25 outubro 2005

Expressões da marca da crueldade

Os membros de algumas comunidades [do Orkut] de ódio a gordas, homossexuais, negros... vem "reivindicando" frente aos que entram nessas comunidades para questioná-los, o seu "direito" de expressar esse tipo de posicionamento. Essa é uma questão que vem me intrigando, pois uma das coisas que se diz sobre a pós-modernidade é a possibilidade de sujeitos "invisíveis" poderem falar, verbalizar, expressar os seus posicionamentos na cultura, tornando-se "visíveis". E, creio, na Rede as possibilidades de expressão são cada vez mais notáveis, seja através dos blogs, msn, Orkut, entre outras ferramentas. Certamente, outras questões estão aí dentro, como as possibilidades de construção e reconstrução do "eu" nesses espaços, a questão da distância, das relações efêmeras que podem estar sendo construídas, etc, e que tornam possível que esses sujeitos demonstrem os seus ódios, a sua intolerância, a sua crueldade frente aos nomeados como "outros".
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16 outubro 2005

Para quem anda escrevendo, um presentinho...



Quadrinho do Sobrinhos de Platão no Universia, saiu no dia 26/09/2005 e foi produzido pelo Newton Foot. [clique aqui para ver o quadrinho ampliado].

E existe 'receita' para escrever uma tese, dissertação? Só praticando mesmo, escrevendo, escrevendo, lendo, relacionando... Estou nesse processo, mas dói!

O quero colocar em pauta daqui para a frente [planejamento]

Há muitas coisas que quero escrever nesse blog. Como acabo me esquecendo, ou acabo colocando outras coisas que vão surgindo, resolvi listar alguns dos próximos assuntos que quero colocar em pauta [não necessariamente na ordem que segue]:

1. escritos sobre o nomadismo no pensamento;
2. considerações a partir de um texto do Jorge Larrosa sobre o ensaiar-se na escrita acadêmica;
3. sabores e dissabores no processo da escrita acadêmica;
4. expressão de si mesmo na Rede;
5. flutuação das identidades na Internet e suas especificidades;
6. geração digital;
7. efeitos dos atravessamentos na Rede na vida offline;
8. amizades virtuais;
9. comentários de textos, filmes e livros lidos;
10. das possibilidades de afetar-se frente aos 'outros';
11. educação e descontinuidade;
12. outros...

Bons momentos esses

Eu descobri agora, mas vacilei em falar aqui, sei lá, pode parecer que quero me 'gabar', mas não é isso, quero apenas compartilhar um pouco as minhas alegrias. Ou seja, acontecimentos e momentos especiais que vão surgindo e que nos inflam de tanta felicidade. Aí vai:
1) Um texto que fiz em companhia com a minha colega Mariângela está publicado no Jornal A Página da Educação, o título é O inescapável consumo de si mesmo - pensando na fabricação dos sujeitos contemporâneos. Textos que surgem de encontros, seminários... e que parecem que deixam de nos pertencer ao compartilharmos com as demais pessoas [pois acho que nunca se escreve só para nós mesmo!]. É o meu primeiro texto meu que sai publicado [até o momento tinha publicado apenas os resumos de iniciação científica], e posso dizer que senti uma sensação indescritível. Pensei: -Puxa, é uma produção minha [nossa Mari!], é a materialização das coisas que venho pensando, relacionando, estudando... A minha ex-orientadora de IC disse que cada publicação mexe um pouquinho com a gente, nos desloca. Acho que deve ser mesmo, pois me sinto diferente agora, algo mudou dentro de mim, saio transformada dessa experiência e com muita vontade de seguir em frente! Ah, o meu currículo resumido saiu errado, saiu como se eu ainda fosse bolsista de IC, mas creio que isso é o de menos, pois até pretendo lançar o movimento Bolsistas forever... pois há coisas que fazemos, passamos, que se nos marcam de uma maneira tão intensa que continuamos sendo, hoje, um pouco de tudo o que se passou também. Nesse jornal, que tem essa versão eletrônica e impressa, também é possível encontrar, nessa mesma edição, um texto do Jurjo Santomé e outro do Gilles Lipovetsky, o qual estou terminando de ler um livro maravilhoso!!!
2) Outra coisa que me deixou super feliz foi ver que esse blog, sim, o Pensamento nômade, está na lista da Mostra de Blogs da Puc/Minas. Aliás, ao visitar a página deles encontrei muitos outros blogs interessantíssimos!!! Vale muito à pena uma visita até lá, imperdível!!! Ah, o Pensamento nômade está no link Blogs sobre Internet, blogs e comunicação. Fica aí embaixo o que é a mostra [indo até lá isso vai aparecer]:

