23 julho 2005

Ando pensando sobre a minha insegurança...

Trazendo o que já expus em outro blog meu...

Em muitos momentos me vejo "sitiada" pelo medo; me vejo "ilhada", com muitos caminhos possíveis pela frente mas sem saber que "rumo" tomar ou, ainda, ao ter decidido o tal rumo sem me ver possibilitada pela escolha (escolhida)... Ando pensado muito sobre isto. Talvez eu me veja menorizada e precise me justificar, mostrar incessantemente as minhas "defasagens, deficiências, falhas"... e, por isto mesmo, não me ache capacitada para assumir determinados compromissos, vencer certas batalhas. E este modo de eu me sentir, me ver e enunciar a mim mesma produz efeitos que voltam sobre mim: produzindo os modos de me enxergar e dos demais energarem a mim mesma. Como os demais verão a mim? Insegura, não capaz, em deficit, etc. Costumamos falar que não nos preocupamos com a opinião dos demais mas acho que isto realmente não passa de uma "balela", uma vez que vivemos em relação com as demais pessoas e não enterrados dentro dos pisos de nossas casas. Mas por que falar de mim neste espaço? Será devido um certo desejo narcísico de me mostrar, me narrar...? Eu já acho que meu desejo de falar de mim é para que eu possa, ao menos por breves instantes, me reconhecer, apreender em um pequeníssimo período de espaço-tempo o que estou sendo em alguns momentos, fotografados através destes flashes de escrita que vou criando... Afinal, será que cada um de nós não necessita se expor para que possa se ver de uma maneira diferente e, assim fazendo, poder lembrar, mesmo que um minuto depois, como foi e..., assim, ver o pequeno tempo que nos distancia do que fomos...?

Interessante...

Interessante para pensar em muitas questões o artigo abaixo (publicado no nominimo, escrito por Pedro Doria):

Num mundo em que a privacidade é relativa, blogs representam a auto-expressão, aquele momento em que os diários de meninas deixaram os cadeados que ostentaram até finais dos anos 80 para tornarem-se públicos. E jornais, bem, jornais são a coisa que conhecemos, o meio de expressão que circula pelas ruas do Ocidente diariamente há uns dois séculos. Quais os limites de um e de outro?

Leia mais

Depois comentarei...

15 julho 2005

Nunca mais... ou sobre um dos inevitáveis fatos da vida...

Nunca mais as manhãs serão as mesmas, nem as primaveras, os invernos, as tardes, as noites, enfim, os dias... a quem diga que nunca foram os mesmos. E eu acho que sim, que nunca foram os mesmos... mas também que cada pessoa que se despede desta terrena vida acaba levando um pouco da gente, tanto de nossas alegrias como de nossas mais profundas tristezas pois, se estamos num eternos constituir-se somos as soma de múltiplas e desconcertantes "almas".Cada dia de nossas vidas deveria ser marcado pela reflexão. Às vezes o desfalecimento do corpo, por exemplo, nos faz re-pensar os modos pelos quais estamos encaminhando as nossas vidas, o quanto a nossa experiência neste mundo está sendo singular, importante, alegre, "produtivo"... Nesta semana eu vivenciei isto, refleti sobre a vida, a despedida desta vida terrena, as dores... Viver nos proporciona o mergulho num mar de emoções.Mas o que "é", como pensar sobre a "morte"?Num dia desta semana, à noite, ao chegar em casa e começar a assistir um pouco de tv: vi uma entrevista no canal 40 em que uma mulher falava da despedida da sua mãe desta vida (vida conhecida pela gente). Ela dizia que a mãe dela sempre viu a morte como uma celebração. Sim, porque ela entendia que a vida não acaba com o desfalecimento do corpo, pois o que acontece (depende da crença de cada um) é uma passagem para algum outro lugar. Celebrar a morte, assim como as celebrações dos batizados, nascimentos, foi a saída encontrada por esta mulher para aceitar melhor este inevitável fato da vida. Achei esta visão bonita, poética. Mas... fácil é dizer, difícil sentir...No entanto, este é um tipo de construção que vamos criando e, também, internalizando para nos movimentarmos melhor com as perdas que, realmente, não são fáceis. Explicações que, mesmo sendo provisórias, ajudam a confortar a alma, às vezes tão necessitada.

07 julho 2005

03 provisórios pontos para inventar a felicidade aqui dentro ...

O que trago logo abaixo é de um blog que tenho e que agora quero desativar. Aí vai...

Ah, a felicidade... quem não a busca? Quem, algum dia, não imaginou que a tal felicidade está a nossa espera em algum lugar, em alguma esquina, cidade ou praça... esperando que a gente a encontre. Encontrar? Às vezes seguindo algum mapa, princípio... Eu já acho que não há regras e caminhos escritos de antemão para se encontrar a tal felicidade. Não sei nem mesmo se ela existe ou já existiu, se ela pode ser descoberta. Acho mesmo é que a tal felicidade pode ser criada, inventada e, talvez, perseguida por cada um que a está formulando. Eu, por exemplo, optei por destacar alguns pontos principais da minha invenção de felicidade. O que eu posso fazer por mim e pelo outro que me rodeia para me deixar mais feliz e satisfeita com a minha vida. Estes pontos, com certeza, não cabem a todos mas a mim, que procuro estar em paz comigo.

