23 agosto 2005

O que nos conforta a alma?

Eu adoro essa música. Acho que ela diz muita coisa, que é um alento para a alma. Música que conforta, que pode nos fazer pensar e agir diferente do que estamos pensando e agindo agora, que pode nos sensibilizar para as dores do mundo... Porque essa eu acho que é uma urgência do nosso tempo: que nós possamos sentir, na intensidade de um ato amoroso, cumplicente, as alegrias e dores de ser humano em tempos tão sombrios...


Esquadros
Adriana Calcanhoto

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodovar, cores de Frida Kalo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que o meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa, filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone
E vendo doer a fome nos meninos que tem fome
Pela janela do quarto, pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela, quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde?
Transito entre dois lados de um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo, me mostro
Eu canto para quem?
Pela janela do quarto, pela janela do carro...
Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço...
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado
Pela janela do quarto, pela janela do carro...
Eu ando pelo mundo
E meus amigos cadê?...
Pela janela do quarto, pela janela do carro...

22 agosto 2005

excerto de uma das comunidades do orkut que quero analisar...

Gordas & anoes...exterminio e a solucao 6/13/2004 1:18 AMAqui estou eu para promover uma ideia que vendo desenvolvendo desde os primordios de minha existencia, essa seria a TOTAL destruicao dos seres que hoje em dia andam e assolam livremente nossas sociedades ja tao necessitadas de paz e tranquilidade, eu sou a favor do exerterminio de tais criaturas pois:1) sao completamente inuteis, ja que nao teem nenhum valor reprodutivo ou de adorno...hoje em dia os chamamos de OBESOS, GORDOS, ROLHAS DE POCO, SUPUSITORIOS DE ELEFANTE e por ai vai...aqui estou eu tambem para promover minha ideia de total destruicao do que hoje chamamos de anoes...eles devem ser destruidos pois: 1) sao parceiros de nossas inimigas mortais (gordas) 2) com elas formam um complo contra os humaniodes normais (nos) 3) anoes nao servem para nenhum tipo de trabalho, com execessao dos que prestam um servico util a comunidade morando e trabalhando dentro de maquinas de refrigerente, caixas eletronicos e etc...com execessao destes uteis amiguinhos TODOS devem ser mortos...PAZ

15 agosto 2005

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Faça você também Quegênio-louco é você? Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia


AI, que triste fim... eu é que não repetirei essa história!
Amor da perdição

A artista, nascida em 1864, é mais conhecida por sua vida atribulada que por seu trabalho. Aos 19 anos, conhece Auguste Rodin, 24 anos mais velho que ela, escultor já consagrado, que se torna seu mestre e amante.

Um amor ardente e secreto se prolongará por dez anos, muito embora Rodin nunca abandonará sua primeira amante, Rose Beuret, com a qual finalmente se casará em 1917.

Camille vive certa efêmera fama, graças ao apoio de Rodin, expondo em salões e participando de tertúlias em casa de Mallarmé e de Jules Renard, admiradores de seu trabalho.

Quando Rodin retorna em definitivo e totalmente ao seu antigo amor, começa a tragédia de Camille, que se fecha em seu estúdio e se entrega a uma solidão obsessiva, caracterizada pela pobreza e pela ruína física e mental. Só sai às noites.

A dor do abandono

Sua vida está relacionada à de Rodin até 1898, ano em que se separaram. A partir de 1906, arremete contra sua obra, destruindo grande parte de sua produção, numa espécie de exorcismo, como uma forma de livrar-se daquilo que ainda a vinculava ao homem amado e com a obsessiva dor do abandono, gravado em uma de suas esculturas.

Rodin tenta ve-la, mas é rechaçado, transformando-se num inimigo perseguidor, dentro do delírio paranóico de Camille.

