12 abril 2007

Estereótipos, preconceitos e hábitos

"Os estereótipos são os lugares comuns do discurso, o que todo mundo diz, o que todo mundo sabe. Algo é um estereótipo quando convoca mecanicamente o assentimento, quando é imediatamente compreendido, quando quase não há nem o que dizer. E grande é o poder dos estereótipos, tão evidentes e tão convincentes ao mesmo tempo. Os preconceitos são os tópicos da moral, o que todo mundo valoriza igualmente, as formas do dever que se impõe como óbvias e indubitáveis. E grande é também o poder dos preconceitos. Os hábitos são os automatismos da conduta. O que se impõe em relação à forma de conduzir-se. Os procedimentos que fabricam os estereótipos de nosso discurso, os preconceitos de nossa moral e os hábitos de nossa maneira de conduzir-nos nos mostram que somos menos livres do que pensamos quando falamos, julgamos ou fazemos coisas. Mas nos mostram também sua contingência. E a possibilidade de falar de outro modo, de julgar de outro modo, de conduzir-nos de outra maneira." (LARROSA, 1994, p.83-84).

REFERÊNCIA:

LARROSA, Jorge. Tenologias do eu e educação. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (Org.). O sujeito da educação: estudos foucaultianos. Petrópolis: Vozes, 1994.

05 abril 2007

No que consiste o feminismo?

Dotá-lo, como rotineiramente é feito, como uma mera oposição, confronto entre feministas e homens é, certamente, uma estratégia útil se o objetivo for desqualificar esse articulado grupo.Ontem, no dia internacional da mulher, visitei vários blogs que estavam participando da blogagem coletiva proposta pela Denise Arcoverde, do Síndrome de Estocolmo. Para minha alegria - e também como uma oportunidade de aprendizagem -, li ótimas discussões sobre tal tema, com abordagens que tratam o feminismo como um posicionamento em prol da construção de modos de vida outros para as mulheres e, também, para os demais habitantes desse nosso “maluco” mundo.Assim, e como o objetivo aqui é n-o-m-a-d-i-z-a-r o pensamento (o meu, principalmente) compartilho o seguinte trecho:

"o feminismo, […] movimento que nasce no século XIX, caracteriza-se por uma intensa preocupação em criar novos espaços sociais e outras condições subjetivas para as mulheres, na luta contra os modelos de feminilidade impostos pela dominação classista e sexista. Desde as primeiras manifestações pelo direito de voto, ou reivindicando igualdade de salários para as mulheres, as feministas lutaram para alterar as condições de formação e educação das meninas e moças, incitando-as a que procurassem constituir-se autonomamente, rejeitando as sujeições cotidianamente impostas pelo sistema patriarcal e experimentadas na própria carne. Críticas da definição biológica da mulher como estreitamente vinculada ao útero, da maternidade obrigatória e da mistificação da esfera privada do lar, elas têm lutado para que outras formas de invenção de si se tornem possíveis para as próprias mulheres." (RAGO, 2006, p.166).

Isso tudo me lembra a célebre frase de Simone de Beauvoir: “não se nasce mulher, se faz mulher”. Logo, “ser” mulher é algo que passa pela fabricação nas redes da cultura, o que justifica a multiplicidade de modos de “ser” (ou melhor, estar sendo) mulher…

REFERÊNCIA

RAGO, Margareth. Foucault e as artes de viver do anarco-feminismo. In: RAGO, Margareth; VEIGA-NETO, Alfredo (Org.). Figuras de Foucault. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.