1. Não se preocupe em acumular riquezas materiais, o melhor que podemos fazer por nossas vidas é vivê-la com o máximo de plenitude e felicidade, experienciando cada momento de uma forma intensa!

2. Não se preocupe com o que poderão achar e pensar de você afinal, você tem os seus motivos para agir de tal forma, de ser de tal jeito. Seja você! Se você procura não magoar e maltratar as demais pessoas é isto que vale, é isto que conta.

3. Não se coloque acima do bem e do mal. Todas as pessoas tem defeitos, ninguém atingiu ou atingirá a perfeição, isto é uma ilusão. Por isto, procure se conhecer melhor. Isto não significa descobrir uma "verdade" única para ti mesmo, isto é uma ilusão, mas pensar o que você está fazendo da tua vida, como a está vivendo, o que está despertando em ti e nas demais pessoas. Resumindo: se ver com defeitos e qualidades, passível de errar e acertar e, por isto mesmo, passível também de se humanizar como pessoa, vendo que a vida pode ser melhor se nos relacionarmos melhor com a gente e com os outros que nos rodeiam.

06 julho 2005

Conversando sobre o corpo, sobre o que é o "eu" atualmente...

Ouvi de uma professora (posso dizer quem?), recentemente, o seguinte:

Eu estava com meu sobrinho lá em casa no fim-de-semana, e ele queria assistir a um filme que está em cartaz com a Angelina Jolie. Eu estava resistente, não tinha interesse em assistir esse filme. Olhem o que ele me falou: ? Mas tia, tu não quer ver a boca da Angelina Jolie? Eu perguntei o por que de alguém querer ver a boca dela e ele disse que é porque a boca dela é linda, que toda ela é linda. Aí eu perguntei se ele não se importa com o conteúdo também. Ele me respondeu bem assim: ? Ah, me importo tia, tanto que se uma mulher for linda e tiver halitose não dá, tia, não dá, ninguém agüenta, eu saio disparando!

O que era o conteúdo para esse rapaz? A halitose, esse era o "algo" que poderia haver "dentro" da referida mulher-atriz. Esse relato me fez pensar: O que é o si para esse sujeito e, conseqüentemente, qual é o "si" vendido na esfera social? A resposta parece ser óbvia, que muitas pessoas estão movimentando-se no mundo a partir de discursos verdadeiros que pregam um culto do "eu". Mas um eu que não pode ser "escavado", pois é um "eu" que fica na superfície, marcado como sendo o corpo. Esse "eu", visto dessa forma, vê os "outros" (e a si mesmos) como corpos em exibição, corpos que devem ser mostrados, transformados constantemente, recauchutados, qualificados... a partir do que é posto como sendo o "belo" e aceitável hoje.Assim, frente à recorrência com que o tema "corpo" vem sendo posto em evidência, tanto em conversas diárias, quanto nos próprios espaços midiáticos em que cada vez mais se fala sobre tal tema, vale a pena pensar sobre como e de que modos estamos nos relacionando uns com os outros e com os nossos corpos, relações que expressam modos singulares de "cuidado consigo" em nossa época. Considerando também que, nestes tempos, parece cada vez mais adquirir importância não mais os sentimentos e as formas das pessoas serem, "internamente", mas fundamentalmente o modo das pessoas serem "externamente". Ora, essa visibilidade anunciada, escancarada, evidencia que num mundo em que as imagens são cada vez mais centrais o corpo, como uma imagem a ser vista e apreciada, vem cada vez mais sendo consumido tendo por base os parâmetros de normalidade criados que, efetivamente, propõe diferentes práticas para o voltar-se sobre si mesmo.

04 julho 2005

E a pergunta que não podemos deixar calar é...

O texto do Mario Sergio Conti, no NoMínimo, fala de Jean-Paul Sartre a partir de uma exposição de comemoração de seu centenário de nascimento, realizada em Paris. Algumas coisas interessantes são trazidas, inclusive o que um ex-secretário do intelectual escreveu sobre esse último, num livro agora reeditado. Entre as várias coisas ditas, temos o seguinte: que Sartre gostava de escrever pelas manhãs, fazendo mínimas correções após. Isso evidencia que as facilidades que hoje experimentamos ao escrever um texto, como deletar parte de uma frase para substituí-la, ou mesmo modificar toda a ordem e estrutura do mesmo, eram coisas mais difíceis de realizar antes da invenção dos computadores... O pensamento saía, de certa maneira, já bem "redondinho", sem grandes necessidades de mudança. Creio que não só porque Sartre já tinha necessidade de fazer assim, para economizar tempo e energias em revisões, mas porque as condições que temos (e que Sartre tinha) nos atravessam, são carregadas conosco, mesmo quando estamos escrevendo...
Dentre as coisas que li nesse texto gostei, especialmente, do seguinte:

