20 julho 2006
19 junho 2006
Relações: com o outro e com a gente

Quais os limites entre eu e o outro? O que podemos em contato com esse outro?
Enrique Pinti, em Vivir y dejar vivir, expõe de um modo muito interessante a abertura necessária para que deixemos o outro viver. Afinal, uma crença levada a sério a muitos de nós é que nossos aconselhamentos, sugestões, experiências... sirvam para que cada um viva - seguindo, assim, esses supostos 'manuais' de vida.
O que o Enrique evidencia é o quanto cada experiência é mesmo única e singular e, portanto, nos liberamos da pretensão de universalizar os nossos posicionamentos, mesmo que na 'maior das boas intenções', como muitas vezes acontece com conselhos.
Ele inicia o texto assim:
Uno de los errores más groseros en los que solemos caer los seres humanos es la creencia de que lo que sirve para mí debe servir para los demás, y de que cuando hemos encontrado una manera adecuada y armoniosa de vivir tenemos el deber moral de romper la paciencia de nuestros semejantes con el discurso proselitista de nuestros logros y el consejo machacante de que el nuestro es el mejor camino para seguir.
Ps.: imagem em Geocities
12 junho 2006
Manifestações estudantis no Chile
A manifestação nacional de alunos secundaristas no Chile vem contribuir para pensarmos o quanto as descrições dos jovens como 'alienados', 'individualistas', 'consumistas', etc., etc., não dão conta da multiplicidade de posicionamentos que os jovens adotam.
O que muda, ou melhor, o que sofre modificações - ancorando-se ora no 'antigo', ora no 'novo' - são as formas de manifestar e, ainda, as 'causas' a que cada um se filia. Os jovens, como sujeitos deste tempo e espaço, expressam lutas que gravitam em torno do que é posto como problemático e urgente no presente.
A fala de Bachelet no terra chileno vem a calhar agora: "Qué bueno que tengan opinión, hace años atrás todos decíamos que los jóvenes no estaban ni ahí, y hoy día lo que están demostrando es que tienen diagnóstico sobre el tema de la educación".
Isso pode contribuir para que velhos idealistas do passado, alarmando a 'indiferença' dos jovens do presente, através de comparações com as juventudes de décadas passadas, lancem olhares menos moralizantes aos que coabitam o mundo com eles!
Para uma leitura aprofundada sobre essa manifestação ver La marcha de los estudiantes
Importante, ainda, visitar blogs e fotologs que contam minúcias do movimento, relatado por pessoas que estão por dentro disto tudo.
Nesse sentido, blogs, fotologs... e outras ferramentas de informação e comunicação vem a desempenhar um importante papel político ao contribuir para a disseminação de visões de mundo, fazendo circular histórias através de pontos de vista tão diferenciados. Essas ferramentas vem a se somar aos outros modos de manifestar-se, portanto, uma coabitando e dependendo da outra para intervenções mais eficazes.
* Post inspirado em Jornalismo digital
O que muda, ou melhor, o que sofre modificações - ancorando-se ora no 'antigo', ora no 'novo' - são as formas de manifestar e, ainda, as 'causas' a que cada um se filia. Os jovens, como sujeitos deste tempo e espaço, expressam lutas que gravitam em torno do que é posto como problemático e urgente no presente.
A fala de Bachelet no terra chileno vem a calhar agora: "Qué bueno que tengan opinión, hace años atrás todos decíamos que los jóvenes no estaban ni ahí, y hoy día lo que están demostrando es que tienen diagnóstico sobre el tema de la educación".
Isso pode contribuir para que velhos idealistas do passado, alarmando a 'indiferença' dos jovens do presente, através de comparações com as juventudes de décadas passadas, lancem olhares menos moralizantes aos que coabitam o mundo com eles!
Para uma leitura aprofundada sobre essa manifestação ver La marcha de los estudiantes
Importante, ainda, visitar blogs e fotologs que contam minúcias do movimento, relatado por pessoas que estão por dentro disto tudo.
Nesse sentido, blogs, fotologs... e outras ferramentas de informação e comunicação vem a desempenhar um importante papel político ao contribuir para a disseminação de visões de mundo, fazendo circular histórias através de pontos de vista tão diferenciados. Essas ferramentas vem a se somar aos outros modos de manifestar-se, portanto, uma coabitando e dependendo da outra para intervenções mais eficazes.
* Post inspirado em Jornalismo digital
05 junho 2006
Matérias sobre bullying
1) Quando o apelido vira agressão na escola
DANIELA TÓFOLI
da Folha de S.Paulo
Quando a criança que sempre gostou de ir à escola começa a fazer birra e a inventar desculpas para faltar, pode ser manha, necessidade de descanso extra ou algum problema com os professores. Ou pode estar cansada de sofrer perseguições dos colegas, que vão desde a colocação de apelidos até o roubo de lanche na hora do recreio.
Essa agressão moral, o bullying, praticada por crianças e jovens, já atinge 45% dos estudantes de ensino fundamental do país, seja como agressor, vítima ou em ambas as posições. Os dados são do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar, que acompanha pesquisas em ao menos oito cidades do país, como Maceió e Belo Horizonte.
Em São José do Rio Preto (SP), o estudo já terminou e revelou que, dos 2.000 entrevistados, 49% estavam envolvidos com a prática --22% eram vítimas, 15% agressores, e 12%, vítimas agressoras.
Os números batem com estatísticas internacionais e, pela primeira vez, traçam um perfil. Tímidas, com alguma característica física ou comportamental marcante (como obesidade ou baixa estatura), as vítimas têm, em média, 11 anos. São meninos e meninas com poucos amigos, que não reagem contra o que lhes desagrada.
