Por que eu me nego tanto?
A sensação que tenho durante o processo de escritura de minha dissertação é que tudo está ruim, está mal feito, não está como poderia ser... Ou seja, mesmo sabendo que há milhares modos de escrever o que estou escrevendo, e que cada pessoa escreve de um lugar particular - mas conectado a outros 'lugares' - a sensação é a de que eu estou aqui, escrevendo, sem estar em lugar algum.
Numa palestra proferida a um tempinho atrás pelo Jorge do Ó (de Portugal), sobre o processo de escritura e pesquisa, contaram-me que ele falou que muitos de nós ficamos desestimulados porque queremos construir uma catedral e acabamos construindo uma capela [acho que era isso]. Talvez seja isso, pois sempre pensamos mais, queremos mais, e podemos mais, sim, mas esse processo de negação no meu próprio ato de escrita impossibilita, a cada dia, as pequenas mudanças que poderiam transformar a minha capelinha em, talvez, uma catedral.
08 abril 2006
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5 comentários:
não sei se é seu caso, mas acredito que no Brasil um dos maiores obstáculos à escrita são as próprias condições oferecidas ao escritor. . . Às vezes, o dizer de Nietzsche de que "só me interessa o que seja escrito com sangue" tem uma amplidão muito maior com escritores brasileiros...
Eu tê com seu blog entre nos meus favoritos mas não sei bem pq.
catatau
é verdade, as condições de escrita são, muitas vezes, precárias. e tendo esses órgãos que cobram, a cada dia mais, 'produtividade' de um modo quantitativo, isso se agrava mais e mais.
abs
km 15 q bom, e eu vou ir conhecer o teu refúgio
abs
As maiores Catedrais não foram construidas para serem Catedrais. Elas foram, no princípio, pensadas para serem capelas. É o povo, ou o público, que fazem de capelas, Catedrais.
oi felipe
lendo esta tua mensagem até fiquei feliz com a minha 'capelinha'... mas sempre com o desejo de transformá-la em catedral!
abs
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