Saí satisfeito da Biblioteca e andei até o ponto de ônibus, para pegar o 89. Vim pensando que gostaria de ler um livro que analisasse as mudanças na escrita, nos jornais e nos livros, com o incremento tecnológico. Uma coisa é escrever à mão. Outra, em máquina de escrever. Outra, num computador. Talvez tenha ocorrido um distanciamento progressivo entre a atividade física e a mental no ato de escrever. A facilidade em reescrever, que aumentou, deve ter alguma influência no estilo dos que se dedicam ao ofício. Sartre escreveria um ensaio sobre o tema?

E acho que eu também gostaria de ler um livro que explorasse essas mudanças na escrita [talvez o livro "Os desafios da escrita", de Roger Chartier, fale um pouco sobre isso - ao menos foi o que eu achei, por acaso].

Outra coisa interessante nesse texto é ver o tempo que o Mario Sergio Conti dispensou consigo mesmo, nessa visita à exposição, e assim podemos pensar, o quão houveram transformações nele mesmo a partir dessa experiência. Sim, porque os nossos dias são, muitas vezes, extenuantes. Precisamos tentar "dar conta" de um monte de coisas através de prazos, escritas, leituras, cuidados com a casa, atenções à família, amigos, namorados... e, no meio desse mar de coisas a serem realizadas, qual atenção estamos dando à gente mesmo? O que estamos fazendo para o nosso "engrandecimento" enquanto ser-humano, pessoa, gente, reles mortais...? Essa é a pergunta que fica, e a pergunta que não podemos deixar calar todo o dia ao acordarmos...

03 julho 2005

Ah, tirei o dia para os poemas... e estou feliz com isso

Também gostei:

Eu não quero ensinar nada a ninguém. Não quero ser mestre nem me chamo Buda. Só quero provocar intelectualmente as pessoas criativas. Quero esmagar todas as convicções, especialmente as minhas. Em verdade, não quero muita coisa: só quero abraçar a metade do infinito, e fazer o sol nascer no céu da tua boca. Quero amar a Liberdade, saltar profundo, viver a Vida. Dançar abraçado a Nietzsche na corda bamba à beira do abismo. E sempre colocar meu coração no bom caminho - ou seja, no caminho da perdição gostosa e da alegria desgovernada.

De Edson Marques, no excelente blog Mude

Humanos em constante mutação

Acho bom a gente não ter medo de dizer e escrever bobagens. Eu, mesmo achando isso, muitas vezes me calo com medo de "errar"; medo de reconhecer que estou em processo de aprendizagem - processo que não se encerra nunca, pois na vida precisamos nos deixar levar pelo que nos atravessa...
Por isso, se achei bem idiotinha os versos que expus no post anterior, agora já me dou conta que tenho o direito de não conseguir, ao menos ainda, me expressar de uma forma bela através de um (pseudo)poema. Talvez as bobagens sirvam para isso mesmo, serem ditas, escritas ou pensadas (ou feitas!), para que possamos voltar a olhá-las, revê-las, e com isso nos apropriarmos melhor da idéia, que é simples: somos humanos em constante mutação.

Olhem que lindo, expressão linda do modo pelo qual, talvez, estejamos sendo humanos, hoje:


EU SEI MAS NÃO DEVIA
Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.

Nota: Este texto de Marina Colasanti (que foi grande amiga de Clarice) foi publicado em seu livro de mesmo nome (Eu sei, mas não devia - Ed. Rocco - Rio de Janeiro - 1996). Com este livro Marina conquistou um prêmio Jabuti.

Esse poema está exposto no POEMANDO.

Pseudo-poemas


Criação, invenção, extenuação, sofrimento, avesso do avesso de mim...
Pensamento, suspensão, inquietação, fazendo-me outra de mim...
Orgia... que é vida, prazer, gozo, morte, retorno, que é vida, prazer, gozo, morte, retorno...


Ah, caminhos que não "descubro" mais...
Calmaria, que não "sinto" mais...
Verdades, que não "acredito" mais...
Vidas, que expressam "ais"...
Viram-me do avesso, do avesso, e vêem um borrão.
Borrão que é a marca de um ponto de interrogação.
Expressão mais singela de uma existência em mutação.