Já os agressores têm entre 13 e 14 anos e gostam de mostrar poder. Por isso, costumam ser líderes de seus colegas e, em muitos casos, foram mimados pelos pais. A maioria é formada por meninos (60%). "Mas as meninas são mais cruéis. Tramam fofocas e intrigas para excluir colegas", diz Cleo Fante, coordenadora do centro e organizadora do 1º Fórum Brasileiro sobre Bullying Escolar, realizado neste sábado, em Brasília.
Diferenciar um apelido ou brincadeira que não passa de farra de criança de uma maldade característica de bullying é o desafio de pais e educadores. "Se uma criança ganha um apelido de que não gosta muito mas o encara sem traumas, não há porque se preocupar", diz o coordenador do Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência, Aramis Lopes. "Mas se ela muda seu comportamento, reclama para ir à escola, se isola no recreio e deixa de ser convidada para atividades, é preciso intervir. Para começar, uma boa conversa."
continua...
2) Adolescentes usam internet para humilhar colegas
da Folha de S.Paulo
A internet tornou-se uma grande aliada do bullying (termo que pode ser traduzido como "intimidação"), através de blogs que são criados para azucrinar a vida de um colega, de fofocas em conversas por programas de mensagens instantâneas e até mesmo no Orkut, que acaba excluindo alguns estudantes, já que é preciso ser convidado para entrar na rede de relacionamentos e os "amigos" podem aprovar ou não a sua amizade.
É o que percebeu a pedagoga Cleo Fante, autora do livro "Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz" (Versus Editora) e pesquisadora desse tipo de comportamento.
"O cyberbullying é o novo tipo de bullying nas escolas. Ferramentas disponíveis na internet auxiliam na propagação desse comportamento, uma vez que as vítimas recebem os maus-tratos, seja através de ridicularizações, ameaças, chantagens, discriminações, etc., de forma anônima, o que é pior, uma vez que se desconhece o agressor", explica Cleo Fante.
Segundo a pesquisadora, está se tornando comum vítimas de bullying se depararem com fotografias, que são tiradas sem a autorização dos fotografados, espalhadas pela rede, com piadinhas, gozações e até ameaças.
"Dessa forma, o bullying é uma dinâmica expansiva que envolve um número cada vez maior de alunos", explica a pedagoga.
3) Violência moral pode levar jovem a reações extremadas
A violência moral já é objeto de preocupação de países europeus. Na maioria deles, há normas do Ministério da Educação que obrigam a escola a evitar esses atos. O termo mais usado para definir esse problema é "bullying", que em inglês pode significar tirania, ameaça ou intimidação.
No Brasil, ainda não há uma palavra consensual. O termo violência moral é adaptação do francês assédio moral, mas há quem defenda outros. "Não há ainda uma palavra no Brasil que defina o "bullying". Em geral, são situações de maus-tratos, opressão e humilhação que acontecem entre as crianças", explica Lauro Monteiro Filho, presidente da Abrapia.
O "bullying" resume situações em que o aluno é, com frequência, ameaçado, extorquido, insultado, excluído ou simplesmente apelidado com algum nome preconceituoso ou que não goste.
continua...
4) Violência entre menores aumenta no Reino Unido
O assassinato há uma semana, no Reino Unido, de um menino de dez anos que voltava do colégio, reativou o debate sobre a violência entre menores. As associações de defesa da infância dizem que não há dúvidas de que a violência entre menores aumentou e adquiriu uma amplitude preocupante.
Em seu primeiro informe anual, a entidade Childline havia assinalado que, em 1999, 22.232 crianças angustiadas tinham se queixado a seus professores e parentes de que eram vítimas de "bulying" (termo que inclui agressões físicas, insultos e atos vexatórios) por parte de outros estudantes. A entidade advertiu que "alguns desses menores chegam inclusive a pensar em suicídio".
continua...
DANIELA TÓFOLI
da Folha de S.Paulo
Quando a criança que sempre gostou de ir à escola começa a fazer birra e a inventar desculpas para faltar, pode ser manha, necessidade de descanso extra ou algum problema com os professores. Ou pode estar cansada de sofrer perseguições dos colegas, que vão desde a colocação de apelidos até o roubo de lanche na hora do recreio.
Essa agressão moral, o bullying, praticada por crianças e jovens, já atinge 45% dos estudantes de ensino fundamental do país, seja como agressor, vítima ou em ambas as posições. Os dados são do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar, que acompanha pesquisas em ao menos oito cidades do país, como Maceió e Belo Horizonte.
Em São José do Rio Preto (SP), o estudo já terminou e revelou que, dos 2.000 entrevistados, 49% estavam envolvidos com a prática --22% eram vítimas, 15% agressores, e 12%, vítimas agressoras.
Os números batem com estatísticas internacionais e, pela primeira vez, traçam um perfil. Tímidas, com alguma característica física ou comportamental marcante (como obesidade ou baixa estatura), as vítimas têm, em média, 11 anos. São meninos e meninas com poucos amigos, que não reagem contra o que lhes desagrada.
Já os agressores têm entre 13 e 14 anos e gostam de mostrar poder. Por isso, costumam ser líderes de seus colegas e, em muitos casos, foram mimados pelos pais. A maioria é formada por meninos (60%). "Mas as meninas são mais cruéis. Tramam fofocas e intrigas para excluir colegas", diz Cleo Fante, coordenadora do centro e organizadora do 1º Fórum Brasileiro sobre Bullying Escolar, realizado neste sábado, em Brasília.
