Inventando sujeitos. Diferenças e sensibilidades em tempos de cibercultura.
A partir da idéia de que os discursos e práticas nos posicionam na cultura, nos constituindo como sujeitos assujeitados a específicos modos de ser, agir, pensar e sentir; procurarei investigar de que modo(s) os sujeitos jovens estão enunciando as diferentes formas de estar sendo humano nestes tempos. Tempos em que as mídias vêm produzindo modificações nos modos dos jovens perceberem a si, aos outros e o mundo que os cerca, considerando que estamos num mundo que se transmuta rapidamente. Inscritas na esfera social e cultural, as marcas dessas mudanças, caracterizadas como a descartabilidade, simultaneidade, compressão do espaço-tempo, efemeridade, flutuação das identidades, centralidade das mídias, cultura do espetáculo e do narcisismo, consumo, entre outras, vem liberando certos fluxos subjetivantes que atravessam fronteiras e inventam, com isso, novos modos de existência. Como sujeitos-alvo, somos crias de um intenso arsenal de técnicas, estratégias e métodos que são acionados para que cada um de nós produza efeitos sobre si mesmos, exercendo um efetivo e produtivo direcionamento da nossa vida interior. Os seguintes questionamentos me ajudarão a olhar para os materiais empíricos - comunidades do orkut, blogs e outros espaços virtuais - selecionados: de que formas os diferentes grupos estão sendo narrados? Como são criadas e utilizadas as estratégias que demarcam as distinções entre os ditos "normais" e "anormais"? Que modos de existência estão sendo produzidos? Que modos de nos relacionarmos com a gente mesmo e com os outros estão sendo criados na contemporaneidade? Como a sensibilidade (a criação da nossa capacidade de perceber e sentir os ditos "outros") vem sendo construída e, acima de tudo, experienciada? Qual a produtividade dos discursos analisados (seja para a fabricação dos sujeitos, seja para as relações estabelecidas na escola ou na vida social mais ampla)? Posso, ainda, mesmo que temporariamente, apontar os seguintes itens de análise: a) valorização da confissão na Internet como forma de exercer o cuidado de si e dos outros; b) ver como o "outro", muitas vezes transformado em espetáculo, é construído a partir de classificações, particularizações, que o instalam na dita anormalidade; c) no movimento de execração dos sujeitos nomeados como "anormais" os jovens forjam as suas identidades e se reafirmam como "normais" (atitude evidenciada em várias comunidades do orkut em que o foco central das discussões gravitam em torno do odiar isto e/ou aquilo e/ou aquele); d) considerando que cada vez mais os temas discutidos nos espaços midiáticos e nos espaços "privados" versam sobre questões que envolvem a chamada "preocupação consigo mesmo", torna-se importante analisar o quanto o "outro social" vem sendo esquecido e negligenciado em prol de discussões que esvaziam as questões de interesse mais coletivo.
27 março 2005
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Um comentário:
Oi guria :)
Sobre este assunto te recomendo uma lida em "Os estabelecidos e os outsiders" do Norbert Elias. Sobre outras coisas recomendo uma visita aqui: http://converse.utopia.com.br/
Espia os 'assuntos' e olha o mapeamento que fazem :)
Dá para se inscrever no sítio :)
abraço,
Su
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