Viviane Camozzato

Conversas no Orkut III

Victor respondeu o seguinte [na comunidade Pós-Moderno, do orkut]:

27/6/2005 14:48
e então, vamos por partes. em relação à sua pergunta: essa fragmentação é efeito de quê? a impressão que tenho é que lyotard busca responder essa pergunta em seu "a condição pós-moderna". de acordo com lyotard, a fragmentação é efeito, possivelmente, da deslegitimação do Discurso - quando ele discute com habermas a questão do consenso e chega à conclusão de que não há mais consenso. talvez seja possível pensar tal desconstrução do Discurso a partir de nietzsche e da morte de Deus? de qualquer forma, depois de nietzsche, a Verdade nunca mais foi a mesma - e essa possibilidade (a de não haver Verdade: de não haver Discurso), abriria espaço para o indivíduo se construir, se fazer, de maneiras diversas. daí a preocupação da filosofia contemporânea[?] em fugir da verdade, e não chegar até ela - uma preocupação poética, eu diria. acho sintomático quando baudrillard escreve um ensaio intitulado "esquecer foucault" dizendo, a grosso modo: foucault é bom demais p'ra ser verdade: é lógico demais p'ra ser verdade.e o que bauman propõe nesse ensaio é um pouco disso - li alguns ensaios daquele livro, depois cansei porque era muito sociológico e não me interessava no momento, mas lembro que ele dizia coisas que até então eu não tinha lido. a metáfora líquida pode ser esse não deixar-pegar de que falava. não lembro como ele trata a modernidade, mas lembro que ele faz alguns comentários polêmicos. tem umas distinções entre alta e baixa modernidade - no final das contas, acho que ele está falando em pós-modernidade mesmo. mas não posso falar muito desse livro. de qualquer forma, talvez seja uma leitura interessante pra v.acho interessante o que v. falou do orkut e quando falou das condições que possibilitam algo. de certa forma é o que foucault propõe em seus últimos trabalhos. a história da sexualidade não é uma história, como ele diz, sobre a sexualidade, propriamente, mas sobre a maneira pela qual o sujeito se constrói, as condições mesmo que estão presentes, e que o possibilitam a "ser" isso ou aquilo.

E ele continua:

27/6/2005 16:12
mas aí é que entra o que digo, e a importância do "homo ludens". quando v. pensa numa comunidade virtual, v. vai pensar uma relação que se configura a partir da ausência, a partir do desconhecimento (quase sempre), a partir do efêmero. e aí penso que seja interessante (talvez) pensar o caráter ficcional - talvez não seja "ficcional" a palavra. me refiro algo próximo do que baudrillard chama de simulacro. quero dizer: o sujeito que escreve numa comunidade do orkut não é o mesmo que se relaciona com a família, sei lá - se radicalizarmos, claro, o sujeito não é o mesmo em lugar nenhum: na escola é um, em casa é outro, no shopping é outro. mas de qualquer forma, penso que há algo num espaço ficcional que se distancia muito da vida real[?]. e esse algo talvez seja alguma coisa em torno da identidade. ou seja: a relação virtual é uma relação imersa - relação que, acredito, ainda não seja a não-virtual. por menos referências que temos, ainda temos um número civil, um endereço, e isso não pode ser simulado - é crime. quero dizer: talvez esse números, em si, não sejam importantes, mas a maneira como o sujeito age sabendo que carrega esses números talvez seja importante. na internete tudo isso pode ser simulado - acho muito engraçado, inclusive, um botão que tem no orkut chamado: usuário falso, denunciar (o que vai acontecer? processar o usuário falso? como vai ser provado que é falso?). quando v. diz, por exemplo, que existem comunidades dizendo: odeio gordas - seria interessante pesquisar para ver se existe odeio negros, ou odeio gays, porque nesse caso é crime. as pessoas que dizem coisas ali não diriam em espaços não-virtuais (tenho dificuldade para encontrar uma palavra que denomine o outro espaço: real? social?). eu não sei, viviane, são coisas que estou pensando aqui com v. e talvez sejam facilmente descontruídas. mas penso que seja interessante - necessário - não desconsiderar isso quando se fala em relações virtuais. em relação ao meu trabalho, deixe eu pensar um pouco mais. respondo outro dia. até porque estou cansado. um abraço grande.

Eu respondo o que segue a seguir:

