19 junho 2006
Relações: com o outro e com a gente

Quais os limites entre eu e o outro? O que podemos em contato com esse outro?
Enrique Pinti, em Vivir y dejar vivir, expõe de um modo muito interessante a abertura necessária para que deixemos o outro viver. Afinal, uma crença levada a sério a muitos de nós é que nossos aconselhamentos, sugestões, experiências... sirvam para que cada um viva - seguindo, assim, esses supostos 'manuais' de vida.
O que o Enrique evidencia é o quanto cada experiência é mesmo única e singular e, portanto, nos liberamos da pretensão de universalizar os nossos posicionamentos, mesmo que na 'maior das boas intenções', como muitas vezes acontece com conselhos.
Ele inicia o texto assim:
Uno de los errores más groseros en los que solemos caer los seres humanos es la creencia de que lo que sirve para mí debe servir para los demás, y de que cuando hemos encontrado una manera adecuada y armoniosa de vivir tenemos el deber moral de romper la paciencia de nuestros semejantes con el discurso proselitista de nuestros logros y el consejo machacante de que el nuestro es el mejor camino para seguir.
Ps.: imagem em Geocities
12 junho 2006
Manifestações estudantis no Chile
A manifestação nacional de alunos secundaristas no Chile vem contribuir para pensarmos o quanto as descrições dos jovens como 'alienados', 'individualistas', 'consumistas', etc., etc., não dão conta da multiplicidade de posicionamentos que os jovens adotam.
O que muda, ou melhor, o que sofre modificações - ancorando-se ora no 'antigo', ora no 'novo' - são as formas de manifestar e, ainda, as 'causas' a que cada um se filia. Os jovens, como sujeitos deste tempo e espaço, expressam lutas que gravitam em torno do que é posto como problemático e urgente no presente.
A fala de Bachelet no terra chileno vem a calhar agora: "Qué bueno que tengan opinión, hace años atrás todos decíamos que los jóvenes no estaban ni ahí, y hoy día lo que están demostrando es que tienen diagnóstico sobre el tema de la educación".
Isso pode contribuir para que velhos idealistas do passado, alarmando a 'indiferença' dos jovens do presente, através de comparações com as juventudes de décadas passadas, lancem olhares menos moralizantes aos que coabitam o mundo com eles!
Para uma leitura aprofundada sobre essa manifestação ver La marcha de los estudiantes
Importante, ainda, visitar blogs e fotologs que contam minúcias do movimento, relatado por pessoas que estão por dentro disto tudo.
Nesse sentido, blogs, fotologs... e outras ferramentas de informação e comunicação vem a desempenhar um importante papel político ao contribuir para a disseminação de visões de mundo, fazendo circular histórias através de pontos de vista tão diferenciados. Essas ferramentas vem a se somar aos outros modos de manifestar-se, portanto, uma coabitando e dependendo da outra para intervenções mais eficazes.
* Post inspirado em Jornalismo digital
O que muda, ou melhor, o que sofre modificações - ancorando-se ora no 'antigo', ora no 'novo' - são as formas de manifestar e, ainda, as 'causas' a que cada um se filia. Os jovens, como sujeitos deste tempo e espaço, expressam lutas que gravitam em torno do que é posto como problemático e urgente no presente.
A fala de Bachelet no terra chileno vem a calhar agora: "Qué bueno que tengan opinión, hace años atrás todos decíamos que los jóvenes no estaban ni ahí, y hoy día lo que están demostrando es que tienen diagnóstico sobre el tema de la educación".
Isso pode contribuir para que velhos idealistas do passado, alarmando a 'indiferença' dos jovens do presente, através de comparações com as juventudes de décadas passadas, lancem olhares menos moralizantes aos que coabitam o mundo com eles!
Para uma leitura aprofundada sobre essa manifestação ver La marcha de los estudiantes
Importante, ainda, visitar blogs e fotologs que contam minúcias do movimento, relatado por pessoas que estão por dentro disto tudo.
Nesse sentido, blogs, fotologs... e outras ferramentas de informação e comunicação vem a desempenhar um importante papel político ao contribuir para a disseminação de visões de mundo, fazendo circular histórias através de pontos de vista tão diferenciados. Essas ferramentas vem a se somar aos outros modos de manifestar-se, portanto, uma coabitando e dependendo da outra para intervenções mais eficazes.
* Post inspirado em Jornalismo digital
05 junho 2006
Matérias sobre bullying
1) Quando o apelido vira agressão na escola
DANIELA TÓFOLI
da Folha de S.Paulo
Quando a criança que sempre gostou de ir à escola começa a fazer birra e a inventar desculpas para faltar, pode ser manha, necessidade de descanso extra ou algum problema com os professores. Ou pode estar cansada de sofrer perseguições dos colegas, que vão desde a colocação de apelidos até o roubo de lanche na hora do recreio.