Em 10 de março de 1913, por ordem de sua mãe e de seu irmão, ela é internada em um asilo de loucos em Ville-Evrard e, um ano depois, transferida para o hospital psiquiátrico de Montdevergues, que lhe dará abrigo até sua morte, trinta anos depois.

O desprezo da família

Não se encerra aí a desdita de Camille. Sua mãe jamais irá visitá-la e rechaça, firmemente, o conselho dos médicos para levá-la de volta ao lar.

Seu irmão, Paul Claudel, além de próspero, fortalece-se politicamente, ao tornar-se embaixador da França. Não obstante, se nega, em 1933, a pagar-lhe uma pensão hospitalar. Nos 30 anos de internação, Paul a visita umas poucas vezes e nada faz para amenizar o sofrimento de Camille, apesar das cartas suplicantes que esta lhe envia, narrando as condições sub-humanas em que vive.

O fim sem glória

Rodin, por sua parte, envia-lhe algum dinheiro, expõe algumas das esculturas de Camille que sobreviveram à destruição, mas nada faz para liberá-la do hospital. De toda maneira, qualquer iniciativa sua seria obstada pela mãe de Camille, que o considera culpado pela ruína e loucura de sua filha.

Camille Claudel morre em sua prisão psiquiátrica em 1943, com a idade de 78 anos. Esquecida do mundo, morre sem glória, sendo enterrada, anonimamente, em uma vala comum.

Isso no http://www.pitoresco.com.br/escultura/camille/camille.htm, não sei por que, mas não está linkando, mas tudo bem!!!

Dizer é difícil

MEU DEUS, como é difícil escrever. Sinto falta do tempo em que escrevia descompromissada, sem medo de desapontamentos, sem medo da página em branco que me olha indecorosa.

É, faltam palavras para dizer o não dito. Faltam idéias para não dizer o já-dito. Faltam pensamentos para vagar o já escrito...

Viviane Camozzato

08 agosto 2005

As palavras dizem muito de nós também...

Estava lá no blog do Tomaz Tadeu, professor do PPGEdu/UFRGS. Dá pano pra manga... pois os Pensamentinhos (em cada um assertivas que trazem "é", "são"... como estratégias de afirmação de verdades) podem apontar a intenção de decifração dos acontecimentos, seres, vidas... a Maquininha de Guerra implode esses acontecimentos, seres, vidas e produz coisas inimagináveis..., talvez porque tenha subvertido o esperado e já tido como certo, desejado, correto, verdadeiro. Conexão direta com o pensamento nômade como figura metafórica que pode nos fazer conhecer outras paragens. Relação "amorosa" com o conceito de experiência, pois nos descolando do que estamos sendo hoje podemos, talvez, nos transformar em outros-de-nós-mesmos...