Diferenciar um apelido ou brincadeira que não passa de farra de criança de uma maldade característica de bullying é o desafio de pais e educadores. "Se uma criança ganha um apelido de que não gosta muito mas o encara sem traumas, não há porque se preocupar", diz o coordenador do Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência, Aramis Lopes. "Mas se ela muda seu comportamento, reclama para ir à escola, se isola no recreio e deixa de ser convidada para atividades, é preciso intervir. Para começar, uma boa conversa."
continua...
2) Adolescentes usam internet para humilhar colegas
da Folha de S.Paulo
A internet tornou-se uma grande aliada do bullying (termo que pode ser traduzido como "intimidação"), através de blogs que são criados para azucrinar a vida de um colega, de fofocas em conversas por programas de mensagens instantâneas e até mesmo no Orkut, que acaba excluindo alguns estudantes, já que é preciso ser convidado para entrar na rede de relacionamentos e os "amigos" podem aprovar ou não a sua amizade.
É o que percebeu a pedagoga Cleo Fante, autora do livro "Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz" (Versus Editora) e pesquisadora desse tipo de comportamento.
"O cyberbullying é o novo tipo de bullying nas escolas. Ferramentas disponíveis na internet auxiliam na propagação desse comportamento, uma vez que as vítimas recebem os maus-tratos, seja através de ridicularizações, ameaças, chantagens, discriminações, etc., de forma anônima, o que é pior, uma vez que se desconhece o agressor", explica Cleo Fante.
Segundo a pesquisadora, está se tornando comum vítimas de bullying se depararem com fotografias, que são tiradas sem a autorização dos fotografados, espalhadas pela rede, com piadinhas, gozações e até ameaças.
"Dessa forma, o bullying é uma dinâmica expansiva que envolve um número cada vez maior de alunos", explica a pedagoga.
3) Violência moral pode levar jovem a reações extremadas
A violência moral já é objeto de preocupação de países europeus. Na maioria deles, há normas do Ministério da Educação que obrigam a escola a evitar esses atos. O termo mais usado para definir esse problema é "bullying", que em inglês pode significar tirania, ameaça ou intimidação.
No Brasil, ainda não há uma palavra consensual. O termo violência moral é adaptação do francês assédio moral, mas há quem defenda outros. "Não há ainda uma palavra no Brasil que defina o "bullying". Em geral, são situações de maus-tratos, opressão e humilhação que acontecem entre as crianças", explica Lauro Monteiro Filho, presidente da Abrapia.
O "bullying" resume situações em que o aluno é, com frequência, ameaçado, extorquido, insultado, excluído ou simplesmente apelidado com algum nome preconceituoso ou que não goste.
continua...
4) Violência entre menores aumenta no Reino Unido
O assassinato há uma semana, no Reino Unido, de um menino de dez anos que voltava do colégio, reativou o debate sobre a violência entre menores. As associações de defesa da infância dizem que não há dúvidas de que a violência entre menores aumentou e adquiriu uma amplitude preocupante.
Em seu primeiro informe anual, a entidade Childline havia assinalado que, em 1999, 22.232 crianças angustiadas tinham se queixado a seus professores e parentes de que eram vítimas de "bulying" (termo que inclui agressões físicas, insultos e atos vexatórios) por parte de outros estudantes. A entidade advertiu que "alguns desses menores chegam inclusive a pensar em suicídio".
continua...
21 maio 2006
O que estou lendo...
De Profundis, de Oscar Wilde
Artigo Da ascese à bio-ascese: ou do corpo submetido à submissão ao corpo, de Francisco Ortega
Artigo Da ascese à bio-ascese: ou do corpo submetido à submissão ao corpo, de Francisco Ortega
20 maio 2006
O Livro
"Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, indubitavelmente, o livro. Os outros são extensões do seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões da vista; o telefone é o prolongamento da voz; seguem-se o arado e a espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.
Em 'César e Cleópatra' de Shaw, quando se fala da biblioteca de Alexandria, diz-se que ela é a memória da humanidade. O livro é isso e também algo mais: a imaginação. Pois o que é o nosso passado senão uma série de sonhos? Que diferença pode haver entre recordar sonhos e recordar o passado? Tal é a função que o livro realiza.
(...) Se lemos um livro antigo, é como se lêssemos todo o tempo que transcorreu até nós desde o dia em que ele foi escrito. Por isso convém manter o culto do livro. O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objecto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria".
Jorge Luís Borges, em: "Ensaio: O Livro"
Em 'César e Cleópatra' de Shaw, quando se fala da biblioteca de Alexandria, diz-se que ela é a memória da humanidade. O livro é isso e também algo mais: a imaginação. Pois o que é o nosso passado senão uma série de sonhos? Que diferença pode haver entre recordar sonhos e recordar o passado? Tal é a função que o livro realiza.
(...) Se lemos um livro antigo, é como se lêssemos todo o tempo que transcorreu até nós desde o dia em que ele foi escrito. Por isso convém manter o culto do livro. O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objecto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria".
Jorge Luís Borges, em: "Ensaio: O Livro"
12 abril 2006
I. Difícil é dizer. Difícil é escrever.
MEU DEUS, como é difícil escrever. Sinto falta do tempo em que escrevia descompromissada, sem medo de desapontamentos, sem medo da página em branco que me olha indecorosa...
Na parte dedicada à prática da escrita, podemos ver técnicas utilizadas para os sujeitos poderem incorporar os discursos verdadeiros dos seus mestres. Nesse sentido, temos as hypomnémata, por exemplo, que consistia em anotações de lembranças, de leituras realizadas, assim como as próprias correspondências em que, dirigindo-se a um outro sujeito, dava-se notícias de si mesmo e ficava-se (atualmente também, pois essas práticas ainda persistem!) sabendo o que estava se passando com o outro. Movimento, portanto, de idas e vindas, buscando "a constituição para si de um equipamento de proposições verdadeiras, que seja efetivamente seu" (FOUCAULT, 2004, p.431).