Essa agressão moral, o bullying, praticada por crianças e jovens, já atinge 45% dos estudantes de ensino fundamental do país, seja como agressor, vítima ou em ambas as posições. Os dados são do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar, que acompanha pesquisas em ao menos oito cidades do país, como Maceió e Belo Horizonte.
Em São José do Rio Preto (SP), o estudo já terminou e revelou que, dos 2.000 entrevistados, 49% estavam envolvidos com a prática --22% eram vítimas, 15% agressores, e 12%, vítimas agressoras.
Os números batem com estatísticas internacionais e, pela primeira vez, traçam um perfil. Tímidas, com alguma característica física ou comportamental marcante (como obesidade ou baixa estatura), as vítimas têm, em média, 11 anos. São meninos e meninas com poucos amigos, que não reagem contra o que lhes desagrada.
Já os agressores têm entre 13 e 14 anos e gostam de mostrar poder. Por isso, costumam ser líderes de seus colegas e, em muitos casos, foram mimados pelos pais. A maioria é formada por meninos (60%). "Mas as meninas são mais cruéis. Tramam fofocas e intrigas para excluir colegas", diz Cleo Fante, coordenadora do centro e organizadora do 1º Fórum Brasileiro sobre Bullying Escolar, realizado neste sábado, em Brasília.
Diferenciar um apelido ou brincadeira que não passa de farra de criança de uma maldade característica de bullying é o desafio de pais e educadores. "Se uma criança ganha um apelido de que não gosta muito mas o encara sem traumas, não há porque se preocupar", diz o coordenador do Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência, Aramis Lopes. "Mas se ela muda seu comportamento, reclama para ir à escola, se isola no recreio e deixa de ser convidada para atividades, é preciso intervir. Para começar, uma boa conversa."
continua...
2) Adolescentes usam internet para humilhar colegas
da Folha de S.Paulo
A internet tornou-se uma grande aliada do bullying (termo que pode ser traduzido como "intimidação"), através de blogs que são criados para azucrinar a vida de um colega, de fofocas em conversas por programas de mensagens instantâneas e até mesmo no Orkut, que acaba excluindo alguns estudantes, já que é preciso ser convidado para entrar na rede de relacionamentos e os "amigos" podem aprovar ou não a sua amizade.
É o que percebeu a pedagoga Cleo Fante, autora do livro "Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz" (Versus Editora) e pesquisadora desse tipo de comportamento.
"O cyberbullying é o novo tipo de bullying nas escolas. Ferramentas disponíveis na internet auxiliam na propagação desse comportamento, uma vez que as vítimas recebem os maus-tratos, seja através de ridicularizações, ameaças, chantagens, discriminações, etc., de forma anônima, o que é pior, uma vez que se desconhece o agressor", explica Cleo Fante.
Segundo a pesquisadora, está se tornando comum vítimas de bullying se depararem com fotografias, que são tiradas sem a autorização dos fotografados, espalhadas pela rede, com piadinhas, gozações e até ameaças.
"Dessa forma, o bullying é uma dinâmica expansiva que envolve um número cada vez maior de alunos", explica a pedagoga.
3) Violência moral pode levar jovem a reações extremadas
A violência moral já é objeto de preocupação de países europeus. Na maioria deles, há normas do Ministério da Educação que obrigam a escola a evitar esses atos. O termo mais usado para definir esse problema é "bullying", que em inglês pode significar tirania, ameaça ou intimidação.
No Brasil, ainda não há uma palavra consensual. O termo violência moral é adaptação do francês assédio moral, mas há quem defenda outros. "Não há ainda uma palavra no Brasil que defina o "bullying". Em geral, são situações de maus-tratos, opressão e humilhação que acontecem entre as crianças", explica Lauro Monteiro Filho, presidente da Abrapia.
O "bullying" resume situações em que o aluno é, com frequência, ameaçado, extorquido, insultado, excluído ou simplesmente apelidado com algum nome preconceituoso ou que não goste.
continua...
4) Violência entre menores aumenta no Reino Unido
O assassinato há uma semana, no Reino Unido, de um menino de dez anos que voltava do colégio, reativou o debate sobre a violência entre menores. As associações de defesa da infância dizem que não há dúvidas de que a violência entre menores aumentou e adquiriu uma amplitude preocupante.
Em seu primeiro informe anual, a entidade Childline havia assinalado que, em 1999, 22.232 crianças angustiadas tinham se queixado a seus professores e parentes de que eram vítimas de "bulying" (termo que inclui agressões físicas, insultos e atos vexatórios) por parte de outros estudantes. A entidade advertiu que "alguns desses menores chegam inclusive a pensar em suicídio".
continua...
DANIELA TÓFOLI
da Folha de S.Paulo
Quando a criança que sempre gostou de ir à escola começa a fazer birra e a inventar desculpas para faltar, pode ser manha, necessidade de descanso extra ou algum problema com os professores. Ou pode estar cansada de sofrer perseguições dos colegas, que vão desde a colocação de apelidos até o roubo de lanche na hora do recreio.