I. Pensamentinhos
1. Não confundir o rebelde com o militante. São, aliás, inimigos mortais.
2.A rebeldia não é um estado de consciência, mas um movimento do pensamento.
3. O pensamento rebelde não tem hora, nem lugar. É intempestivo e impertinente.
4. O conformismo é da família do bom senso e do senso comum. Já a rebeldia tem relações de afinidade com o contra-senso e o não-senso.
5. Geograficamente, a rebeldia se situa nos antípodas dos gestos de boa-vontade e das piedosas declarações das boas-almas.
6. A rebeldia é sempre generosa. Piedosa ou caridosa, nunca.
7. A rebeldia até pode ser coletiva. Mas não funda nem segue escolas, partidos ou organizações.
8. O "não" do pensamento rebelde não tem nada a ver com niilismo. É exatamente o contrário: é sempre um "sim" à vida, contra os que tentam extingui-la.
9. À rebeldia repugna o culto a pais da pátria e o apelo a salvadores messiânicos.
10. A rebeldia vem antes do poder. Satã não existe porque Deus existe. É justamente o contrário.
11. O rebelde pode passar. Arrepende-se, retrata-se, desdiz-se, adere a uma igreja, entra num partido, arruma uma boquinha no aparelho de Estado, veste um terno fino, pede a extrema-unção. Já a rebeldia obstina-se em sobreviver.
12. O desrespeito é a primeira regra de boas maneiras da rebeldia.
13. Se a rebeldia tem uma fórmula é a do personagem Bartleby, de Herman Melville: "Prefiro não". Ou, então, a do porqueiro de Antonio Machado/Juan de Mairena: "Não me convence".
14. A rebeldia nega-se a dar foros de privilégio a qualquer tipo de ator, individual ou coletivo: operário, sem-terra, sem-nada. Mas acredita piamente num povo por vir.1
5. À rebeldia repugna falar em nome de quem quer que seja.
16. Seriedade é coisa de conformista. A rebeldia está mais para o riso e o humor. Mas isso não quer dizer que a rebeldia não seja pra valer.
17. Por inclinação, a rebeldia não se reserva um domínio limitado e específico: ela se alastra pela política, pela arte e pela conduta. Pela vida.
18. A rebeldia é puro desejo.
19. A rebeldia tem pouco interesse pelo que é. Em troca, é ilimitado seu interesse pelo que pode vir a ser.
20. Não existe rebeldia sem um pensamento do novo, do imprevisível e do inesperado.
21. Que ironia! O poder é pançudo, mas triste. A rebeldia é magra, mas alegre.
22. Nem vermelha, nem negra. A rebeldia não tem nenhuma cor. Tem todas.
23. Nem ícones, nem ídolos, nem vanguardas. Só conexões.
24. Nem bandeirinhas, nem símbolos, nem botãozinhos. Só criações.
25. A rebeldia não é a negação da ordem constituída. Ela é a afirmação daquilo que a ordem constituída nega.
26. Desconfiar dos que falam de revolução como se fossem padres ou pastores. Ou de padres e pastores que falam de revolução.

II. Intermezzo ?pedagógico?
1. Pedagogia e pensamento não dão bom par.
2. A rebeldia não tem nenhuma solução para os problemas da educação. A rebeldia é um problema para a educação.
3. Não confundir rebeldia com formação da consciência crítica. A rebeldia não quer formar coisa nenhuma.4. Formação para a cidadania, então, que palavrão! Cidadania? O rebelde responde: passo!5. Nem vale a pena adjetivar a pedagogia. Pedagogia crítica, pedagogia da esperança, pedagogia rizomática. É que a substância é irrecuperável.6. Com as pedagogias cristãs, então, meu Deus, a rebeldia não quer nem conversa. Vade retro, Jesus Cristo!7. Não pensem que haja um divórcio entre pedagogia de esquerda e pedagogia de estado. São tão bem casados!8. As pedagogias da esquerda no poder são simplesmente pedagogias de funcionários. Burocratizadas, pobrezinhas, morreram de bom comportamento.9. A pedagogia é o reino das boas almas e dos espíritos caridosos. Que o inferno lhes seja ameno!10. O que move a pedagogia não é nem a vontade de saber, nem a vontade de poder, mas a vontade de salvar. Mas quem eles querem salvar? E quem quer mesmo ser salvo?11. As boas almas da pedagogia formam um imenso e deplorável Exército da Salvação. E dê-lhe sineta!

