O Victor iniciou um novo tópico assim:
28/4/2005 06:39
uma pergunta aos que estão chegando: quais seus interesses no pós-modernos?

Eu respondi:
16/6/2005 23:08OI
Puxa, faz um tempão que eu queria escrever algo nesta comunidade, mas o tempo presente se apresenta de um jeito... tão efêmero, veloz... rs, que fica difícil parar para contribuir de alguma maneira. Interessante a discussão de vcs... Eu me interesso pelo pós-moderno (eu já prefiro essa "denominação") porque estou pesquisando a constituição dos sujeitos jovens a partir da cibercultura. Bem, meu trabalho (estou preparando a proposta de dissertação pela Faculdade de Educação da UFRGS -entrei esse ano) tem o título provisório de "Inventando sujeitos. Diferenças e sensibilidades em tempos de cibercultura", e eu não saberia como pensar nesses sujeitos sem considerar a condição cultural a que estão (e nós tb) submetidos. Mais do que discutir as ditas características da condição pós-moderna, como descartabilidade, centralidade das mídias, efemeridade, descrença nas metanarrativas, compressão do tempo-espaço, entre outras, quero pensar no que o David Harvey citou no livro "Condição pós-moderna" na página 48, que é sobre a "estrutura dos sentimentos" no pós-moderno. Gilles Lipovetsky, por outro lado, fala em "emocionalidade pós-moderna", no livro Metamorfoses da cultura: ética, mídia e empresa. Trata-se, penso, de pensar nas formas dos sujeitos se relacionarem com consigo mesmos e com os demais...Bem, mas não acho as discussões sobre o pós-moderno ultrapassadas. Creio que isso pode variar conforme a área de atuação que somos oriundos. Eu, que venho da Educação, acho extremamente importantes essas discussões para fugirmos de alguns "ranços" advindos da chamada teoria crítica, que acredita da emancipação social, na conscientização adquirida através do "desencobrimento" das ideologias, etc. Esse tipo de análise sobre a educação é ainda predominante, infelizmente. (se tiverem alguma bibliografia para me indicar eu agradeço!)

O Victor de novo:
à viviane
19/6/2005 08:55
bem viviane, quando digo que o debate sobre pós-moderno morreu, me refiro ao fato de que algumas categorias, como alta cultura/baixa cultura, modernidade, História, Discurso, já estão superadas - pelo menos até onde sei: muito me impressiona saber que na educação ainda se trabalha com conceitos tradicionais. acredito que o debate a respeito do moderno/pós-moderno tenha sido feito na década de 60/70, talvez 80. qualquer discussão a esse respeito, como feita há uns meses no JB, na Folha, me parece anacrônica. quero dizer: se houve um vencedor nessa história toda, o vencedor foi o pós-moderno (enquanto condição, não enquanto positividade, ou seja, não enquanto saída - ou seja: penso que categorias do pós-moderno podem ser também problemáticas). um exemplo: quando se vai discutir subjetividade, penso que não há como fugir do debate a respeito da fragmentação do sujeito, e ao mesmo tempo o problema: até que ponto a fragmentação do sujeito é um valor positivo? talvez seja somente uma condição, e temos que lidar com ela. quando se discute cyberespaço (minha pesquisa é a literatura no cyberespaço, por coincidência) penso que seja interessante considerar sempre o caráter lúdico da construção de subjetividades. ou seja, o mundo cyber pode ser pensado, talvez com mais segurança, como ficção. "homo ludens" talvez seja um bom livro. aos poucos podemos conversar mais sobre isso. gostaria de aprender sobre isso também. fale sobre o que v. anda pensando? e outra coisa: não gosto muito de gerúndio no título (hehe!).

E ele complementa:
bibliografia
19/6/2005 09:59
acho que toda reflexão de foucault a respeito do cuidado de si, da construção de si, escrita de si, etc. (o último foucault) também pode ser importante. mas acho que v. já é boa leitora de foucault, pelo que vi num comentário seu em outra comunidade (a do foucault).