Tendo trazido essas pequenas lembranças, posso dizer o quanto a leitura d?A hermenêutica do sujeito, especialmente a parte sobre a escrita de si, foi importante para que eu pudesse pensar no modo pelo qual eu estava incorporando esse discurso verdadeiro do Foucault. Dito isto, preciso dizer que não estou usando de ironia, de modo algum, mas querendo chamar a atenção do quanto certas técnicas de apreensão do discurso verdadeiro podem ser produtivas, já que seus efeitos podem ser sensivelmente vistos. Técnicas de apreensão do dito, da sua meditação, que engloba tanto a escrita quanto a leitura. Digo, retornando às linhas acima, em causa própria, pois desde as leituras que eu havia feito desse texto até a sua posterior releitura, pude ver a importância de escrever a si mesmo nas reflexões sobre o lido, como propiciadores de experimentarmos a nós mesmos no tempo do nosso pensamento. Textos que não são anotações, mas que são a articulação do que lemos, ouvimos, pensamos, com o que de experiência é produzida em nós. Como é sabido, não é sem suor, sacrifício, tensão, e até medo, que eu me disponho a escrever. Mas sinto que - após tantos bloqueios e folhas rasgadas, picotadas por não dizerem o que eu achava que deveria ser dito - valeu a pena insistir para poder dizer...
No que se refere à escrita que poderíamos chamar, por assim dizer, de acadêmica, creio que muitas coisas podem ser pensadas no momento em que estamos redigindo uma proposta de dissertação, como é o meu caso. Uma das questões é o quanto nos dispomos a entrar no(s) texto(s), a fazê-lo(s) verter aquilo que tanto nos desassossega, aquilo que tanto nos motiva e nos inquieta frente ao objeto de estudo que pode, talvez, ser a inquietação de nós mesmos no ato de nosso próprio pensamento. O quanto esse papel, tão particular da escrita (mas também da escuta, da fala), de possibilitar a nossa constituição através dela está sendo vivenciada na academia, na medida em que temos prazos, expectativas, angústias e, também, cobranças que já fazem as escritas serem esperadas de determinados modos, dentro de certas embalagens, como se fossem produtos a serem verificados segundo critérios pré-estabelecidos de qualidade e embalados para a venda. Algo assim, tão frio e maquínico.
Digo isso, ainda, para que escrevendo, eu possa pensar no modo como estou, cotidianamente, sendo pesquisadora. Para que, ao escrever, eu possa, cada vez mais, ser tocada pelas leituras, aulas, conversas, relações estabelecidas no ato das escritas... É como se isso precisasse ser dito para ser, ao mesmo tempo, buscado, perseguido por todos nós...
Referência
FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito. Trad. Márcio Alves da Fonseca, Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2004. 680p.
Na parte dedicada à prática da escrita, podemos ver técnicas utilizadas para os sujeitos poderem incorporar os discursos verdadeiros dos seus mestres. Nesse sentido, temos as hypomnémata, por exemplo, que consistia em anotações de lembranças, de leituras realizadas, assim como as próprias correspondências em que, dirigindo-se a um outro sujeito, dava-se notícias de si mesmo e ficava-se (atualmente também, pois essas práticas ainda persistem!) sabendo o que estava se passando com o outro. Movimento, portanto, de idas e vindas, buscando "a constituição para si de um equipamento de proposições verdadeiras, que seja efetivamente seu" (FOUCAULT, 2004, p.431).
Tendo trazido essas pequenas lembranças, posso dizer o quanto a leitura d?A hermenêutica do sujeito, especialmente a parte sobre a escrita de si, foi importante para que eu pudesse pensar no modo pelo qual eu estava incorporando esse discurso verdadeiro do Foucault. Dito isto, preciso dizer que não estou usando de ironia, de modo algum, mas querendo chamar a atenção do quanto certas técnicas de apreensão do discurso verdadeiro podem ser produtivas, já que seus efeitos podem ser sensivelmente vistos. Técnicas de apreensão do dito, da sua meditação, que engloba tanto a escrita quanto a leitura. Digo, retornando às linhas acima, em causa própria, pois desde as leituras que eu havia feito desse texto até a sua posterior releitura, pude ver a importância de escrever a si mesmo nas reflexões sobre o lido, como propiciadores de experimentarmos a nós mesmos no tempo do nosso pensamento. Textos que não são anotações, mas que são a articulação do que lemos, ouvimos, pensamos, com o que de experiência é produzida em nós. Como é sabido, não é sem suor, sacrifício, tensão, e até medo, que eu me disponho a escrever. Mas sinto que - após tantos bloqueios e folhas rasgadas, picotadas por não dizerem o que eu achava que deveria ser dito - valeu a pena insistir para poder dizer...
No que se refere à escrita que poderíamos chamar, por assim dizer, de acadêmica, creio que muitas coisas podem ser pensadas no momento em que estamos redigindo uma proposta de dissertação, como é o meu caso. Uma das questões é o quanto nos dispomos a entrar no(s) texto(s), a fazê-lo(s) verter aquilo que tanto nos desassossega, aquilo que tanto nos motiva e nos inquieta frente ao objeto de estudo que pode, talvez, ser a inquietação de nós mesmos no ato de nosso próprio pensamento. O quanto esse papel, tão particular da escrita (mas também da escuta, da fala), de possibilitar a nossa constituição através dela está sendo vivenciada na academia, na medida em que temos prazos, expectativas, angústias e, também, cobranças que já fazem as escritas serem esperadas de determinados modos, dentro de certas embalagens, como se fossem produtos a serem verificados segundo critérios pré-estabelecidos de qualidade e embalados para a venda. Algo assim, tão frio e maquínico.