III. Maquininha de guerra 1. Implodir o bom senso. Meios: o riso, o ridículo, o humor. Táticas: a inversão, a variação, o choque.2. Permanecer a léguas de distância do aparelho de estado. E de todas as suas ramificações: os sindicatos colaboracionistas, os movimentos sociais atrelados e as ongs auxiliares.3. Forçar os limites. Empurrar as margens. Pular as fronteiras.4. Cavar. Minar. Esburacar. Em algum lugar tem que haver uma saída.5. Onde houver cerimônia, instalar a sem-cerimônia. Onde houver ritual, começar um baile.6. Se apelarem para a autoridade, perguntar quem fundou. Se apelarem para a moral, perguntar quem inventou. Se apelarem para os valores, perguntar: de quem, cara-pálida?7. Subverter a linguagem e a gramática: é por aí que se infiltram o poder do senso comum e o senso comum do poder.8. Desatar os nós que vinculam os poderosos do momento aos coletivos abstratos: pátria, nação, família. Melhor: colocar em descrédito todo tipo de coletivo abstrato.9. Fazer delirar as escolas, os partidos e as seitas, sem deixar de fora as religiões instituídas.10. Nunca tomar nada de assalto. Se tiver que tomar de assalto é porque não vale a pena.11. Juntar o libertino com o libertário, o desejo com a rebeldia.12. Quando a esquerda vira à direita, é hora de dar meia-volta.13. Contra os aprumados artilheiros do bom-senso, as estocadas de não-senso dos infernais arteiros da maquinindeguerra.14. Às convocações à ordem responder com a debandada geral. Às palavras de ordem, com as palavras fora de ordem.

IV. Antologia de algibeira1. Se tivesse uma lista delas, me desligaria de todas as associações às quais nunca me filiei. Henry David Thoreau2. Uma sociedade parece definir-se menos por suas contradições que por suas linhas de fuga: ela foge por todos os lados. Gilles Deleuze3. Todos os corpos estão saciados; as consciências, resignadas. Não existe mais sequer aquela inquietação que atravessa o vazio dos ossos: só uma imensa satisfação de inertes almas bovinas. Antonin Artaud4. Eu lhes digo: é preciso carregar ainda, dentro de si, algum caos, para poder dar à luz uma estrela dançante. Friedrich Nietzsche5. É preciso livrar-se do mau gosto de querer estar de acordo com muitos. Friedrich Nietzsche6. Melhor na ponta dos pés / Do que de quatro! Friedrich Nietzsche7. Odeio do fundo do coração o séqüito dos déspotas e dos sacerdotes, /Porém ainda mais o gênio que com eles se compromete. Friedrich Hölderlin8. Não é com a ira que se mata, mas com o riso. Venham, matemos o espírito de gravidade! Friedrich Nietzsche9. Se fizer uma revolução, que seja por diversão, / não com uma seriedade sinistra, / nem com um fervor mortal, / mas por diversão. D. H. Lawrence10. minha especialidade é viver ? era a legenda / de um homem (que não tinha renda / porque não estava à venda) E. E. Cummings11. A desobediência é a virtude original do homem. Oscar Wilde12. O Estado mente em todas as línguas do bem e do mal; e, qualquer coisa que diga, mente ? e, qualquer coisa que possua, roubou-a. Friedrich Nietzsche13. Onde cessa o Estado, somente ali começa o homem que não é supérfluo. Friedrich Nietzsche14. Não em torno de novos barulhos; em torno dos inventores de novos valores, gira o mundo; gira inaudível. Friedrich Nietzsche15. Um exército vermelho deixa de ser uma máquina de guerra na medida em que se torna engrenagem mais ou menos determinante de um aparelho de Estado. Gilles Deleuze16. Organize uma greve em sua escola ou local de trabalho, com a justificativa de que não estão sendo satisfeitas suas necessidades de indolência & beleza espiritual. Hakim Bey17. Platão: ?Se adulasses Dionísio [tirano de Siracusa], não precisarias lavar verduras?. Diógenes: ?Se lavasses verduras, não precisarias adular Dionísio?.18. Você tem-me cavalgado, / seu safado! /Você tem-me cavalgado, / mas nem por isso me pôs / a pensar como você. / Que uma coisa pensa o cavalo; / outra quem está a montá-lo. Alexandre O?Neill