Quando falo em expressão, quero mostrar que a Internet possibilitou muito isso, pois como eu teria conversado com alguém de tão "longe" senão através da Internet e, nesse caso, do Orkut? Eu pude me expressar, ser interpelada e tocada pela fala do outro. E isso é muito legal, poder conhecer novas pessoas, novas idéias... para repensar o que estamos sendo, como estamos pensando, sentindo, vivendo nestes tempos.
P.S: 1. E as coversas seguiram, depois posto mais. 2. Para entrar no Orkut é preciso ser cadastrado. Se alguém quiser receber convite que diga!

29 junho 2005

Expressão de si na cultura... Como a escola trata isso?


Talvez nunca tenhamos sido tão incitados a falar de nós quanto atualmente. Principalmente desde a popular passagem das escritas de si nos diários de papel para as escritas de si nos blogs, escritas tornadas públicas; a constante aparição de anônimos e artistas que abrem suas histórias de vida na TV, revistas, sites...; as descrições de si e as constantes conversas e debates no orkut, por exemplo, onde vemos, assim como nos blogs, modos dos sujeitos mostrarem os singulares modos de cada um buscar narrar a si mesmo... Há, parece, um apelo cada vez maior para nos confessarmos, para buscarmos uma "verdade" sobre nós mesmos.
Frente a essa incitação na esfera social ao falar, e falar de modos e maneiras específicas, falar de si para si e para o "outro", podemos pensar: e como isso acontece no espaço escola? Bem, a primeira coisa a dizer, para me prevenir um pouco, talvez, seja que as experiências na escola ocorrem de muitas e diferentes maneiras, e que por isso não bastam generalizações. Entretanto, a grosso modo, talvez possamos dizer que nós, professores, ainda esperamos aqueles sujeitos-alunos calmos, tranqüilos, pacientes, que falam na hora certa e desejada... Mas como esperar isso nestes tempos em que, por exemplo, as empresas querem sujeitos articulados, que se posicionem, defendam idéias, em suma, apelos para a fala e opiniões aflorarem (esse é um discurso corrente...). Sem dúvida, creio que há também distinções entre o termo falar e se expressar, pois o que parece ocorrer mais na escola é a existência de espaços de fala, mas não de expressão, expressão de si mesmo, das suas coisas, do que agita o seu pensamento, porque o "falar" na escola está muito associado ao falar o que é esperado, desejado, válido...
Se esperamos o silêncio na escola (e não quero dizer que o silêncio não seja importante, ele é uma produtiva técnica de si...) , a calmaria, o quanto estamos sendo paradoxais, não? Lembro de uma experiência que vivenciei em uma sala de aula de primeira série. Nas observações que estava fazendo fui notando o quanto a professora não deixava os seus alunos se expressarem. Ela dava folhinhas para preencherem, ou passava exercícios de cartilhas para fazerem... mas também "gastava" muito do seu tempo chamando a atenção dos alunos para não conversarem, não correrem, não brigarem, enfim, chamando a atenção para aspectos comportamentais - quase todos os dias em que lá estive, por exemplo, a vice-diretora era chamada para auxiliar a professora, ela precisava ameaçar chamar o conselho tutelar para os alunos se acalmarem um pouco). Num dos dias em que lá estava a professora estava lendo um livrinho sobre os deveres (era um aspecto bem comportamental mesmo) das crianças, e as crianças bem desisnteressadas, distraídas, conversando muito (elas querem trabalhar com as coisas da sua cultura, essa é uma das questões)... No meio da história a professora foi chamada para ir conversar com uma mãe e pediu para eu continuar lendo a história para eles. Bem, g-e-l-e-i, porque estava vendo que aquilo ali não estava tendo efeito algum. E, assim mesmo, comecei a ler a história até que tentei fazer uma dinâmica um pouquinho diferente, queria que eles lessem, em duplas, trios, comigo, para que eles tivessem oportunidade de falar algo significativo, e eles adoraram... não posso dizer que ficaram quietinhos, calminhos, mas todos queriam participar, e queriam ouvir os colegas... Creio que isso pode não ser a expressão de si mesmo, mas no contexto referido, em que até o dar uma opinião não era possível (devido mesmo à dinãmica de trabalho...), dar a palavra, delegar o falar a outrem foi super produtivo.
A imagem que selecionei mostra uma boca fechada, mas se notarem, os olhos não estão indo em direção à câmera fotográfica, pois os olhos fogem. E, devido a isso, podem ser vistos como um meio de "fuga", um meio de expressar a subversão ao que estão querendo fazer com a gente...