Digo isso, ainda, para que escrevendo, eu possa pensar no modo como estou, cotidianamente, sendo pesquisadora. Para que, ao escrever, eu possa, cada vez mais, ser tocada pelas leituras, aulas, conversas, relações estabelecidas no ato das escritas... É como se isso precisasse ser dito para ser, ao mesmo tempo, buscado, perseguido por todos nós...
Referência
FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito. Trad. Márcio Alves da Fonseca, Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2004. 680p.
08 abril 2006
O escrever
Por que eu me nego tanto?
A sensação que tenho durante o processo de escritura de minha dissertação é que tudo está ruim, está mal feito, não está como poderia ser... Ou seja, mesmo sabendo que há milhares modos de escrever o que estou escrevendo, e que cada pessoa escreve de um lugar particular - mas conectado a outros 'lugares' - a sensação é a de que eu estou aqui, escrevendo, sem estar em lugar algum.
Numa palestra proferida a um tempinho atrás pelo Jorge do Ó (de Portugal), sobre o processo de escritura e pesquisa, contaram-me que ele falou que muitos de nós ficamos desestimulados porque queremos construir uma catedral e acabamos construindo uma capela [acho que era isso]. Talvez seja isso, pois sempre pensamos mais, queremos mais, e podemos mais, sim, mas esse processo de negação no meu próprio ato de escrita impossibilita, a cada dia, as pequenas mudanças que poderiam transformar a minha capelinha em, talvez, uma catedral.
A sensação que tenho durante o processo de escritura de minha dissertação é que tudo está ruim, está mal feito, não está como poderia ser... Ou seja, mesmo sabendo que há milhares modos de escrever o que estou escrevendo, e que cada pessoa escreve de um lugar particular - mas conectado a outros 'lugares' - a sensação é a de que eu estou aqui, escrevendo, sem estar em lugar algum.
Numa palestra proferida a um tempinho atrás pelo Jorge do Ó (de Portugal), sobre o processo de escritura e pesquisa, contaram-me que ele falou que muitos de nós ficamos desestimulados porque queremos construir uma catedral e acabamos construindo uma capela [acho que era isso]. Talvez seja isso, pois sempre pensamos mais, queremos mais, e podemos mais, sim, mas esse processo de negação no meu próprio ato de escrita impossibilita, a cada dia, as pequenas mudanças que poderiam transformar a minha capelinha em, talvez, uma catedral.
Sobre a criação dos 'outros' e modos de convivência no contemporâneo
O contemporâneo cuidado com o 'eu' - identificado como sendo especialmente o corpo - está relacionado a questões de ordens variadas e relacionadas, como os embates culturais sobre as significações, a crescente responsabilização dos indivíduos sobre si mesmos, ou mesmo a colonização do espaço público por questões privadas, dentre outros. São aspectos que vão produzindo individualidades apartadas do espaço público enquanto espaço para o convívio, a criação e a experimentação de novas formas de ser consigo e com os outros.
Visualizamos, em suma, ensinamentos que permeiam a arena social, compondo existências e produzindo efeitos em larga escala. Um exemplo disto pode ser demonstrado na reportagem "A intimidação virtual assusta" (ZH, 2005), em que um menino de doze anos foi alvo de chacota e expressões de ódio numa comunidade do Orkut que alguns dos seus colegas criaram, com o sugestivo título de "Quem quer quebrar o Rodrigo?". Pelo fato do menino ser identificado como gordo e ter um mau desempenho no futebol era vítima de ofensas na escola que ultrapassaram esse ambiente, indo para o virtual. Como demonstra a reportagem, os educadores ainda não sabem como lidar com esse tipo de atitude: "O bullying na internet é um problema novo, e os educadores ainda não sabem como lidar com a questão. De acordo com a orientadora educacional e psicopedagoga Simone Venturini Pinto, quando a brincadeira passa do limite, é hora de intervir". Essas são questões que tendem a aumentar proporcionalmente à centralidade da 'voga de si', pois se fechar em si mesmo, excluindo os outros, é parte das estratégias para a construção das identidades. Além disso, uma intervenção apenas pontual, num momento ou outro de zombaria, não está articulado a um sujeito que se constrói em processo e, por isso, necessitaria de formação constante sobre as diferenças, a responsabilidade e o convívio com os outros, incluindo, aí, a desestabilização sobre as certezas e 'verdades' que tem construído sobre si mesmo, minando as relações egocêntricas, de hostilidade e arrogância que, muitas vezes, partem daqueles que julgam se sobressair aos demais.
Excerto de um trabalho maior.