A Mostra de Blogs faz parte da programação do III Ciclo de Palestras em Comunicação e Hipermídias que tem como objetivo aprofundar o debate sobre os usos e impactos deste tipo de site nas práticas comunicacionais contemporâneas. Nesta mostra serão exibidos blog, fotologs, vídeologs e audiologs em três categorias:
Blogs culturais
Blogs de jornalistas
Blogs sobre temas variados
Blogs de alunos e professores do curso
Blogs sobre Internet, blogs e comunicação
Qualquer pessoa pode sugerir um (ou vários) blogs, fotologs, vídeologs e audiologs para a mostra. Para fazer uma sugestão, clique aqui.A Mostra de Blogs será inaugurada no dia 29 de setembro de 2005, na Galeria dos Laboratórios de Comunicação (bloco I), e ficará em exposição até o final do mês de outubro.

ps.: por isso e muito mais preciso agradecer infinitamente um monte de coisas boas que vem me acontecendo. MUITO OBRIGADA a todas as pessoas que já passaram e que estão passando na minha vida... :-)

14 outubro 2005

Educação neoliberal: que formação humana é essa? Um breve comentário

Lembro de uma conversa que tive com a mãe de uma menina de três anos, que estava indignada porque na escola infantil em que a menina estudava, colocaram aulas de artes e o inglês perdeu um pouco o seu espaço, já que ambas disciplinas ficaram com a mesma quantidade de períodos. Feita essa constatação, essa mãe confidenciou-me que estava prestes a trocar a filha de escola porque considerava que as artes não ajudariam a sua filha a conseguir emprego no futuro, e que o inglês seria mais útil nesse período e, por isso, achava um absurdo terem incluído as artes que, segundo ela, não serviria para nada. Ora, essas são questões gritantes, pois que tipo de sujeitos estamos querendo construir a partir da educação? Gerzson (2005), discutindo sobre a materialidade das práticas neoliberais nas reportagens sobre educação em revistas, assinala que:
O aprendizado desde o nascimento até o ingresso na vida profissional é abordado nas revistas [e em outras instâncias que ajudam a fabricar os nossos modos de pensar] que apontam como deve ser a educação, recomendam como escolher a melhor escola - e até a pré-escola - que já deve iniciar a familiarização com valores e preceitos da ordem neoliberal, para que o bebezinho já comece a incorporar certos saberes e comportamentos convenientes. (p.29)
Ora, parece-me evidente que a mãe a que me referi está associada a esse modo de pensar neoliberal, em que se busca construir indivíduos com ?identidades moldáveis e diversificadas, necessárias a um mercado de trabalho cambiante? (ibid.) para formar o sujeito-cidadão-consumidor do futuro. Um sujeito construído para gerar lucros e dividendos. Assim pergunto: que formação humana é essa?

Referência

GERZSON, V. R. Aprendendo a ter sucesso: a educação para o neoliberalismo nas revistas informativas semanais. Jornal "a Página", ano 14, nº 142, Fevereiro 2005, p. 29.