E...
28/6/2005 16:58
Tb vejo que não o consenso não é possível, não é viável, e aí entra tb a questão do diálogo, que podemos ver não como uma solução possível, harmônica, mas como uma forma de inquietar-se consigo mesmo, de produzir-se de um modo diferente a partir da relação com o outro, ou com os outros. E se estabelecemos, cotidianamente, diálogos, vamos nos produzindo bem aos pedaços mesmo, como um mosaico em que a todo momento caem peças, e nunca conseguimos completá-lo com novas peças inteiramente, porque esse processo é veloz... isso é esse sujeito fragmentado, não inteiro, completo, nem sujeito de um único discurso. Bem, estou falando ao "léu", porque estou pensando nisso só agora, aqui... E vejo que logo acima falei em diálogos, mas nem sei mesmo se estabelecemos muitos diálogos hoje em dia, me parece que normalmente ficamos no nível da opinião, ou mesmo de afirmações, que já impossibilitam o diálogo, pois este último necessita da nossa abertura, enquanto sujeitos, para ouvirmos o que o outro nos diz. O diálogo necessita da ruminação, da mastigação demorada das palavras do outro, para que eu possa me tornar diferente com esse diálogo. E isso fico feliz que estejamos fazendo aqui, pois, de minha parte, as coisas que dizes me fazem pensar, refletir, e isso evidencia um diálogo. Bem, mas sei que há bastante discussões a respeito dessa temática, e um dia ainda conseguirei ler algumas...Talvez eu não tenha entendido muito bem o que tenhas colocado a respeito da desconstrução do discurso. Eu penso assim: quando se desconstrói alguma coisa, mostra-se como essa "coisa" foi inventada, construída. Então, desconstruir um discurso não é destruí-lo, mas mapear os processos de sua construção, que está datada e localizada nas condições da sua época. Eu, ao menos, creio que há verdades e discursos, diferenciados, conforme o lugar o qual somos falados e falamos. As verdades, então, como construídas, precisam passar por um processo de desconstrução, serem extraídos os seus fabricadores.

Continuo assim:

28/6/2005 17:02
Acho que o anúncio da morte de Deus, feito por Nietzsche, como relatas, declara a ruptura com o pensamento racional e Moderno que há muito nos assola e assolava. Isso porque a nossa ambição por uma "vontade de verdade", vontade de ter, descobrir e se apossar de um conhecimento verdadeiro, nos aprisiona, nos enjaula. Seríamos, assim, prisioneiros da metafísica e, portanto, da existência de um Deus ou algo "maior" que pairasse acima de nós. Com Nietzsche, então, aprendemos, que a verdade é desse mundo, construída pelos humanos e não algo do além, sempre existente... Aquele conceito nietzscheano de vontade de potência seria bem-vindo aqui, pena que eu não sei dizê-lo assim, de cabeça, mas talvez possa ser posto como uma vontade de poder que move os humanos e os fazem inventar verdades... sei lá. (ai, eu quero ler Nietzsche, mas como tentar "dar conta" de tudo?) Concordo contigo, se não paira mais nas nossas costas as sobredeterminações do divino, dos referenciais racionais, talvez aí possamos fazer da vida uma obra de arte, como assinala Foucault. É ir além do já banalizado, do dizer sim às coisas que até nós nos chegam, pois dizer não, ou mesmo talvez, nos possibilidade seguir outros caminhos. É também, algumas vezes, dizer sim, e aí deixar nos transformarmos em outros de nós mesmos. Em suma, ir além do instituído para nós. Creio que sintetizas bem o que estou querendo pesquisar, olha só: "de certa forma é o que foucault propõe em seus últimos trabalhos. a história da sexualidade não é uma história, como ele diz, sobre a sexualidade, propriamente, mas sobre a maneira pela qual o sujeito se constrói, as condições mesmo que estão presentes, e que o possibilitam a "ser" isso ou aquilo". E a minha pesquisa vai mesmo nos rastros do Foucault, ao menos tenta se aproximar... Acho que é bem isso, é um pouco tb do "como se chega a ser o que se é", de Nietzsche. Porque o que estamos sendo é possibilitado pelos significados culturais que estão nos constituindo, e tb dos modos com que reagimos a esses significados.

E ainda:

28/6/2005 17:04
Muito interessante as colocações que colocas a respeito da virtualidade. A minha orientadora fez a tese dela tratando sobre as identidades musicais juvenis nos chats da Internet, e ela fez uma discussão a respeito dos nicknames como marcadores identitários. Ela traz isso para mostrar o quanto na Internet os nicknames possibilitam a flutuação das identidades, uma vez que assim podemos nos tornar o que quisermos ser nesse momento. Não é raro, por exemplo, vermos pessoas em salas de bate-papo narrando a si mesmas através das características físicas socialmente mais valorizadas. Frente a pergunta: como vc é?, muitas vezes o que vemos é uma enumeração de características como: sou loira, alta, magra, olhos azuis ou verdes... Ao analisar o importante não é se aquilo é fictício ou não, mas mostrar que as identidades flutuam, e que podemos nos reinventar nesses espaços, coisa que não podemos fazer tão facilmente fora desses espaços, mesmo porque isso exigiria um enorme investimento financeiro, de tempo, etc. Esse espaço ficcional que dizes, vejo como a reinvenção de si mesmo, mesmo que reinvenção momentânea, efêmera, como colocas, reinvenção logo descartada, pois não se fica on line sempre... mas certamente há resquícios dessas identidades inventadas no plano "virtual" (tb não sei muito bem como nomear, isso é um problema...), assim como pode vir a ficar resquícios dos diálogos travados... Bah, eu não tinha pensado nesse botãozinho que há no Orkut, ele serve para a pessoa ir presa lá, parece. E isso é mesmo complicado, pois como falastes, como provar que tal pessoa é falsa, se ali é um espaço em que podemos ser quem quisermos (já vistes a quantidade de Luanas Piovanis que há, por exemplo? Aí tb a questão dos simulacros, pois não é o sujeito "em si" que está aí, mas a sua transformação em objeto, e por isso pode ser multiplicado...).