Fica a inquietação: a escola nos deixa expôr o que sentimos, pensamos, amamos, queremos...? Quais os espaços de expressão que estamos tendo? Como pensar em transformações que aproximem mais a escola de seus sujeitos?

*Não posso deixar de agradecer a Suzana, que postou uma mensagem detalhada no seu blog sobre como inserir imagens em blogs usando o Flick. Só assim consegui colocar essa imagem! Obrigada!

20 abril 2005

Sobre o ato de pensar II. Na pesquisa.

Reitero, aqui, a vontade de adquirir um pensamento nômade e, por isso, em constante reestruturação. Pensamento que, aliás, nunca está satisfeito pelo que acha que sabe e que, por isto, desconfia destes mesmos saberes, os problematiza, reinventa, os suspende, desconfia deles. Por certo, quero fazer estes movimentos no mestrado, me deixar aventurar pelas inquietações e incertezas de não estar querendo construir uma pesquisa linear, mas sim em pedaços (que depois poderão vir a ser costurados); esses descaminhos são sofridos, desgastantes, extenuantes porque buscam um repensar cotidiano sobre o próprio ato de pensar.
Por certo, não tenho caminhos prontos, nem respostas prontas, mas indagações que teimam em me perseguir, em me fazer escrava da angustiante incerteza...

15 abril 2005

Sobre o ato de pensar

"Mas o que é o filosofar hoje em dia - quero dizer, a atividade filosófica - se não o trabalho crítico do pensamento sobre o próprio pensamento? Se não consistir em tentar saber de que maneira e até onde seria possível pensar diferentemente em vez de legitimar o que já se sabe?" (Foucault apud Gros, 2004, p.615)

Referência
GROS, Frédéric. Situação do curso. In:Foucault, Michel. A hermenêutica do sujeito. São paulo: Martins Fontes, 2004.

Seminários que estou cursando...

Seminários que estou cursando neste meu início de mestrado. Acho que estou fazendo muita coisa, mas nos próximos semestres vou estar mais "livre" para poder me centrar mais nas leituras que preciso realizar "por fora" dos seminários (leituras que já estou realizando). Por que trago isto aqui? Porque acho importante ter arquivado todos os tipos de movimentos que estou fazendo.

Segundas pela manhã
PPE - Ferramentas teórico-metodológicas de pesquisa nos estudos culturais, com a Profa. Elisabete Garbin (minha orientadora).
Segundas (13h30min às 17h 30min)
S.A - Identidades juvenis em territórios culturais contemporâneos, com a Profa. Elisabete Maria Garbin.
Segundas (17h 30min às 20h)
S.A - Introdução aos estudos culturais em educação, com a Profa. Maria Lúcia C. Wortmann e os seguintes colaboradores: Professores Alfredo Veiga-Neto, Iole F. Trindade, Nádia G. de Souza, Rosa M. Hessel Silveira, Marisa Vorraber Costa.
Terças (14h às 17h 30min)
S.A - Michel Foucault e a hermenêutica do sujeito, com a Profa. Rosa Maria Bueno Fischer.
Quartas (8h 30min às 12h)
S.A - Narrativas e diferenças, com a Profa. Rosa Maria Hessel Silveira.
*na semana que vem quero começar a postar as coisas que estou tentando articular com o meu tema de pesquisa.

14 abril 2005

livroselivroselivros... para l e r

Tenho MUITOS livros para ler e pensar sobre, entre eles:

ELIAS, Norbert e SCOTSON, John L.:Os estabelecidos e os Outsiders. Sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade. Rio de Janeiro, Zahar 2000. (Sugestão da Suzana)
LEMOS, André e PALÁCIOS, Marcos (Orgs.). As janelas de ciberespaço. Porto Alegre: Sulina, 2001.
LEMOS, André. Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Porto Alegre: Sulina, 2002.
LEMOS, André e CUNHA, Paulo (orgs.). Olhares sobre a cibercultura. Porto Alegre: Sulinas, 2003.
TURKLE, Sherry. A vida no ecrã: identidade na era da Internet. Lisboa, Relógio D?Água, 1995.