Essa agressão moral, o bullying, praticada por crianças e jovens, já atinge 45% dos estudantes de ensino fundamental do país, seja como agressor, vítima ou em ambas as posições. Os dados são do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar, que acompanha pesquisas em ao menos oito cidades do país, como Maceió e Belo Horizonte.
Em São José do Rio Preto (SP), o estudo já terminou e revelou que, dos 2.000 entrevistados, 49% estavam envolvidos com a prática --22% eram vítimas, 15% agressores, e 12%, vítimas agressoras.
Os números batem com estatísticas internacionais e, pela primeira vez, traçam um perfil. Tímidas, com alguma característica física ou comportamental marcante (como obesidade ou baixa estatura), as vítimas têm, em média, 11 anos. São meninos e meninas com poucos amigos, que não reagem contra o que lhes desagrada.
Já os agressores têm entre 13 e 14 anos e gostam de mostrar poder. Por isso, costumam ser líderes de seus colegas e, em muitos casos, foram mimados pelos pais. A maioria é formada por meninos (60%). "Mas as meninas são mais cruéis. Tramam fofocas e intrigas para excluir colegas", diz Cleo Fante, coordenadora do centro e organizadora do 1º Fórum Brasileiro sobre Bullying Escolar, realizado neste sábado, em Brasília.
Diferenciar um apelido ou brincadeira que não passa de farra de criança de uma maldade característica de bullying é o desafio de pais e educadores. "Se uma criança ganha um apelido de que não gosta muito mas o encara sem traumas, não há porque se preocupar", diz o coordenador do Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência, Aramis Lopes. "Mas se ela muda seu comportamento, reclama para ir à escola, se isola no recreio e deixa de ser convidada para atividades, é preciso intervir. Para começar, uma boa conversa."
continua...
2) Adolescentes usam internet para humilhar colegas
da Folha de S.Paulo
A internet tornou-se uma grande aliada do bullying (termo que pode ser traduzido como "intimidação"), através de blogs que são criados para azucrinar a vida de um colega, de fofocas em conversas por programas de mensagens instantâneas e até mesmo no Orkut, que acaba excluindo alguns estudantes, já que é preciso ser convidado para entrar na rede de relacionamentos e os "amigos" podem aprovar ou não a sua amizade.
É o que percebeu a pedagoga Cleo Fante, autora do livro "Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz" (Versus Editora) e pesquisadora desse tipo de comportamento.
"O cyberbullying é o novo tipo de bullying nas escolas. Ferramentas disponíveis na internet auxiliam na propagação desse comportamento, uma vez que as vítimas recebem os maus-tratos, seja através de ridicularizações, ameaças, chantagens, discriminações, etc., de forma anônima, o que é pior, uma vez que se desconhece o agressor", explica Cleo Fante.
Segundo a pesquisadora, está se tornando comum vítimas de bullying se depararem com fotografias, que são tiradas sem a autorização dos fotografados, espalhadas pela rede, com piadinhas, gozações e até ameaças.
"Dessa forma, o bullying é uma dinâmica expansiva que envolve um número cada vez maior de alunos", explica a pedagoga.
3) Violência moral pode levar jovem a reações extremadas
A violência moral já é objeto de preocupação de países europeus. Na maioria deles, há normas do Ministério da Educação que obrigam a escola a evitar esses atos. O termo mais usado para definir esse problema é "bullying", que em inglês pode significar tirania, ameaça ou intimidação.
No Brasil, ainda não há uma palavra consensual. O termo violência moral é adaptação do francês assédio moral, mas há quem defenda outros. "Não há ainda uma palavra no Brasil que defina o "bullying". Em geral, são situações de maus-tratos, opressão e humilhação que acontecem entre as crianças", explica Lauro Monteiro Filho, presidente da Abrapia.
O "bullying" resume situações em que o aluno é, com frequência, ameaçado, extorquido, insultado, excluído ou simplesmente apelidado com algum nome preconceituoso ou que não goste.
continua...
4) Violência entre menores aumenta no Reino Unido
O assassinato há uma semana, no Reino Unido, de um menino de dez anos que voltava do colégio, reativou o debate sobre a violência entre menores. As associações de defesa da infância dizem que não há dúvidas de que a violência entre menores aumentou e adquiriu uma amplitude preocupante.
Em seu primeiro informe anual, a entidade Childline havia assinalado que, em 1999, 22.232 crianças angustiadas tinham se queixado a seus professores e parentes de que eram vítimas de "bulying" (termo que inclui agressões físicas, insultos e atos vexatórios) por parte de outros estudantes. A entidade advertiu que "alguns desses menores chegam inclusive a pensar em suicídio".
continua...
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