01 julho 2005

Conversas no Orkut...

Pode-se fazer muitos e variados usos do Orkut. Um deles, a meu ver, é utilizar as comunidades do Orkut para interagir com as demais pessoas e, assim, aprender um pouco com elas também. Desse modo, os excertos que trago a seguir são conversas que estabeleci com o Victor, criador da comunidade que tem o nome de Pós-moderno.

O Victor iniciou um novo tópico assim:
28/4/2005 06:39
uma pergunta aos que estão chegando: quais seus interesses no pós-modernos?

Eu respondi:
16/6/2005 23:08OI
Puxa, faz um tempão que eu queria escrever algo nesta comunidade, mas o tempo presente se apresenta de um jeito... tão efêmero, veloz... rs, que fica difícil parar para contribuir de alguma maneira. Interessante a discussão de vcs... Eu me interesso pelo pós-moderno (eu já prefiro essa "denominação") porque estou pesquisando a constituição dos sujeitos jovens a partir da cibercultura. Bem, meu trabalho (estou preparando a proposta de dissertação pela Faculdade de Educação da UFRGS -entrei esse ano) tem o título provisório de "Inventando sujeitos. Diferenças e sensibilidades em tempos de cibercultura", e eu não saberia como pensar nesses sujeitos sem considerar a condição cultural a que estão (e nós tb) submetidos. Mais do que discutir as ditas características da condição pós-moderna, como descartabilidade, centralidade das mídias, efemeridade, descrença nas metanarrativas, compressão do tempo-espaço, entre outras, quero pensar no que o David Harvey citou no livro "Condição pós-moderna" na página 48, que é sobre a "estrutura dos sentimentos" no pós-moderno. Gilles Lipovetsky, por outro lado, fala em "emocionalidade pós-moderna", no livro Metamorfoses da cultura: ética, mídia e empresa. Trata-se, penso, de pensar nas formas dos sujeitos se relacionarem com consigo mesmos e com os demais...Bem, mas não acho as discussões sobre o pós-moderno ultrapassadas. Creio que isso pode variar conforme a área de atuação que somos oriundos. Eu, que venho da Educação, acho extremamente importantes essas discussões para fugirmos de alguns "ranços" advindos da chamada teoria crítica, que acredita da emancipação social, na conscientização adquirida através do "desencobrimento" das ideologias, etc. Esse tipo de análise sobre a educação é ainda predominante, infelizmente. (se tiverem alguma bibliografia para me indicar eu agradeço!)

O Victor de novo:
à viviane
19/6/2005 08:55
bem viviane, quando digo que o debate sobre pós-moderno morreu, me refiro ao fato de que algumas categorias, como alta cultura/baixa cultura, modernidade, História, Discurso, já estão superadas - pelo menos até onde sei: muito me impressiona saber que na educação ainda se trabalha com conceitos tradicionais. acredito que o debate a respeito do moderno/pós-moderno tenha sido feito na década de 60/70, talvez 80. qualquer discussão a esse respeito, como feita há uns meses no JB, na Folha, me parece anacrônica. quero dizer: se houve um vencedor nessa história toda, o vencedor foi o pós-moderno (enquanto condição, não enquanto positividade, ou seja, não enquanto saída - ou seja: penso que categorias do pós-moderno podem ser também problemáticas). um exemplo: quando se vai discutir subjetividade, penso que não há como fugir do debate a respeito da fragmentação do sujeito, e ao mesmo tempo o problema: até que ponto a fragmentação do sujeito é um valor positivo? talvez seja somente uma condição, e temos que lidar com ela. quando se discute cyberespaço (minha pesquisa é a literatura no cyberespaço, por coincidência) penso que seja interessante considerar sempre o caráter lúdico da construção de subjetividades. ou seja, o mundo cyber pode ser pensado, talvez com mais segurança, como ficção. "homo ludens" talvez seja um bom livro. aos poucos podemos conversar mais sobre isso. gostaria de aprender sobre isso também. fale sobre o que v. anda pensando? e outra coisa: não gosto muito de gerúndio no título (hehe!).

E ele complementa:
bibliografia
19/6/2005 09:59
acho que toda reflexão de foucault a respeito do cuidado de si, da construção de si, escrita de si, etc. (o último foucault) também pode ser importante. mas acho que v. já é boa leitora de foucault, pelo que vi num comentário seu em outra comunidade (a do foucault).


Quando falo em expressão, quero mostrar que a Internet possibilitou muito isso, pois como eu teria conversado com alguém de tão "longe" senão através da Internet e, nesse caso, do Orkut? Eu pude me expressar, ser interpelada e tocada pela fala do outro. E isso é muito legal, poder conhecer novas pessoas, novas idéias... para repensar o que estamos sendo, como estamos pensando, sentindo, vivendo nestes tempos.
P.S: 1. E as coversas seguiram, depois posto mais. 2. Para entrar no Orkut é preciso ser cadastrado. Se alguém quiser receber convite que diga!

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