05 agosto 2005

O corpo nas novas bio-asceses

No texto Da ascese à bio-ascese ou do corpo submetido à submissão ao corpo, Francisco Ortega (2002) procura diferenciar as práticas de bio-ascese contemporâneas, entendidas como práticas de assujeitamento e disciplinamento, das práticas ascéticas da Antigüidade, como práticas de liberdade, e entendidas como "o conjunto mais ou menos coordenado de exercícios disponíveis, recomendados, e até mesmo obrigatórios, ou pelo menos utilizáveis pelos indivíduos em um sistema moral, filosófico e religioso, a fim de atingirem um objetivo espiritual definido". Entendendo, "por 'objetivo espiritual' uma certa mutação, uma certa transfiguração deles mesmos enquanto sujeitos, enquanto sujeitos de ação e enquanto sujeitos de conhecimentos verdadeiros" (FOUCAULT, 2004, p.505). Poderemos ver, aí, práticas que tem objetivos diferenciados e que, portanto, produzem modos de subjetivação diferenciados também.
Enquanto na ascese da Antigüidade as práticas de si tinham por função produzir singularidade, sujeitos resistentes às representações exteriores, constituindo-se como sujeitos éticos, podemos ver, no entanto, que as novas práticas de bio-ascese contemporâneas expressam o desejo de uniformização, adequação a esquemas e lógicas compostos, modos de existência em que aparece como prioridade a saúde e a perfeição corporal (ORTEGA, 2002). Como o mesmo autor afirma: "A idéia de uma ascese exclusivamente corporal, as bio-asceses contemporâneas, é completamente estranha para o pensamento antigo" (p.145).
As questões levantadas me leva a pensar sobre parte do corpus da minha pesquisa. Em comunidades do Orkut em que a temática central é "eu odeio" temos agregações como Eu odeio gordas, Eu odeio gordas que se acham, Eu odeio gordas mentirosas, entre outras. Vemos também, em outras seções, muitas outras comunidades em que as discussões giram em torno de si mesmo, como Eu me amo e sou correspondido, Além de tudo, sou bonito(a), Amo o corpo da Britney, Corpo perfeito, etc. associações que expressam, mais do que uma inquietação frente ao seu ser, uma preocupação com a aparência, com o corpo. Poderíamos, aqui, fazer uma contra-posição entre a dietética para os gregos - entendida como um "regime geral de existência do corpo e da alma", como "uma das formas capitais do cuidado de si" (FOUCAULT, 2004, p.74) - e os infinitos cuidados com o corpo de agora, em que trocamos, ao que parece, um cuidado de si como forma de relacionar-se e inquietar-se consigo mesmo para preocupações sobre ações individuais que giram em torno de como obter um corpo fisicamente melhor, como adiar a velhice e prolongar a juventude, etc. Como assinala Ortega: "Força, rigidez, juventude, longevidade, saúde, beleza são os novos critérios que avaliam o valor da pessoas e condicionam suas ações" (2002, p.157).
Nos atuais tempos, "já não é o corpo a base do cuidado de si; agora o eu só existe para cuidar do corpo, estando a seu serviço" (ibidem, p.167). As preocupações sobre o tornar-se outro de si mesmo, parecem gravitar, atualmente, em tornar-se outro na aparência, como já foi dito, já que pareço existir somente se admirada pelo olhar do outro - atitude que evidencia uma submissão ao corpo porque, ao que parece, dependemos dele para mostrar quem e como somos. Em meio ao culto ao corpo são adicionadas próteses de silicone aos peitos, são realizadas cirurgias nas barrigas, nádegas, panturrilhas, entre muitas outras coisas. Transformações que nos modificam na aparência, mas não do modo pelo qual estamos sendo sujeitos, no modo pelo qual estamos levando as nossas vidas...

REFERÊNCIAS

FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito. Trad.Márcio Alves da Fonseca, Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2004. 680p.
ORTEGA, Francisco. Da ascese à bio-ascese ou do corpo submetido à submissão ao corpo. In: RAGO, Margareth; ORLANDI, Luiz B. Lacerda; VEIGA-NETO, Alfredo (orgs.). Imagens de Foucault e Deleuze: ressonâncias nietzchianas. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.