Visualizamos, em suma, ensinamentos que permeiam a arena social, compondo existências e produzindo efeitos em larga escala. Um exemplo disto pode ser demonstrado na reportagem "A intimidação virtual assusta" (ZH, 2005), em que um menino de doze anos foi alvo de chacota e expressões de ódio numa comunidade do Orkut que alguns dos seus colegas criaram, com o sugestivo título de "Quem quer quebrar o Rodrigo?". Pelo fato do menino ser identificado como gordo e ter um mau desempenho no futebol era vítima de ofensas na escola que ultrapassaram esse ambiente, indo para o virtual. Como demonstra a reportagem, os educadores ainda não sabem como lidar com esse tipo de atitude: "O bullying na internet é um problema novo, e os educadores ainda não sabem como lidar com a questão. De acordo com a orientadora educacional e psicopedagoga Simone Venturini Pinto, quando a brincadeira passa do limite, é hora de intervir". Essas são questões que tendem a aumentar proporcionalmente à centralidade da 'voga de si', pois se fechar em si mesmo, excluindo os outros, é parte das estratégias para a construção das identidades. Além disso, uma intervenção apenas pontual, num momento ou outro de zombaria, não está articulado a um sujeito que se constrói em processo e, por isso, necessitaria de formação constante sobre as diferenças, a responsabilidade e o convívio com os outros, incluindo, aí, a desestabilização sobre as certezas e 'verdades' que tem construído sobre si mesmo, minando as relações egocêntricas, de hostilidade e arrogância que, muitas vezes, partem daqueles que julgam se sobressair aos demais.
Excerto de um trabalho maior.
Fernando Pessoa: poemas em site
Simplesmente maravilhoso o site de poesias de
F E R N A N D O P E S S O A. além de ser hiper completo, com verdadeiras preciosidades do poeta, ainda nos brinda com a possibilidade de ler os poemas tanto em português quanto em espanhol, reavivando ainda mais o furor latino. Isso no www.fpessoa.com.ar
EIS UM DOS PRESENTES QUE LÁ ENCONTREI:
Cada Coisa A Seu Tempo
Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera
Têm branco frio os campos.
À noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.
À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
Não puxemos a voz
Acima de um segredo,
E casuais, interrompidas, sejam
Nossas palavras de reminiscência
(Não para mais nos serve
A negra ida do Sol) ?
Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes
Histórias, que nos falem
Das flores que na nossa infância ida
Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.
E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade,
Como quem compõe roupas
O outrora compúnhamos
Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos,
E há só noite lá fora.
E EM ESPANHOL:
Cada cosa a su tiempo tiene su tiempo.
No florecen en el invierno las arboledas,
Ni por la primavera
Tienen blanco frío los campos.
A la noche, que entra, no pertenece, Lidia,
El mismo ardor que el día nos pedía.
Con más sosiego amemos
Nuestra incierta vida.
A la hoguera, cansados no de la obra
Pero porque la hora es la hora de los cansancios,
No acerquemos la voz
Encima de un secreto,
Y casuales, interrumpidas, sean
Nuestras palabras de reminiscencia
(Para nada más nos sirve
La negra ida del Sol) ?
Poco a poco el pasado recordemos
Y las historias contadas en el pasado
Ahora dos veces
Historias, que nos hablen
De las flores que en nuestra infancia ida
Con otra consciencia recogíamos
Y bajo otra especie
De mirar lanzado al mundo.
Y así, Lidia, a la hoguera, como estando,
Dioses hogares, allí en la eternidad,
Como quien compone ropas
Otrora lo compongamos
En este desasosiego que el descanso
Nos trae a las vidas cuando sólo pensamos
En aquello que ya fuimos,
Y hay sólo noche allá fuera.
Odes De Ricardo Reis
Ricardo Reis
F E R N A N D O P E S S O A. além de ser hiper completo, com verdadeiras preciosidades do poeta, ainda nos brinda com a possibilidade de ler os poemas tanto em português quanto em espanhol, reavivando ainda mais o furor latino. Isso no www.fpessoa.com.ar
EIS UM DOS PRESENTES QUE LÁ ENCONTREI:
Cada Coisa A Seu Tempo
Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera
Têm branco frio os campos.
À noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.
À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
Não puxemos a voz
Acima de um segredo,
E casuais, interrompidas, sejam
Nossas palavras de reminiscência
(Não para mais nos serve
A negra ida do Sol) ?
Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes
Histórias, que nos falem
Das flores que na nossa infância ida
Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.
E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade,
Como quem compõe roupas
O outrora compúnhamos
Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos,
E há só noite lá fora.
E EM ESPANHOL:
Cada cosa a su tiempo tiene su tiempo.
No florecen en el invierno las arboledas,
Ni por la primavera
Tienen blanco frío los campos.
A la noche, que entra, no pertenece, Lidia,
El mismo ardor que el día nos pedía.
Con más sosiego amemos
Nuestra incierta vida.
A la hoguera, cansados no de la obra
Pero porque la hora es la hora de los cansancios,
No acerquemos la voz
Encima de un secreto,
Y casuales, interrumpidas, sean
Nuestras palabras de reminiscencia
(Para nada más nos sirve
La negra ida del Sol) ?
Poco a poco el pasado recordemos
Y las historias contadas en el pasado
Ahora dos veces
Historias, que nos hablen
De las flores que en nuestra infancia ida
Con otra consciencia recogíamos
Y bajo otra especie
De mirar lanzado al mundo.
Y así, Lidia, a la hoguera, como estando,
Dioses hogares, allí en la eternidad,
Como quien compone ropas
Otrora lo compongamos
En este desasosiego que el descanso
Nos trae a las vidas cuando sólo pensamos
En aquello que ya fuimos,
Y hay sólo noche allá fuera.
Odes De Ricardo Reis
Ricardo Reis
Link
No Tela Viva - http://www.telaviva.com.br/tvdigital.asp - vários links sobre a TV Digital.
PS.: Preciso arrumar a configuração do blogger, estou sem recursos para a escrita, linkar.
PS.: Preciso arrumar a configuração do blogger, estou sem recursos para a escrita, linkar.
21 março 2006
Testando post por email, pensando na arte...