13 outubro 2005

Das transformações corporais

No livro Cenas da vida pós-moderna, Beatriz Sarlo traz a questão de que estaríamos sendo assolados pelo mito da juventude [articulado que está a questão do corpo e da estética] como um imperativo aos modos de existência contemporâneos. Assim, estaríamos investindo cada vez mais em nossos corpos para nos associarmos às gramáticas de comunicação contemporâneas, onde o corpo aparece como sendo 'quase' tudo para nós. As representações midiáticas, que produzem e põe em circulação corpos femininos magros, sem rugas, estrias ou celulites, com seios volumosos, etc., são produtivas no sentido de ajudarem a nos produzir para que nos submetamos aos discursos que vendem a idéia de que através do corpo poderemos alcançar a felicidade e o sucesso.
Novos procedimentos são produzidos, possibilitando transformações quase que basicamente corporais. Transformações que estão associadas aos padrões de beleza e juventude que imperam na socedade ocidentalizada, tornada possível através dos efêmeros circuitos relacionados à moda, cirurgias, estética, tatuagens, e outras intervenções que nos submetem aos padrões estéticos atuais.
É dentro desse contexto [e que expus de maneira simplificada e rápida] que trago o texto Mulher Moderna, que está circulando na Rede, e que dizem que é de autoria do do Luís Fernando Veríssimo.

Amigas ao telefone:
-Oi, me conta como foi o encontro de ontem a noite ?
- Horrível, não sei o que aconteceu...
- Mas por que ? Não te deu nem um beijo ?
- Sim... beijar, me beijou. Mas me beijou tão forte que meu dente postiço
da frente caiu e as lentes de contato verdes saltaram dos meus olhos...
- Não me diga que terminou por ai ...
- Não, claro. Depois pegou no meu rosto entre suas mãos, até que tive que
pedir que não o fizesse mais, porque estava achatando o botox e me mordia
os lábios como se fossem de plástico... ia explodir o meu implante de
colágeno e quase sai o mega hair!!!!
- E... não tentou mais nada ?
- Sim, começou a acariciar minhas pernas e eu o detive, porque lembrei que
não tive tempo para me depilar. E além do mais, me arrebatou com uma
luxúria e estava me abraçando tão forte que quase ficou com minhas próteses da b.u.n.d.a. nas suas mãos e estourou meu silicone do p.e.i.t.o...
- E depois, que aconteceu ?
- Aí então, começou a tomar champagne no meu sapato...
- Ai, que romântico...!!!
- Romântico o cacete ! Ele quase morreu!!!
- E por que ?
- Engoliu meu corretor de joanete com a palmilha do salto...
- Nossa, que ele fez ?
- Você acredita que ele b.r.o.x.o.u . e foi embora?
Acho que ele é .v.i.a.d.o.
- Só pode!

07 outubro 2005

Escrevo, escrevo, escrevo, e o que penso?



Essa semana está sendo agitadíssima. Artigos para terminar, revisar, pensar... Além disso, tenho um trabalho para entregar na próxima terça-feira. Estou fazendo sobre a fronteira móvel entre as distinções da esfera pública e privada e o quanto isso traz consequências na nossa afetação frente aos 'outros'. Fora isso, coisas para ler... resumos para fazer, blog para manter... Tenho leituras importantes para fazer, pois tenho que seguir em frente na proposta.
A imagem que pus aí em cima é de um texto que estou revisando e acrescentando, modificando, para enviar para uma revista. Fiz esse artigo durante a minha graduação, e sempre tive vontade de retomá-lo. Pena que tenha tão pouco tempo para fazer isso, pois preciso enviá-lo hoje á noite, no máximo [e já são 04h da madrugada!].

01 outubro 2005

As palavras ferem, mas algumas não tem como ser evitadas.




Às vezes falo coisas que não gostaria. E isso porque não me dou conta; quando eu vejo as palavras já foram despejadas. Violentamente despejadas. Uma pena, pois há que se ter cuidado com as palavras. Elas ferem. Destroem sentimentos se desferidos como flechas em direção a um coração que não sabe ouvir. Que não sabe sentir o que o outro diz. Há que se ter cuidado com as palavras, pois elas ferem como o fel se não forem cuidadosamente dosadas. Doses homeopáticas. É preciso.

* * *

Uma coisa que me entristece é ver a soberba de alguns. Pessoas que soltam risinhos nervosos ao falar coisas, pois se acham demasiadamente inteligentes e superiores. Eu penso: - Meu Deus, que soberba. Pra que esse desejo ensandecido de querer se pôr acima dos outros? Ah, se soubessem o que penso, as coisas que me vêem à cabeça... no meio do meu pensamento veriam, após as lacunas, muito bocejo e risadas por ver esse furor que toma o corpo desses sujeitos, investindo neles toda a irracionalidade bestial do mundo. Melhor pra quem?