13 abril 2005

Experiências modificadoras!

Bem, já faz algum tempo que venho pensando... e como tudo começou? Como passei a me interessar pelo meu tema de pesquisa?
1°) Fui bolsista de iniciação científica por três anos e, nesse meio-tempo, aprendi muitas coisas interessantes, porque esta modalidade de bolsa proporciona isso: a formação de novos pesquisadores. Por tudo isso, tenho muito a agradecer por ter tido esta oportunidade.

2°) Mas... (e isso é outra coisa) uma das experiências mais marcantes que tive foi ter podido participar, como um dos sujeitos, da pesquisa Mapeando caminhos de autoria e autonomia: a inserção das tecnologias educacionais informatizadas no trabalho de educadores que cooperam em comunidades de pesquisadores, que se configurou como a dissertação de mestrado da Suzana de Souza Gutiérrez. A Suzana tb tinha um Diário de Bordo, que era o blog de pesquisa dela. "Descrição: projeto de pesquisa sobre a inserção das TEI no trabalho de educadores em comunidades de pesquisadores. Utiliza os weblogs , como ambiente principal de interação, por considerar que este formato de publicação na rede mundial de computadores apresenta características que o tornam um suporte ideal para o desenvolvimento de processos cooperativos com autoria e autonomia. É parte do projeto de dissertação de mestrado da autora.", excerto retirado do Projeto Zapt "O [zaptlogs] é um projeto de pesquisa vinculado ao Projeto Zapt do TRAMSE/UFRGS. Tem como objetivo a formação de uma comunidade de pesquisadores onde a inserção das tecnologias educacionais informatizadas no trabalho dos educadores ocorre de forma crítica e com ênfase na autoria e na autonomia", excerto retirado do blog coletivo da pesquisa da Suzana, que era o [zaptlogs]. Bem, não vou explicar como funcionava exatamente, mesmo porque a Dissertação está disponível na biblioteca digital da UFRGS (é só clicar no link anterior e fazer a busca, pelo nome da autora ou pelo título do trabalho). Bem, mas este post é para mostrar que as coisas que vão nos acontecendo no dia-a-dia vão nos fazendo seguir por determinados caminhos...
Até o início do projeto da Suzana eu pretendia analisar os discursos sobre a educação de jovens e adultos para pensar nos modos de estar sendo sujeito-aluno que estes discursos fabricavam, analisando, tb, as falas das professoras, dos alunos, etc. Um trabalho super importante de ser feito, sem dúvida. Como professora, e por ter trabalhado com EJA, esse é um assunto que me motiva e encanta muito; um tema politicamente muito importante de ser trabalhado. No entanto, ao ver a importância do virtual em nossas vidas, a centralidade destes meios para algumas pessoas, ao passar a achar estas discussões super interessantes de serem pesquisadas (modo de ver para a Internet aprendido durante o projeto, que nos desafiava a todo instante a nos relacionarmos com este "bicho papão" que, muitos de nós, consideramos que é a Internet e seus meios). O envolvimento nesta pesquisa, e as ricas discussões que a Suzana a todo instante levantava, assim como o acompanhamento dos blogs em que ela comentava temas (e ela fazia isso muito bem, pois é inteligente e escreve MUITO BEM)... é que foi o impulsionador para que eu passasse a me interessar pela cibercultura (tenho que ler sobre: cibercultura, virtualidades... as diferenças entre os conceitos, etc).
Por que disse tudo isso? Porque é uma maneira de agradecer por ter chegado até aqui. É preciso refletir sobre o que, e como, estamos sendo hoje... mas sabendo que somos a intersecção de diversos pontos de passagem que se cruzam mutuamente... Pontos que nos fazem "ser" sujeito de modos específicos e ao mesmo tempo singulares.
Por tudo isso, O-B-R-I-G-A-D-A à Suzana e a todo o grupo da pesquisa!!!