Beatriz Sarlo, no livro Cenas da vida pós-moderna: intelectuais, arte e
vídeo-cultura na Argentina:
"[...] não existe outra atividade humana que nos possa colocar diante de nossa condição subjetiva e social com a mesma intensidade e riqueza de sentidos que a arte, sem que essa experiência exija, como a religião, uma afirmação da transcendência. [...] Num mundo onde quase todos coincidem em diagnosticar uma 'escassez de sentidos', ironicamente, esse diagnóstico não considera a arte tal como ela é: uma prática que se define na produção de sentidos e na intensidade formal e moral" (p. 9).
vídeo-cultura na Argentina:
"[...] não existe outra atividade humana que nos possa colocar diante de nossa condição subjetiva e social com a mesma intensidade e riqueza de sentidos que a arte, sem que essa experiência exija, como a religião, uma afirmação da transcendência. [...] Num mundo onde quase todos coincidem em diagnosticar uma 'escassez de sentidos', ironicamente, esse diagnóstico não considera a arte tal como ela é: uma prática que se define na produção de sentidos e na intensidade formal e moral" (p. 9).
18 março 2006
Eis... o que me espera?!
Corpo, risco, norma, tecnociência, saúde, bio-asceses... são alguns dos conceitos e discussões que preciso estudar mais, incorporá-los mesmo, nem que seja de forma forma antropofágica! Isso porque preciso articular melhor o capítulo central da minha pesquisa, operacionalizando estes conceitos com a produção contemporânea das diferenças, enquanto formas produtivas de nomear, classificar e localizar sujeitos que tangenciam entre os limites da mesmidade e/ou da outridade.
Modos de 'dizer de si' e de 'dizer dos outros' analisadas no ciberespaço, modos específicos de subjetivação e controle-estimulação através da visibilização das minúcias cotidianas sobre as maneiras de cuidar e lidar com seus corpos e com os sentimentos que os ditos 'outros' ? definidos através das suas imagens corporais ? despertam, incitam, produzem... eis um pouco do que preciso, de forma mais eficiente e inteligente, explorar. Muito trabalho ainda me espera.
Modos de 'dizer de si' e de 'dizer dos outros' analisadas no ciberespaço, modos específicos de subjetivação e controle-estimulação através da visibilização das minúcias cotidianas sobre as maneiras de cuidar e lidar com seus corpos e com os sentimentos que os ditos 'outros' ? definidos através das suas imagens corporais ? despertam, incitam, produzem... eis um pouco do que preciso, de forma mais eficiente e inteligente, explorar. Muito trabalho ainda me espera.
14 março 2006
TV Digital
Vejo o orkut como uma rica trama e teia comunicacional. Enveredando-me pelos seus caminhos, podemos aprender muitas coisas através da interação e do debate.
Hoje tive mais uma das milhares de provas disto. Na comunidade "Coletivos inteligentes", um dos tópicos está discutindo sobre a TV Digital. Um debate hiper importante que muitos de nós estamos quase que ignorando completamente.
Olhem só:
"Absinthe 04/03/2006 06:34
O Brasil está preste a tomar a decisão de qual padrão de TV digital irá adotar. Assunto que está passando despercebido para grande parte dos brasileiros. Interessante é que a cobertura realizada pelos meios de comunicação, maiores interessados nessa decisão, não é incisiva. Entretanto, nos bastidores de Brasília, ocorre uma grande movimentação e lobby de poderosos grupos econômicos.
O que está por trás dessa decisão é o modelo econômico do meio de comunicação mais popular e lucrativo do país, a televisão. Os que acham que essa é uma decisão técnica de engenheiros e professores universitários estão redondamente enganados. O que está por baixo da cortina tecnicista da escolha de um padrão de TV Digital é quem irá conquistar a maior parte desse novo mercado, as redes de televisão ou as teles.
As redes de TV pressionam o governo pelo padrão japonês. Esse modelo privilegia a alta definição e permite que os celulares captem os sinais diretos das antenas de TV sem passar pelas operadoras de celulares. Isso garante que as redes de TV continuem com o monopólio de transmissão.
Já as teles preferem o modelo europeu, que permite uma maior oferta de canais, o que poderá aumentar o número de concorrentes. As teles já anunciaram que querem fazer parte desse bolo e começar a distribuir conteúdo. Através dos multicanais criados por esse padrão seria inclusive possível através da TV digital ter acesso à banda larga e outros serviços disponibilizados pela teles.
Apesar das teles possuírem uma força econômica muito maior ? faturam cerca de 14 vezes mais que as redes de comunicação (cerca de R$ 7 bilhões em 2004) ?, parece que a força política das redes vai ganhar essa queda de braço. Não podemos esquecer que esse é um ano eleitoral e a televisão ainda é o principal meio de conquistar votos. Não seria muito prudente para o presidente Lula bater de frente com as redes nesse momento. Inclusive o Ministro das Comunicações Hélio Costa, [o bunitao da bala chita once upon a time da Globo] já se posicionou favorável ao modelo japonês.
as agências de publicidade, outras grandes interessadas nessas mudanças, não expõem voz ativa nessa decisão. Em contrapartida, a comissão dos filmes de 30 segundos, o grande filão das agências, nunca esteve tão ameaçado com essas mudanças.
Os hábitos de consumo de mídia, independentemente do padrão que for adotado, estão em mudança. A informação está deixando de ser imposta pelas redes e escolhidas pelo usuário. É a era OnDemand, onde quem escolhe a grade de programação é o telespectador. ou pelo menos pensa que escolhe - e fica assim msm ---> tem a opção de, pelo menos, assistir a novela das 8 pela manhã, o Big Brother na hora do almoço e o Globo Esporte à noite.
ok - A TV digital permitirá a interatividade!!!
vamos todos poderinteragir com o conteúdo da TV ]participar de votações BBB etczs talzs > jogos e mandar e-mails - escolher com qual câmera queremos assistir aos jogos da seleção brasileira!