Mais isso:

28/6/2005 17:04
Há comunidades que pregam a homofobia, que dizem odiar travestis, gays... mas comunidades que dizem odiar negros eu praticamente não vi, não lembro bem, mas apenas uma com dois integrantes, acho. Bem, e essas discussões são importantes para a questão do pós-moderno porque vamos nos tornando sujeitos de determinados tempos. A questão de estarmos numa sociedade do espetáculo (tenho que ler o livro A sociedade do espetáculo, do Guy Debord, e tb alguns do Baudrillard, que tu falas, e que sei que devem ser bem interessante ? o que me indicas? - ! ), do prazer, do gozo, das visibilidades... nos fazem ser sujeitos de modos distintos, né? Um abração!

O Victor responde o seguinte:

respostinha
29/6/2005 07:32
"talvez seja possível pensar tal desconstrução do Discurso a partir de nietzsche e da morte de Deus?"essa é a minha pergunta ao qual se referes quando colocas a questão da descontrução, sim? tenho que concordar com v., viviane. "descontrução" foi uma palavra péssima. e talvez "Discurso" também. na verdade, acho que eu queria dizer: impossibilidade da verdade. ou seja: se não há mais Deus para legitimar algum tipo de discurso, não há mais Verdade. penso: se há várias verdades (com letra minúscula mesmo) é porque não há nenhuma Verdade. é mais ou menos isso que pensava.baudrillard. então, penso que baudrillard seja fundamental - embora muitas pessoas discordem de mim. ele tem alguns conceitos chave que passam por toda a sua obra. "simulacro", "fim do real", "a troca impossível", "tela total". o que ler? eu diria, lê tudo - eu diria, inclusive, para mim, que ainda não li tudo (bem, talvez nem a metade). como ler tudo é quase impossível, sugiro alguns: "à sombra das maiorias silenciosas: o fim do social e o surgimento das massas"; "a ilusão vital"; e a "transparência do mal". com esses três v. já se diverte um bocado.então, em relação às outras questões que colocas, tenho que pensar mais.

E, para finalizar, respondo:

29/6/2005 09:31
OI
Vou anotar estes títulos que vc me passou, do Baudrillard. Hoje, por um acaso, consegui emprestado o livro "Tela-total...", vou começar a ler em seguida, enquanto não consigo os outros... valeu!E acho que é isso mesmo, A verdade não é possível, porque se elas são construções, obedecem a arranjos específicos e podem ser contextualizadas, pois para duas pessoas as verdades são diferentes, porque creio que as pessoas precisam ter algumas... para as mover... mas o que muda é que vc não pode pensar que essa sua verdade seja única, porque há outras pessoas pensando diferentes, pessoas que estão âncoradas a outros arranjos e, portanto, outras verdades já construídas...

02 julho 2005

Conversas no Orkut II. (dando continuidade)

Frente as questões levantadas pelo Victor, exposta no post anterior, eu respondi:

26/6/2005 12:18
Pois é, eu vejo que na área da educação (falo mais amplamente tb, porque vejo assim mesmo...) somos herdeiros de uma longa tradição de profissionais que acreditavam (e ainda acreditam!) que o papel da educação é conscientizar os alunos, conduzir à emancipação, etc. Se pensarmos bem, ainda hoje esse é um dos discursos mais "oficiais" sobre a educação, basta ver a grande discursividade criada em torno da idéia de que é através, e parece que só pela, da educação que teremos um Brasil melhor, mais justo e igualitário. A mídia, o governo federal, as pessoas de um modo geral acreditam nessa idéia. Não posso dizer que "educar" e "educar-se" não fará diferença para a vida das pessoas, pelo contrário, numa sociedade letrada ser alfabetizado e letrado dotará de significados distintos esses sujeitos, que poderão adquirir outras coisas, ter acesso a outros bens... O problema é que se põe a responsabilidade sobre a educação e, conseqüentemente, a escola. Esse "papel" que seria da educação ? e vende-se a idéia, muitas vezes, que só dela ? inviabiliza, talvez, pensarmos na responsabilidade de outras instituições para melhorar a vida das pessoas e a maneira delas verem a si mesmas e o mundo que as cerca. Essa é uma tradição muito antiga... e é por isso tb que arrecém essas discussões estão "chegando" na área da educação. Aqui na Faculdade de Educação da UFRGS, por exemplo, faz uns 9, 10 anos que há um grupo de professores estudando o pós-moderno e seus temas e autores afins. Isso é pouco, porque nós, alunos, entramos e vemos uma enorme salada mista (nada contra a multiplicidade de modos de olhar, mas só para constar); então para nós esse é um tema atual.
Mas tb acho que ficar falando de alta e baixa cultura, por exemplo, é enfadonho demais, porque muito já foi dito, e parece até tentativas desesperadas de "encher lingüiça" quando leio textos em que vejo esse e outros argumentos, que até viraram jargões, serem evocados. Pensar no pós-moderno como uma condição creio que é interessante para pensarmos nos sujeitos que estão sendo produzidos dentro desse panorama, uma condição que atravessa existências as constituindo... e aí a fragmentação desses sujeitos, como apontastes, pois subjetivação, modos de subjetivação, traz a imagem de processos, de fluxos, de intensidades que vem e fogem tb... daí que trabalhando com o conceito foucaultiano de sujeito é preciso tentar da conta (essa é uma expressão complicada) das multiplicidades de flechas subjetivantes direcionadas aos sujeitos nesses tempos de condição pós-moderna. E essa é uma "tarefa", em si, complexa, pois qualquer tentativa de apreender no tempo e nos espaço esses sujeitos que estão sendo escapa pelas nossas mãos, flui, desliza, foge... Acho que seria produtivo pensar, então: quais os efeitos dessa fragmentação dos sujeitos? Ou: essa fragmentação é efeito do quê? Como, em que circunstâncias, de que modos, podemos ver essa fragmentação? Ah, gostei de tudo que escreveste, especialmente: "talvez seja somente uma condição, e temos que lidar com ela", [sobre a fragmentação e tb o pós-moderno]. Pois o pós-moderno está aí, talvez tenha vencido a "batalha", tenha saído vencedor, e precisamos saber disso. Mas quanto a isso tb tenho muitas dúvidas.
Não sei se vc já leu (eu ainda não!), mas já me falaram num livro do Zygmunt Bauman, intitulado Modernidade Líquida, em que esse autor falaria (foi o q me disseram!) sobre como o moderno está aí, presente, nos dias de hoje... Eu ainda quero ler esse livro para pensar mais a respeito dessas questões... Puxa, que grande e boa coincidência termos temas afins de pesquisa! Essa questão da ficção é interessante. Vc conhece o conceito de ciborg da Donna Haraway (ñ tenho certeza se é assim que se escreve, li um texto que falava disso...)? Acho que vai nesta direção que colocas, talvez. Eu tb preciso pensar mais a respeito, para mim essas discussões são muito novas, e o meu objeto de estudo está tão grande, quero falar de tantas coisas... preciso me centrar mais tb, para dar conta de estudar com mais profundidade... Sobre o "Homo Ludens", obrigada pela dica, vou colocar na minha listinha, parece interessante! Sobre a minha pesquisa, o que estamos fazendo de nós mesmos? (questão formulada por Nietzsche e retomada por Foucault, se não me engano) e, conseqüentemente, o que estamos fazendo com os outros?, pode ser considerada uma das questões centrais da minha pesquisa. Isso porque me interesso em pensar o tempo presente (e aí o interesse no pós-moderno tb...). Ainda estou olhando materiais e pensando se trabalho em cima de comunidades do orkut e alguns "habitantes dessa parte do ciberespaço", ou se trabalho em cima de narrativas selecionadas em blogs ou se em cima de ambos. Quero pensar nas condições de possibilidades para que determinadas coisas sejam ditas e pensadas sobre si mesmo e sobre os demais.
Vc já deve ter visto as VÁRIAS comunidades do orkut que versam sobre o tema "eu odeio"... e aí entra o fato de odiar várias coisas, algumas banais e outras não. É o caso de uma comunidade intitulada Eu odeio gordas, entre muitas outras do gênero. Quero pensar nas discursividades de nosso tempo que criam condições de possibilidade para que esse tipo de sentimento sobre o "outro", e sobre si tb (porque "o outro é necessário para a nossa fabricação") seja construído... Preciso pensar mais na questão da Internet, da cibercultura... para pensar no porquê da escolha desse "local". Talvez seja porque vejo a Internet, e aí dentro orkut e blogs, como um expressivo espaço para que as pessoas (ia escrever sujeitos, mas deves ter visto que falo MUITAS VEZES essa palavra, já é um vício!!!) possam expressar as suas coisas numa cultura em que se incita cada vez mais as pessoas a falarem, mas que não problematiza o "pensar"... Sobre o título no gerúndio vou pensar, gerúndio é complicado!!!! ??????????-) Vou pensar sim, obrigada! O último Foucault vai ser importante pra mim, sim, mas estou mais é engatinhando a respeito... mas iniciar a caminhar (e deixar de engatinhar) vai ser um prazer (e demoradooooooooooo), porque são leituras muito gostosas de fazer. Pode ser "útil" para vc tb? E aí, e sobre o seu trabalho? Repasso a bola: "sobre o que v. anda pensando?"
Abs, muito bom conversar contigo!
*da próxima vez escrevo menos, é que fiquei empolgada, desculpe!

01 julho 2005

Conversas no Orkut...