Conseguiremos inclusive fazer compras pela TV!!!
Já imaginou o sucesso de vendas das roupas usadas por atrizes noveleiras da Globo sendo vendidas por controle remoto durante a novela???
todos os produtos & modelitos a 1 click?
isso aí!
produtos e serviços com interatividade e on demand!
Ja q falamos da Globo.com ela já é um exemplo de como irá funcionar a TV digital > A NBA só pode ser assistida pela internet. O assinante da Globo.com pode assistir a todos os jogos do campeonato sob demanda. No site do Big Brother você tem acesso a câmeras exclusivas 24 horas por dia. Pode votar nos emparedados, concorrer a promoções e ainda comprar alguns produtos usados pelos participantes da casa, como o famoso edredom.
opções?
n/ esquecer : as redes de televisão, passando por agências, produtoras, fornecedores e anunciantes - e zapear pagando por isso
ate pq - como estamos assistindo - o padrão a ser adotado afeta negócios das teles e das redes de TV - independente da escolha que será mais política e econômica do que técnica"
Isso no link http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=33226&tid=2450645383473768287&start=1
Hoje tive mais uma das milhares de provas disto. Na comunidade "Coletivos inteligentes", um dos tópicos está discutindo sobre a TV Digital. Um debate hiper importante que muitos de nós estamos quase que ignorando completamente.
Olhem só:
"Absinthe 04/03/2006 06:34
O Brasil está preste a tomar a decisão de qual padrão de TV digital irá adotar. Assunto que está passando despercebido para grande parte dos brasileiros. Interessante é que a cobertura realizada pelos meios de comunicação, maiores interessados nessa decisão, não é incisiva. Entretanto, nos bastidores de Brasília, ocorre uma grande movimentação e lobby de poderosos grupos econômicos.
O que está por trás dessa decisão é o modelo econômico do meio de comunicação mais popular e lucrativo do país, a televisão. Os que acham que essa é uma decisão técnica de engenheiros e professores universitários estão redondamente enganados. O que está por baixo da cortina tecnicista da escolha de um padrão de TV Digital é quem irá conquistar a maior parte desse novo mercado, as redes de televisão ou as teles.
As redes de TV pressionam o governo pelo padrão japonês. Esse modelo privilegia a alta definição e permite que os celulares captem os sinais diretos das antenas de TV sem passar pelas operadoras de celulares. Isso garante que as redes de TV continuem com o monopólio de transmissão.
Já as teles preferem o modelo europeu, que permite uma maior oferta de canais, o que poderá aumentar o número de concorrentes. As teles já anunciaram que querem fazer parte desse bolo e começar a distribuir conteúdo. Através dos multicanais criados por esse padrão seria inclusive possível através da TV digital ter acesso à banda larga e outros serviços disponibilizados pela teles.
Apesar das teles possuírem uma força econômica muito maior ? faturam cerca de 14 vezes mais que as redes de comunicação (cerca de R$ 7 bilhões em 2004) ?, parece que a força política das redes vai ganhar essa queda de braço. Não podemos esquecer que esse é um ano eleitoral e a televisão ainda é o principal meio de conquistar votos. Não seria muito prudente para o presidente Lula bater de frente com as redes nesse momento. Inclusive o Ministro das Comunicações Hélio Costa, [o bunitao da bala chita once upon a time da Globo] já se posicionou favorável ao modelo japonês.
as agências de publicidade, outras grandes interessadas nessas mudanças, não expõem voz ativa nessa decisão. Em contrapartida, a comissão dos filmes de 30 segundos, o grande filão das agências, nunca esteve tão ameaçado com essas mudanças.
Os hábitos de consumo de mídia, independentemente do padrão que for adotado, estão em mudança. A informação está deixando de ser imposta pelas redes e escolhidas pelo usuário. É a era OnDemand, onde quem escolhe a grade de programação é o telespectador. ou pelo menos pensa que escolhe - e fica assim msm ---> tem a opção de, pelo menos, assistir a novela das 8 pela manhã, o Big Brother na hora do almoço e o Globo Esporte à noite.
ok - A TV digital permitirá a interatividade!!!
vamos todos poderinteragir com o conteúdo da TV ]participar de votações BBB etczs talzs > jogos e mandar e-mails - escolher com qual câmera queremos assistir aos jogos da seleção brasileira!
Conseguiremos inclusive fazer compras pela TV!!!
Já imaginou o sucesso de vendas das roupas usadas por atrizes noveleiras da Globo sendo vendidas por controle remoto durante a novela???
todos os produtos & modelitos a 1 click?
isso aí!
produtos e serviços com interatividade e on demand!
Ja q falamos da Globo.com ela já é um exemplo de como irá funcionar a TV digital > A NBA só pode ser assistida pela internet. O assinante da Globo.com pode assistir a todos os jogos do campeonato sob demanda. No site do Big Brother você tem acesso a câmeras exclusivas 24 horas por dia. Pode votar nos emparedados, concorrer a promoções e ainda comprar alguns produtos usados pelos participantes da casa, como o famoso edredom.
opções?
n/ esquecer : as redes de televisão, passando por agências, produtoras, fornecedores e anunciantes - e zapear pagando por isso
ate pq - como estamos assistindo - o padrão a ser adotado afeta negócios das teles e das redes de TV - independente da escolha que será mais política e econômica do que técnica"
Isso no link http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=33226&tid=2450645383473768287&start=1
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