Pode-se fazer muitos e variados usos do Orkut. Um deles, a meu ver, é utilizar as comunidades do Orkut para interagir com as demais pessoas e, assim, aprender um pouco com elas também. Desse modo, os excertos que trago a seguir são conversas que estabeleci com o Victor, criador da comunidade que tem o nome de Pós-moderno.

O Victor iniciou um novo tópico assim:
28/4/2005 06:39
uma pergunta aos que estão chegando: quais seus interesses no pós-modernos?

Eu respondi:
16/6/2005 23:08OI
Puxa, faz um tempão que eu queria escrever algo nesta comunidade, mas o tempo presente se apresenta de um jeito... tão efêmero, veloz... rs, que fica difícil parar para contribuir de alguma maneira. Interessante a discussão de vcs... Eu me interesso pelo pós-moderno (eu já prefiro essa "denominação") porque estou pesquisando a constituição dos sujeitos jovens a partir da cibercultura. Bem, meu trabalho (estou preparando a proposta de dissertação pela Faculdade de Educação da UFRGS -entrei esse ano) tem o título provisório de "Inventando sujeitos. Diferenças e sensibilidades em tempos de cibercultura", e eu não saberia como pensar nesses sujeitos sem considerar a condição cultural a que estão (e nós tb) submetidos. Mais do que discutir as ditas características da condição pós-moderna, como descartabilidade, centralidade das mídias, efemeridade, descrença nas metanarrativas, compressão do tempo-espaço, entre outras, quero pensar no que o David Harvey citou no livro "Condição pós-moderna" na página 48, que é sobre a "estrutura dos sentimentos" no pós-moderno. Gilles Lipovetsky, por outro lado, fala em "emocionalidade pós-moderna", no livro Metamorfoses da cultura: ética, mídia e empresa. Trata-se, penso, de pensar nas formas dos sujeitos se relacionarem com consigo mesmos e com os demais...Bem, mas não acho as discussões sobre o pós-moderno ultrapassadas. Creio que isso pode variar conforme a área de atuação que somos oriundos. Eu, que venho da Educação, acho extremamente importantes essas discussões para fugirmos de alguns "ranços" advindos da chamada teoria crítica, que acredita da emancipação social, na conscientização adquirida através do "desencobrimento" das ideologias, etc. Esse tipo de análise sobre a educação é ainda predominante, infelizmente. (se tiverem alguma bibliografia para me indicar eu agradeço!)

O Victor de novo:
à viviane
19/6/2005 08:55
bem viviane, quando digo que o debate sobre pós-moderno morreu, me refiro ao fato de que algumas categorias, como alta cultura/baixa cultura, modernidade, História, Discurso, já estão superadas - pelo menos até onde sei: muito me impressiona saber que na educação ainda se trabalha com conceitos tradicionais. acredito que o debate a respeito do moderno/pós-moderno tenha sido feito na década de 60/70, talvez 80. qualquer discussão a esse respeito, como feita há uns meses no JB, na Folha, me parece anacrônica. quero dizer: se houve um vencedor nessa história toda, o vencedor foi o pós-moderno (enquanto condição, não enquanto positividade, ou seja, não enquanto saída - ou seja: penso que categorias do pós-moderno podem ser também problemáticas). um exemplo: quando se vai discutir subjetividade, penso que não há como fugir do debate a respeito da fragmentação do sujeito, e ao mesmo tempo o problema: até que ponto a fragmentação do sujeito é um valor positivo? talvez seja somente uma condição, e temos que lidar com ela. quando se discute cyberespaço (minha pesquisa é a literatura no cyberespaço, por coincidência) penso que seja interessante considerar sempre o caráter lúdico da construção de subjetividades. ou seja, o mundo cyber pode ser pensado, talvez com mais segurança, como ficção. "homo ludens" talvez seja um bom livro. aos poucos podemos conversar mais sobre isso. gostaria de aprender sobre isso também. fale sobre o que v. anda pensando? e outra coisa: não gosto muito de gerúndio no título (hehe!).

E ele complementa:
bibliografia
19/6/2005 09:59
acho que toda reflexão de foucault a respeito do cuidado de si, da construção de si, escrita de si, etc. (o último foucault) também pode ser importante. mas acho que v. já é boa leitora de foucault, pelo que vi num comentário seu em outra comunidade (a do foucault).


Quando falo em expressão, quero mostrar que a Internet possibilitou muito isso, pois como eu teria conversado com alguém de tão "longe" senão através da Internet e, nesse caso, do Orkut? Eu pude me expressar, ser interpelada e tocada pela fala do outro. E isso é muito legal, poder conhecer novas pessoas, novas idéias... para repensar o que estamos sendo, como estamos pensando, sentindo, vivendo nestes tempos.
P.S: 1. E as coversas seguiram, depois posto mais. 2. Para entrar no Orkut é preciso ser cadastrado. Se alguém quiser receber convite que diga!